sábado, 18 de janeiro de 2014

CAPÍTULO 21 E DESCULPA

Joseph leu de novo a inscrição diante de si. O candida­to tinha potencial, mas alguma coisa não batia. Queria dar a bolsa de estudos a algum jovem que não desper­diçasse a oportunidade que a Jonas Ltda. dava. Seu estômago roncou, rompendo a concentração. Ignorou a fome e tentou focalizar-se no trabalho, mas então um cheiro estranho lhe penetrou a consciência. Baixou os papéis e inalou uma mistura de alguma coisa familiar e apetitosa combinada com um odor desagradável. Algu­ma coisa queimando?
Olhou as horas. Dez da noite. A babá e os barulhen­tos haviam se deitado uma hora antes, finalmente lhe dando paz. Ninguém devia estar de pé tarde assim pro­duzindo aqueles cheiros, bons ou ruins. Deixou cair os papéis e seguiu o nariz até a cozinha.
Quando viu Demi, o coração deu um pulo. Tinha os olhos fechados, uma colher de chá na boca e uma expressão de puro deleite no rosto. Ele parou à porta e só então percebeu as tigelas, panelas e assadeiras espalha­das pelos balcões da cozinha geralmente imaculada. E pensava que estava em paz e solitude.
— O que é este cheiro?
Ela pulou, baixou a colher e pressionou uma das mãos sobre o peito... um peito coberto por uma cami­seta velha e larga que deixava um dos ombros nu.
— Você me assustou. E acho que é o forno. Algu­ma coisa deve ter derramado dentro ou foi usado um detergente muito forte. Quando o acendi, pode ter queimado.
— Acho que esse forno nunca foi usado. Foi instalado quando reformei a casa.
— E isto foi...?
— Três anos atrás.
Os grandes olhos castanhos, de uma cor tão incomum, se abriram mais.
— Três anos e nunca usou o forno?
— Passo apenas duas semanas por ano aqui e, quando venho, costumo pedir comida fora ou faço sanduíches.
— É uma casa de férias?
— Sim.
— Isto explica tudo. — Ela tirou uma bolota de massa da tigela com uma colher limpa e colocou-a no tabuleiro.
— Explica o quê?
Ela continuou a colocar pequenas colheradas de massa na assadeira.
— Por que a casa parece um hotel. É muito bonita, mas não há nada pessoal aqui. Mas, se não cozinha, como vai alimentar Graham se a mãe dei...
— Não disse que não sei cozinhar... apenas que não cozinho quando estou aqui. E Ash vai voltar para casa. Logo. Até então, contratarei alguém... alguém como você... para cuidar do filho dela.
Demi abriu a boca, como se fosse argumentar, e ele a cortou:
— O que está fazendo?
— Assando cookies. Desculpe por tê-lo perturbado, tentei não fazer barulho.
Assando cookies? As mulheres ainda faziam aquilo?
— De que tipo?
— De aveia. É o favorito de Cody.
Aquele era o cheiro familiar, mas havia décadas que não o sentia.
— Meu também. Mas podia ter pedido uma caixa da padaria sem precisar ter o trabalho.
— O trabalho me relaxa. E nada é tão bom como o que é feito em casa.
— Se você diz...
— Cookies comprados não enchem a casa com este cheiro maravilhoso.
— Com isto eu concordo.
O timer tocou. Ela abriu o forno, tirou um tabuleiro, e o ar se encheu com o doce cheiro de canela. Colocou os cookies quentes sobre a ilha central e levou outro tabuleiro com pequenos montes de massa no forno quente, e reajustou o timer.
Ele não se lembrava da última vez em que comera um cookie quente. Salivando, Joseph cruzou a cozinha e estendeu a mão para um dos doces levemente mar­rons e cheirosos.
— Ei! — Demi deu-lhe um tapa na mão e, embora o contato fosse breve, aqueceu lhe todo o braço.
Droga. Joseph decidira que não se sentiria atraído pela babá e era conhecido por sua vontade de ferro. Onde estava ela agora?
— Você vai se queimar. Estão quentes demais e macios demais para serem tirados agora sem quebrar. E ainda tenho que decorá-los.
— Você decora cookies de aveia?
— Minha mãe, minha irmã e eu sempre os decorávamos. Era uma das coisas que fazíamos enquanto con­versávamos sobre tudo e nada... uma experiência que nos ligava.
— Prefiro comê-los a tagarelar.
Ela o olhou com pena.
— É preciso passar algum tempo com as pessoas que são importantes. Meu pai nunca fez isto e, quando morreu no ano passado, não sofri. E você pode comer os cookies amanhã de manhã com os meninos.
— E se eu não quiser esperar até amanhã?
A expressão frustrada foi substituída por uma de re­signação.
— A casa é sua. Não posso impedi-lo. Mas também é sua perda. Jamais conseguirá recuperar o tempo que não passa conhecendo seu filho. Aqui. Veja se isto é suficiente. — Entregou-lhe a tigela vazia e uma colher coberta de massa.
— Espera que limpe? O que devo fazer com isto?
— Não me diga que nunca ajudou a assar cookies.
— Não desde que minha mã... — interrompeu-se. Não era da conta dela. — Não recentemente.
A compaixão suavizou o rosto de Demi e mostrou que ela adivinhara o que ele não dissera.
— Coma a raspa da massa enquanto bato a cobertura.
Ele olhou para a tigela suja de massa.
— Está vazia.
Demi olhou-o com total paciência, então passou um dedo lentamente pela borda... da maneira que ele imaginava que ela acariciaria um homem. Ergueu o dedo sujo de massa, levou-o à boca e chupou. A vi­são dos lábios dela fechados em torno do dedo fez o cérebro dele desligar. O pulso acelerar. A temperatu­ra subir.
— Humm. A melhor parte de fazer cookies é lamber o que sobrou na tigela.

