domingo, 31 de março de 2013

AMOR SEM FIM CAPÍTULO 3

Joseph acordou suando e alterado por causa de um sonho erótico e vociferou palavrões. Demi, a ruiva graciosa e pequenina, havia estimulado sua libido ao extremo. Por que ela? Seria atração pelo fruto proibido? A ideia de fazer sexo no escritório? Jamais tentara, mas já havia imaginado algumas vezes. No entanto, poderia ter realizado tal fantasia há muito tempo, caso tivesse querido. Oportunidades não faltaram.

Entretanto, apesar do fato de um número considerável do quadro feminino da empresa já ter se insinuado sexualmente para ele, Joseph jamais correspondera. Na verdade, as investidas o exasperavam. Acima de tudo, era um homem de negócios sério. Acreditava que reforçar as regras que regiam o ambiente de trabalho era fundamental para manter a disciplina, a motivação e o bom desempenho de todos. Apesar da excitação que sentia, sabia que fazer sexo com a garçonete não lhe traria nada além de dor de cabeça.

Ao mesmo tempo, pensou, enquanto tomava seu café-da-manhã, não haveria razão para não seduzi-la se ela não estivesse mais trabalhando nas indústrias Jonas.

Em sua limusine, a caminho do trabalho, preso no trânsito londrino, ficou conjeturando e imaginando possibilidades. De repente, surpreendeu-se ao perceber que estava pensando em Demetria Lovato mais do que deveria. Nem mesmo entendia por que se lembrava do nome dela. Era estranho. Ele estava estranho.

Desde quando sexo era algo muito importante em sua vida? Todas as suas necessidades eram saciadas por beldades altamente sofisticadas, uma em Londres e outra na Grécia. Ambas sabiam de seus papéis e os representavam com muito estilo e discrição.

Marcou um encontro para depois do almoço com a amante inglesa. Obviamente, estava sexualmente frustrado, concluiu.

Ao meio-dia, Demi bocejava como se fosse madrugada. Fora encarregada de tirar cópia de muitos documentos e estava tão entediada que era capaz de tirar um cochilo ali mesmo, de pé, em frente à copiadora.

— A gente sempre fica com as funções que ninguém quer fazer — queixou-se Stacy, aborrecida.

— Não tenho competência para fazer nada muito melhor que isso — contestou Demi.

— Aposto que aquela tirana da Annabel passou a noite toda fazendo uma lista de coisas chatas para a gente fazer.

— Ela não é má pessoa. — Demi virou-se para a porta de entrada ao ouvir passos no corredor. Ia terminar de responder a Stacy, mas perdeu a voz ao ver o homem que vinha na direção da sala onde ela estava. Abaixando um pouco o celular que levava ao ouvido, Joseph Jonas olhou de relance para a entrada da sala e parou momentaneamente.

— Por acaso existe alguém de quem você não goste? — perguntou Stacy, de costas para a porta, em um tom irritado. — Não é normal ficar falando bem de todo mundo o tempo todo