Determinado a afastar a atenção da babá e de sua boca, ele puxou a tigela e, com uma colher, limpou um pouco da massa, então lambeu. O sabor familiar lhe atingiu a língua e derrubou as barricadas que impediam as lembranças de fazer cookies com a mãe e o irmão, de brigar com Kevin sobre quem comeria o último e, sim, implorando para lamber a tigela. Esquecera-se. Deliberadamente. Lembranças assim apenas causavam dor. Uma sensação de perda cresceu dentro dele e, no entan­to, contraditoriamente, uma sensação calorosa. Aquele havia sido um tempo maravilhoso.

DIVULGANDO:

Gente desculpa a demora sei que passei uma semana sem postar, mas também passei uma semana sem net e fiquei louca de raiva até que o tecnico veio e consertou agora de noite. Amanhã faço uma maratona para vocês.  

domingo, 12 de janeiro de 2014

CAPÍTULO 19 E 20

    — Seus capetinhas, já se divertiram muito. — Demi segurou os dois delinquentes nus e risonhos,         endirei­tou-se e recuou para a porta. — Vamos sair do seu cami­nho. Peço desculpas pela interrupção e espero que goste tanto de correr como nossos meninos gostaram de fugir do berçário.
Ele a observou enquanto andava pelo corredor, conversando naquela voz cantarolada que usava com os meninos. Joseph não era do tipo paternal e jamais tinha encontros com mulheres com filhos. Então como podia achar tão atraente uma mulher segurando dois bebês? Mas não havia como ignorar o motivo de sua pele formigar e o pulso disparar. Estava atraído pela babá. Por seu rosto sardento, as pernas longas, o cabelo brilhante e aquele corpo maravilhoso. O leve movimento dos quadris o hipnotizava.

Virou-se para evitar a visão. Tinha 30 anos, não 20, e sabia que aquela atração não o levaria a lugar ne­nhum. Um relacionamento com ela seria completamen­te errado, mesmo se não houvesse aquela demissão questionável no passado dela. Era empregada dele. Ti­nha um filho. E havia um “para sempre” escrito em Demetria Lovato. Não era uma mulher com quem homens tinham casos e depois se afastavam. Ele evitava aquele tipo. Não, uma mulher como Demi queria uma aliança e uma casa cheia de bebês. E ele não podia correr o risco. Nem mesmo depois da maneira como avaliara seu peito nu e fizera sua pele parecer apertada demais. Nem mesmo quando o toque dela o queimar, como uma tocha. Nem mesmo quando as pupilas dilatadas e o rosto rosado lhe mostraram que ela partilhava daque­la atração indesejada. Estava fora de limites.
CAPÍTULO 21
Com um suspiro exasperado, Demi soltou o livro que Jonas lhe emprestara. Lera a mesma página cinco vezes e não se lembrava de uma só palavra. Os meninos estavam dormindo, mas ela não conseguia. E também estava an­siosa demais para conseguir ler... o que era surpreenden­te, já que a leitura era sua forma predileta de relaxar.
Levantou-se e foi até a janela, mas a vista iluminada por uma fatia de lua crescente não conseguiu impedir que seus pensamentos vagassem. Sua ida inesperada ao quarto do patrão tinha sido, ao mesmo tempo, emocio­nante, dolorosa e estimulante. Não queria pensar na úl­tima, então se concentrou nas duas primeiras.
O rosto normalmente severo de Joseph mostrara uma gama completa de emoções desde que os três haviam invadido o quarto. Choque, perplexidade e medo, en­tremeados por meios sorrisos que lhe iluminavam o rosto, como raios de sol entre nuvens de tempestade. A surpresa e o alarme quando Graham se lançara sobre ele teriam sido engraçados se não ficasse evidente tam­bém que Joseph não sabia como fazer uma coisa tão simples como tomar o filho no colo. Aquilo tomara o incidente mais trágico do que divertido.
Mas fora sua total perplexidade ao tentar fazer Graham soltar-lhe os pelos do peito que lhe dera a esperança de ter sucesso em sua missão. Se Joseph fosse o cretino sem coração que tentara convencê-la de que era, não teria he­sitado em se libertar do impiedoso aperto dos dedos do filho, sem se importar se machucava Graham ou não. Mas as grandes mãos de Joseph foram cuidadosas e tími­das enquanto tentava abrir os dedinhos do filho. O olhar de apelo que lançara a Demi lhe apertara tanto o coração que ela esquecera a estratégia básica para afastar a aten­ção de uma criança. Distração e substituição.
Se tivesse se lembrado, talvez agora estivesse dormin­do, e não inquieta e tensa. Mas a emoção mais inquietante que vira no rosto de Joseph fora o medo, quando Graham deitara o rosto no peito do pai. O peito de Joseph.
Lembrava-se de como a pele dele era quente e macia sob seus dedos e de como seu cheiro era deliciosamen­te masculino. E de como se arrepiara quando ela o tocara sem querer. O calor lhe tomou o corpo.
Admitia que ver um homem grande e forte intimidado por um bebê de nove quilos era, ao mesmo tempo, comovente e excitante. Pressionou a mão sobre o cora­ção disparado e se afastou da janela.
Mas o que fazia um homem ter medo do próprio filho? Demi sabia que, se tivesse a resposta àquela pergunta, seria capaz de encontrar uma forma de eliminar a distância entre pai e filho. Não encontraria o que pro­curava olhando para as paredes. E ficar ali, lutando contra a insônia, também não levaria a nada. Pensava melhor quando estava ocupada. Decidiu usar o segun­do meio de aliviar o estresse: cozinhar. Vestiu uma cal­ça de moleton, pegou o monitor de bebê e foi para a cozinha. Uma grande quantidade de cookies de aveia seria o antídoto perfeito para sua agitação.

COMENTEM PARA QUE EU POSSA POSTAR OS PRÓXIMOS MAIS RÁPIDO.

CAPÍTULO 16, 17, 18


CAPÍTULO 16

A cena na tela mudou para outra história. Demi tentou se lembrar do que sabia. Lera notícias sobre o desapare­cimento de uma jornalista. Ashley Greene. Trabalhan­do no exterior. Sequestrada três semanas atrás. Jonas estava cuidando do filho por quase duas semanas.

— A Ashley na reportagem é Ash, a mãe de Graham?
Jonas virou um rosto impassível para ela.
— Sim.
— A mãe de Graham é Ashley Greene, da lendária família Greene de jornalistas?
— Sim.
— Ah, meu Deus. Cresci vendo o pai e o irmão dela em noticiários, e depois vi as reportagens de Ashley quando tínhamos televisão a cabo.
— Preciso lhe lembrar que você assinou um acordo de confidencialidade?
— Não. Jamais daria informações particulares, a me­nos que acreditasse que uma criança estava em perigo, assim a lei seria maior do que qualquer acordo. O jor­nalista disse que Ash foi sequestrada três semanas atrás, mas você está com Graham há menos de duas. Onde ele estava antes de você apanhá-lo?
— Ashley tinha uma babá, mas a mulher deixou Graham numa creche do governo quando Ash não vol­tou na data combinada. Disse que não perderia o cru­zeiro de casamento da irmã por causa do bebê de nin­guém.         — Havia total aversão em sua voz.
— E se... e se Ash não... estiver bem?
— Ela está. — Ele parecia seguro.
— Mas como sabe? Tem informações que a televisão não tem?
— Mandei uma equipe para investigar no local.
— E o que fará se Ash não for libertada? Se, como o jornalista disse, o pior acontecer e ela não voltar para casa? Quem cuidará de Graham? Você se tomará pai em tempo integral?
— Não chegará a isto.

Demi olhou do homem teimoso para o filho adorável. Graham merecia mais do que um pai a quem temia. Merecia ter confiança e receber cuidados e amor. E en­tão soube, sem nenhuma dúvida, que não podia deixar aquela casa, aquele emprego, sem fazer um esforço para ligar Graham e aquele pai frio e distante. Não con­seguira com o próprio pai ou com o de Cody. Mas, por Deus, faria o que fosse preciso para estabelecer um laço forte e inquebrantável entre Joseph Jonas e seu filho. Era o mínimo que poderia fazer pelo garotinho que talvez já tivesse perdido a mãe.

CAPÍTULO 17
Joseph fixou o olhar na babá diante de si. A camiseta molhada grudava nos seios, e ele tentou afastar os olhos dos mamilos visíveis, rosados e rijos, mas não conse­guiu. A visão era espetacular.
— Você está molhada. — O tom da voz não abalou Demi.
— Riscos do banho de bebês. Também não tive tem­po de pegar uma toalha para Cody antes de sair corren­do atrás do seu pequeno fugitivo.
Ela sorriu, e Joseph se perguntou se estava consciente do efeito que causava nele. Desligou a televisão com o controle remoto e tentou manter o foco. Precisava tomar decisões sérias que não incluíam hóspedes indesejáveis e barulhentos. Queria os intrusos fora do seu quarto.
— Tire os garotos daqui antes que um deles faça xixi no meu tapete.
— Não são filhotes de cachorro. Mas tem razão, ne­nhum deles sabe usar o banheiro, e acidentes acontecem. — Estendeu a mão para o filho dele. — Vamos, Graham.
O garotinho riu, correu para trás de Joseph e agar­rou seu jeans. Olhou para cima, com uma expressão alegre no rostinho. Os músculos de Joseph enrijece­ram. Não ousava se mexer, com medo de pisar nos pezinhos nus e fazer o garoto chorar. Os gritos de Graham, descobrira Joseph da maneira difícil no voo de Atlanta, podiam acordar os mortos. Nada do que Sarah fizera acalmara o garoto. Gritara até desmaiar, então recomeçara no pouso. Tinha sido o pior voo da vida de Joseph.
— Está se escondendo de mim? — A voz de Demi era suave.
O garoto riu ainda mais e pulou no mesmo lugar. E, sim, certo, era uma graça. Emoções conflitantes luta­ram na mente de Joseph. Queria fugir daquele trio infer­nal. Mas também queria rir das brincadeiras do garoto, e o sorriso venceu. Antigas lembranças surgiram... lembranças de brincar de esconde-esconde com Kevin, de correr pela casa até a mãe os expulsar para o quintal. E então o pesadelo de ver o corpinho de um bebê ser tirado da casa dos pais adotivos em um caixão.
— Vou pegar você — brincou Demi, interrompendo a lembrança amarga.
E, sorrindo de uma forma que lhe franzia o nariz, ela fingiu atacar pela esquerda, depois pela direita. Então mergulhou em direção ao garoto, o ombro batendo na nádega esquerda de Joseph e provocando nele um cho­que elétrico. A mudança abrupta de desolação para de­sejo o deixou sem chão.
Ela pegou o garoto e o ergueu.
— Peguei você, peguei você, peguei você — cantarolou enquanto girava e balançava os dois garotinhos mo­lhados e escorregadios.
As risadas dos meninos encheram o quarto. Joseph preferia agarrar serpentes venenosas.
Quando parou e olhou para Joseph através daqueles escuros e longos cílios, os olhos claros e divertidos pa­receram convidá-lo a participar da brincadeira. E, quando ele não riu, ela baixou os cílios e molhou o lá­bio. O olhar se fixou no peito dele. Ele enrijeceu e com­bateu as chamas que lhe percorriam a pele.
— Vá. — Mas a excitação teve a palavra final.

CAPÍTULO 18
O sangue pulsava em seu ouvido, alto e sonoro. Havia alguma coisa em Demi, alguma coisa terrena e atraente que precisava ignorar. Inesperadamente, ela fechou o espaço entre eles.
— Dê um beijo de despedida no papai, Graham.
Joseph se encolheu, apavorado. A reação, combinada com a súbita proximidade de Demi, diminuiu sua capa­cidade de pensar e evitar as mãozinhas que lhe agarra­ram os pelos do peito. A dor o atingiu, e sua reação instintiva de se afastar se mostrou a decisão errada. O menino continuou a apertar-lhe os pelos e a fazer baru­lhos estranhos, a boca aberta, babando. Joseph tentou se afastar e evitar o queixo molhado de Graham.
— Não sou o pai dele — corrigiu, quando a dor lhe permitiu falar.
— Até a mãe voltar, você é tudo o que ele tem. E parece que gosta disto.
Não era um pensamento reconfortante. Joseph tentou abrir as mãos do garoto, mas os dedos eram tão peque­nos que teve medo de quebrá-los. Frustrado, desistiu.
— Faça-o me largar.
A expressão divertida de Demi se transformou em determinação.
— Ele não tem um cheiro delicioso? Não há nada igual ao cheiro de um bebê depois do banho.
Ele não percebera até ela mencionar. Estivera mergulhado na proximidade de Demi, que segurava o tra­seiro do bebê, tão perto que ele conseguia ver cada um dos cílios, cada sarda, cada poro, cada linha dos lábios,
Esperando quebrar o feitiço que lhe jogara, lançou lhe o olhar mais gelado.
— Ele cheira bem agora, mas não quero receber aquela coisa fedorenta que ele produz. É letal. — Como sentira no espaço confinado do Lexus.
O riso de Demi o atravessou.
— Solte o papai, besourinho. Ele quer sair para correr.
O menino a ignorou, gorgolejou, pulou e dançou, cada movimento aumentando a dor. E então ele deitou a cabeça no ombro de Joseph e suspirou.
— Pa, pa, pa.
A lembrança de outro bebê, na mesma posição confiante, 22 anos antes, se ergueu, forte e clara. A pressão cresceu no peito de Joseph e o fez perder o fôlego.
— Pare de me chamar assim.
— Deve saber que uma criança precisa ter a sensação de pertencimento. Terá que segurá-lo se quiser que o solte.
Segurá-lo? Conseguira evitar aquilo até agora. Mas ela estava certa. Assim, Joseph reuniu toda a coragem para suportar a experiência e passou os braços, relutante, pelo traseiro nu do bebê. Graham se aconchegou ainda mais. Então Joseph sentiu seu peso. Era bem substancial para uma coisinha tão pequena. O fardo de ser responsável pelo menino até a volta de Ash dobrou o peso do garoto. E se ele se ferisse enquanto estava sob seus cuidados? E se Graham fosse dormir uma noi­te e não acordasse, como o bebê na casa de seus pais adotivos? Mas não aconteceria, contratara Demi para garantir que o filho de Ash ficasse a salvo.
— Depressa.
Demi colocou Cody no chão e logo o garotinho se afastou, atraído pelos sapatos de corrida de Joseph. A ponta da língua surgiu entre os dentes pequenos e brancos enquanto ela avaliava a situação. Aproximou-se mais, tão perto que seu cheiro de madressilva en­cheu os pulmões de Joseph. Escorregou um dedo rosado para dentro do punho fechado de Graham. A unha arranhou de leve a carne de Joseph. O toque macio fez a pele dele se arrepiar. Inalou com força quando uma fisgada quente... excitação, droga... provocou um tipo diferente de dor, enquanto ela mergulhava o dedo en­tre o aperto de Graham e a carne de Joseph.
Molequinho forte e determinado a se manter ali, pensou Joseph. Os grandes olhos castanhos do bebê se ergueram para o pai, como se esperasse... o quê? Não fazia a menor ideia. Detestava não saber, mas preferia se manter em total ignorância sobre bebês.
— Pare, ele está apenas puxando com mais força.
— Solte o papai, Graham. — A voz de Demi era cheia de carinho.
E então, quando aquilo falhou, ela olhou para Joseph e sorriu lentamente. Alguma coisa dentro dele se mexeu.
— Pode me dar um abraço, docinho?
O coração de Joseph disparou. Ela olhava para ele; estaria lhe pedindo um abraço? Então o filho de Kat se jogou para Demi tão de repente que Joseph quase o deixou cair. Tentou equilibrar o garoto, e suas mãos e seus braços e os de Demi se misturaram quando ela tentou pegar a criança. As pontas dos dedos e os braços roça­ram o peito de Joseph, adicionando combustível ao fogo que já lhe queimava a pele.
Demi baixou a cabeça e recuou. O rubor lhe tomou o rosto, e ela olhou para toda parte, menos para Joseph, en­quanto segurava o menino. Se estivesse tentando fazer avanços parecidos com aqueles dos quais fora acusada, praticamente tropeçaria nos próprios pés para se afastar dele? Então ela se virou e se abaixou para pegar o próprio filho, e a atenção de Joseph se voltou para a visão adorável do seu traseiro. Não era muito curvilínea, mas também não era magra demais. Tinha forma. Uma forma muito linda.

Voltei desculpem a demora, mas como foi a primeira semana de trabalho depois dos feriados tinha muita coisa pra fazer e organizar, mas tá aí 3 capítulos grandes pra vocês se tiver bastante comentários posso postar mais alguns a noite, e durante a semana também, se tiver comentários suficientes. que tal?
    

domingo, 5 de janeiro de 2014

CAPÍTULO 14 E 15

— Se você está feliz, então bata o tambor — cantou Demi para os meninos.
Cody e Graham bateram com a colher de pau, com força e entusiasmo e sem nenhum ritmo, no fundo das panelas que ela pegara na cozinha de Jonas. De re­pente, a porta do berçário se abriu, e o patrão entrou.
— Que, diabos, estão fazendo?
Os meninos pararam, e o lábio inferior de Graham tremeu. Correu para o colo de Demi e escondeu o rosto nos seios dela. Ela o abraçou. Estava com medo do pai?
— Hora de música. Estamos perturbando você?
— Sim. — Um músculo na mandíbula quadrada e dura de Jonas pulou, e as veias na testa estavam saltadas.
— Odie toca — balbuciou o filho, fazendo Demi sorrir apesar do ogro presente.
— Sim, Cody toca seu tambor — falou ela, clara e len­tamente, no esforço de ajudar a linguagem em desenvolvimento.
Cody bateu na panela, o que fez Graham sair do esconderijo. O filho de Jonas bateu palmas, e os dois riram. Eram tão adoráveis os dois juntos... Por um momento, Demi pensou ter visto a expressão do patrão suavizar com alguma coisa como... anseio? Em um gesto muito pouco característico, Cody estendeu a co­lher de pau para Jonas.
— Home toca.
Jonas o encarou, perplexo.
— Cody está perguntando se gostaria de tocar seu tambor.
As linhas em torno da boca do patrão se aprofundaram.
— Não. Não façam barulho. Estou tentando trabalhar.
Mais um eco do passado. Quantas vezes ela tentara chamar a atenção do pai quando criança?
— Vamos tentar.
— Não tente, faça.
Joseph se virou e saiu do quarto, o ar fugiu dos pul­mões de Demi, então se dirigiu aos meninos:
— Certo, garotos, hora do banho.
Os meninos gritaram de alegria, e Demi temeu que o patrão voltasse. Levou-os depressa para o banheiro, ajoelhou-se ao lado da enorme banheira, despiu os meninos e logo eles estavam brincando na água. Não era fácil lidar com dois corpinhos molhados e escorrega­dios em um ambiente perigoso, mas o divertimento deles fazia tudo valer a pena.
Ela riu da expressão cômica dos meninos quando lavou seus cabelos. Sempre quisera ter filhos, e mais de um. Mas não antes que Lucas encontrasse um emprego e eles tivessem algumas economias. Mas a vida tivera outros planos.
Não se arrependia de ter rejeitado a sugestão infa­me de Lucas de fazer um aborto. Pensara que o convenceria de que podiam viver bem, como uma família, que o salário dela sustentaria os três enquanto ele não vendia suas canções. Acreditara que ele aceitara sua decisão de ter Cody. Mas o tempo e seu desaparecimento provaram que estava errada, e seus pais, certos. Haviam avisado repetidamente que Lucas era irrespon­sável e vivia à custa dela, mas Demi acreditara que a pressionavam para que encontrasse um homem igual ao pai, como a irmã fizera, e ignorara seus avisos.
Enxaguou a cabeça de Cody e Graham, enxugou Graham primeiro, deixou-o sobre o tapete da banheira e lhe entregou um dos barcos de borracha de Cody para mantê-lo ocupado.
— Espere até eu enxugar Cody, docinho.
Virou-se para o filho, então ouviu a risada de Graham e percebeu que vinha de fora do banheiro. Virou-se a tempo de vê-lo passar pela porta do quarto e seu cora­ção disparou.
Agarrou Cody sem se preocupar em pegar uma toalha e correu atrás do outro bebê.
— Graham. Pare. Graham!

O pequeno fugitivo evitou o portão, que felizmente estava fechado, e desceu um corredor, virou-se e foi em direção a uma ala da casa que Demi ainda não conhecia. Ela segurou com força o corpinho escorregadio de Cody. Graham desapareceu através de um con­junto de portas duplas abertas, Demi bem atrás dele.
CAPÍTULO 15
Jonas, sem camisa, encarou espantado o filho, então ergueu o olhar desaprovador para Demi, que ficou imóvel. O peito dele parecia uma escultura, os múscu­los bem definidos cobertos por uma pele bronzeada e um leve tapete de pelos escuros sobre os peitorais. E, acima do cós do jeans, um abdome trabalhado, com tantos músculos harmoniosos e tensos. Além dos que lhe enodoavam os braços e os ombros.
O pulso de Demi disparou, e uma tensão inacreditável lhe apertou o ventre. O rosto e o corpo foram tomados pelo calor. Constrangimento, garantiu a si mesma, por ter invadido o quarto de dormir de Joseph. Mas sabia que não era. Podia fazer dois anos que não experimentava a sensação, mas reconheceu a fisgada poderosa do desejo. Por que agora? Por que por ele, um homem cuja atitude pelo filho a enfurecia?
— Que, diabos, está acontecendo? — O rosnado con­seguiu fazer Graham parar.
— Desculpe, Graham escapou depois do banho.
A visão periférica de Demi percebeu a cama king size, coberta com uma colcha preta. Um short e uma camiseta pretos estavam pendurados em um canto. O quarto era coberto por um grosso tapete branco, mobília preta lustrosa, uma linda lareira de pedra e uma enorme janela que se debruçava sobre o rio atrás da casa.
Era evidente que haviam flagrado Jonas trocando a roupa para correr e, se tivessem chegado um minuto mais tarde... Ela engoliu em seco e fechou os olhos. Ele poderia estar tão nu quanto os meninos. Abriu os olhos e voltou-os para Graham.
— Seu garotinho é um excelente corredor. Tal pai, tal filho, hein?
Jonas nem mesmo piscou.
— Venha, Graham.
O bebê, com os olhos arregalados, estava congelado, observando o homem grande que se avultava acima dele. O lábio inferior do bebê tremeu. A raiva cresceu dentro dela. Uma criança não devia ter medo do pai.
— Venha, Graham, vamos vestir uma roupa, querido — adulou, mas o bebê parecia preso ao assoalho, os olhos no pai.
— E agora uma atualização sobre o desaparecimento da correspondente internacional de notícias, Ashley  Greene — surgiu uma voz no aparelho de televisão pen­durado na parede.
A cabeça de Jonas se virou em movimento brus­co, o corpo tenso. Demi recuou.
— Vamos...
— Calada!
Demi parou exatamente como Graham.
— Ainda não descobrimos por que Greene foi sequestrada três semanas atrás, e nenhum dos grupos extremis­tas da região assumiu a responsabilidade. A área na qual ela desapareceu é conhecida pelas revoltas civis da últi­ma década. O irmão de Greene foi assassinado há dois anos a setenta quilômetros de onde ela estava, quando fazia uma cobertura para outra rede de televisão. Os re­beldes ainda não pediram resgate e, mesmo se pedirem e for pago, não há garantias de que Greene será libertada sem ferimentos. Quanto mais tempo ela ficar em cati­veiro, pior parece que será o resultado. No momento, estamos tentando descobrir se ela ainda está viva.
— Ela está, droga — rosnou Jonas.
Só então Demi percebeu o controle remoto da televi­são em sua mão apertada.
— Greene fez muitas reportagens de locais também perigosos, e esta não é a primeira vez que correu riscos. E uma das melhores jornalistas do ramo e disse muitas vezes que tem um sexto sentido para o perigo. Mas sua intuição falhou três semanas atrás. Se o pior acontecer, e rezamos para que não aconteça, Ashley deixará um filho ainda bebê.
A tela foi iluminada por uma foto de uma linda loira na casa dos 30 anos, com brilhantes olhos verdes e um bebê de cabelo escuro nos braços... um bebê muito parecido com Graham.
O repórter continuou:
— Novas informações serão divulgadas assim que os fatos surgirem. No momento, estamos rezando pela li­bertação segura de Ashley Greene.

tá aí amanhã volto para o trabalho :(, bom mas como prometido está aí o duplo e como sempre o sr. simpatia está agindo e esses bebês aiai.
Comentem!!!!  

CAPÍTULO 12 E 13

Quanto mais cedo escolhesse o candidato certo para a bolsa de estudos, mais depressa voltaria ao objetivo de dobrar o valor líquido da Jonas Ltd. antes do ani­versário de 50 anos da empresa no ano seguinte. E, para isto, precisava de dedicação total e nenhuma distração.
Mas, primeiro, a bolsa de estudos. Estendeu a mão para a cesta de correspondência cheia de pedidos que ainda não lera, pegou um e girou a cadeira. Havia três caixas ao lado. A de “não” era bem mais alta do que a de “talvez”, e a de “sim” estava vazia. Levaria apenas alguns momentos para verificar em que categoria a que lia entraria.
A cada ano, mais pessoas pareciam precisar de ajuda. Não podia atender todo o mundo, assim procurava um candidato com mais potencial e ambição. O que lutara com mais bravura contra os piores obstáculos para alcançar o máximo. Lera apenas o nome do candidato quando Sarah entrou.
— Ah... Minha primeira noite de sono ininterrupto em uma semana. Estou humana de novo e pronta para escrever as cartas de rejeição. Senti-me culpada por não ter ficado na noite passada para ajudar na transição, mas minha úlcera estava me matando e precisava de paz e tranquilidade.
— Sem problemas.
— Como Demi e os meninos passaram a noite?
— Não sei!
— Não perguntou durante o desjejum? — Pegou um grande número de aplicações da pilha dos rejeitados.
Ele fez um gesto em direção ao sanduíche.
— Estou comendo aqui.
Sarah franziu o cenho.
— Nunca falei mal do seu pai, mas...
— Não comece agora.
— ...não se podem arrastar crianças para perto ape­nas quando é conveniente.
— Assim diz sua grande experiência.
A expressão de Sarah mostrou sua dor. Joseph sentiu uma forte fisgada de remorso. Parecia que tirara a ma­nhã para ferir sentimentos.
— Desculpe, isto foi imperdoável.
— Mas verdadeiro. Meu marido e eu não tivemos filhos... o que lamento mais a cada dia. E, agora que estou perto de fazer 50 anos, invejo quem tem netos. Graham precisa de você, Joseph.
Ela já passara dos 50, mas ele não mencionou.
— Ele tem a mãe e uma babá que você escolheu.
— Não repita os erros do seu pai. Passe tempo com seu filho. Se deixar, Graham enriquecerá sua vida de uma forma que nem pode imaginar.
— Ele é filho de Ashley.
— Seu e de Ashley. Não importa que ela tenha engravidado sem você saber. Graham é sua carne e sangue, como provam a atual situação e a pensão exorbitante que paga para o sustento dele.
— Passarei tempo com ele quando tiver idade para fazer estágio na empresa. Como Hank fez comigo.
— Comecei a trabalhar para Hank quando a empresa ainda era muito pequena. Quando ele organizou a papelada para adotar você, esperei que uma criança suavi­zasse seu temperamento duro, mas ele nunca mudou, nem mesmo depois de você chegar. Trabalhava demais e nunca tirou férias. Tentei lhe dizer que crianças... especialmente um menino de 8 anos que havia perdido a família... precisava de amor e atenção. E o que o mal­dito idiota fez? Casou-se com uma mulher trinta anos mais jovem, embora soubesse que não amaria mais nin­guém além daquela idiota que o trocou pelo irmão enquanto Hank servia no Exército.
Joseph franziu a testa. Quando fizera 13 anos, voltara do internato para as férias de verão e fora apresentado à nova “mãe”. Tivera a esperança de se transformarem em uma verdadeira família e que pudesse ficar em casa e frequentar uma escola local, como um garoto comum, mas isto não acontecera. A mulher, de cujo nome nem se lembrava, estava interessada apenas em gastar o dinheiro de Hank, e no outono, Joseph voltara para o in­ternato. A nova “mãe” já havia desaparecido quando voltara para os feriados de Natal.
— Pelo menos, o acordo pré-nupcial impediu que ela o roubasse demais.
— Você está deliberadamente se afastando do ponto. Mais de uma vez, perguntei a Hank por que ter um filho se não queria passar tempo com ele.
— Ele precisava de um herdeiro para impedir que seu irmão preguiçoso e ladrão de namorada herdasse a em­presa. — Joseph quase podia ouvir a voz áspera de Hank mastigando as palavras.
— Este não é um bom motivo para se levar uma crian­ça para casa. — Sarah se sentou e empilhou os papéis. — Hank precisava de alguém que lhe aquecesse o coração gelado. E você vai se tomar um velho rabugento e frio como ele se não deixar alguém atravessar esta sua arma­dura. Compreendo que não confie em Ashley, ela o enganou. Mas, Joseph, não é culpa de Graham. E dar dinheiro não lhe encherá o coração como dar e receber amor. Não importa quantas bolsas de estudos conceda, não poderá trazer seu irmão de volta.
Maldição, ela sabia como atingi-lo direto na jugular. Mas Sarah não sabia sobre o bebê na casa adotiva de Joseph... o bebê que morrera. E Joseph tinha sido o úl­timo a vê-lo vivo. Afastou a lembrança.
— Posso impedir que mais uma criança do sistema enfrente o mesmo destino que Kevin. É por isto que estamos aqui estudando mais de mil pedidos... com um pra­zo cada vez mais curto antes do anúncio e do banquete.
— Kevin fez péssimas escolhas depois da morte de seus pais porque não teve uma ligação emocional com alguém que se importasse com ele e o guiasse. Pense bem antes de colocar seu filho na mesma posição.

Foi a vez dele se encolher. Sarah pedia demais. Dei­xar Graham, ou qualquer pessoa, entrar em sua vida significava tomá-lo vulnerável. Todos que amara morreram. Seus pais. Seu irmão. Hank.
Ashley voltaria e levaria Graham para Atlanta. Um dia ela encontraria alguém que lhe desse a aliança que queria. Quando tivesse alguma coisa a oferecer ao filho de Ashley, como um emprego na Jonas Ltda., ensinaria a Graham tudo sobre o negócio, se ele quisesse. Mas, até lá, não se interessaria por um hóspede temporário.
CAPÍTULO 13
Quatro dias no trabalho... e em dois deles Demi não vira o patrão. A boa notícia: ele não estava tentando conquistá-la. A má: ignorava o filho completamente.
A raiva pela negligência ao adorável bebê reavivou o ressentimento contra o pai do filho dela e seu próprio pai. Eram todos os homens idiotas egocêntricos que procriavam sem pensar na nova vida que jogavam no mundo? Jamais pensavam nas necessidades emocio­nais de uma criança antes de abrir o zíper da calça?
Pelo menos, Jonas não mimara o filho com bens materiais para compensar a negligência, como o pai dela fizera. Claro, cada pedido de Demi havia sido imediatamente atendido, como sua lista de alimentos, a instalação dos portões na escadaria, dos alarmes na piscina e na banheira de água quente. Mas Jonas não morreria se parasse no berçário e dedicasse alguns minutos do seu precioso tempo ao filho. Os melhores pre­sentes, como amor e atenção, eram gratuitos.
Verificou os bebês de novo, estavam dormindo. Pen­sou em suas opções. Podia ficar onde estava e atualizar seu currículo, mas já fizera aquilo. O sol estava brilhan­te, e ela adoraria se sentar no pátio com um livro. Mas, na pressa de fazer a mala, não pegara nenhum dos livros que comprara em um sebo. Talvez o patrão tivesse algu­ma coisa para ela ler. Só havia uma forma de descobrir.
O medo quase a impediu. Sabia que ele estava sozinho. E, embora não tivesse a menor vontade de enfren­tar o leão, era preferível a passar duas horas olhando para o teto. Colocou o monitor no cinto, desceu a esca­da, foi até o escritório e bateu.
— Entre.
Demi abriu a porta. Jonas estava sentado atrás da escrivaninha, com uma pilha de papéis diante dele. A camisa polo branca enfatizava o rosto bronzeado, os ombros largos e os músculos do peito. A testa franzida a intimidou, mas chegara até lá.
— Oi. Desculpe incomodá-lo, mas tem algum livro para me emprestar? Os meninos estão dormindo, e eu...
Ele apontou para uma estante atrás da escrivaninha menor, do outro lado do aposento.
— Não demore.
— Obrigada.
Ela entrou, e o cheiro dele, limpo e agradável, lhe encheu as narinas. Sentiu o olhar dele enquanto estudava os títulos, e todas as suas células formigaram. Os livros pareciam ser apenas sobre negócios, e Demi esta­va prestes a abandonar a busca quando encontrou um de suspense de um de seus autores prediletos. Pegou-o, ansiosa para ler, então parou.
— Já leu este?
— Não.
— Ah. — Começou a colocá-lo de volta na prateleira.
— Leve-o.
— Tem certeza?
— Não tenho tempo de ler.
— Está bem. Obrigada. — Estava com pressa de sair, mas tinha uma coisa a dizer, se encontrasse a coragem. Então se esforçou. — Estou gostando muito de cuidar de Graham. É um garotinho adorável. Você e a mãe dele devem ter muito orgulho...
— Falar comigo é a maneira errada de me convencer de que não convidou as atenções daquele pai em seu último emprego.
Ela enrijeceu a coluna, indignada.
— Queria apenas sugerir que passe um tempo com seu filho.
— É meu filho apenas biologicamente.
— Não compreendo.
— Não precisa, sra. Lovato. Se dá valor ao emprego, saia do meu escritório. Agora.
— Sim, senhor.
Demi virou-se e, na pressa de se afastar daquele ogro, seu cotovelo se prendeu em uma caixa de papéis, que virou e espalhou folhas sobre a escrivaninha e no chão. Ela se encolheu. Grande saída, Demi.
— Desculpe, vou apanhar tudo.
Ajoelhou-se e começou a pegar as folhas. Algumas estavam bem digitadas, outras eram escritas à mão. Mas foi a primeira linha em todas elas que lhe chamou a atenção. Kevin Rivers Memorial Scholarship.
Então Demi viu um par de mocassins diante de si. Mocassins ligados a longas pernas vestidas em jeans, um cinto de couro e uma camisa branca. Seu coração subiu à garganta. Jonas a surpreendeu ao se agachar e ajudar a apanhar os papéis. Seus dedos se encostaram, e o calor do toque dele a abalou até a alma.
Puxou a mão depressa. O que era aquilo? Não po­dia ser atração. De jeito nenhum. Não por um vicia­do em trabalho. Alarme? Sim, era tudo. Não queria ser acusada de novo de fazer convites ilícitos. Er­gueu o olhar para o dele. Apenas alguns centímetros os separavam.
— Qualquer um acreditaria que 15 anos de lições de balé me dariam um pouco mais de graça.
Ele praticamente arrancou os papéis da mão dela, le­vantou-se e se avultou sobre ela.
— Quinze anos e não seguiu uma carreira?
— Entusiasmo e determinação não puderam superar uma total falta de ritmo. Meu instrutor de dança me encorajou repetidamente a encontrar outro hobby, mas tive motivos para continuar com aquele.
Ele nem mesmo sorriu à avaliação autodepreciativa.
Ela se esticou para pegar uma folha sob a escrivaninha. E então a curiosidade levou a melhor enquanto se le­vantava e parava ao lado dele.
— Quem é Kevin Rivers?
A expressão dele se tomou mais severa.
— Meu irmão.
— Aqui diz “Memorial Scholarship”. Isto significa que ele está...
— Morto. — Não havia emoção na voz dele.
Demi se apiedou.
— Lamento sua perda. Por mais que minha irmã me ir­rite, odiaria perdê-la. E... tudo isto? — Mostrou as caixas.
— Não que seja da sua conta, mas todo ano a Jonas Ltda. dá uma bolsa de estudos universitários a um estudante do sistema de adoção do governo.
O sistema de adoção. E ele tinha sido adotado. Ele e o irmão teriam passado pelo sistema? Ela olhou as caixas e as pilhas.
— Você escolhe pessoalmente o vencedor?
— Sim.
— É nisto que está trabalhando?
— Entre outras coisas, tenho uma empresa para administrar. Os meninos não precisam de sua atenção, srta. Lovato?
— Estão dormindo, e os ouvirei quando acordarem. — Mostrou o monitor. — Mas vou deixá-lo voltar ao trabalho. Obrigada por me emprestar o livro. E, por favor, vá ao berçário quando puder, Graham gostará muito de receber a visita do pai.
A expressão de Joseph ficou ainda mais sombria. Ela fugiu, mas agora sabia que ele tinha, pelo menos, uma característica redentora sob aquela armadura. Era gene­roso com os outros, apenas não com o próprio filho. O que era imperdoável.


Oi desculpem pelo sumiço estava sem internet então não deu pra postar, mas aí tá um duplo pra vocês e mais tarde posto outro duplo pra vocês e a partir do próximo capítulo os meus personagens preferidos vão aparecer diretamente na história a dupla dinâmica Graham e Cody e vocês vão ver o quão fofos são, se estiverem com duvidas com relação a Ashley e Joe logo vocês vão entender ou não o que eu posso dizer é que o Joe nunca quis ter um filho e agora tem um.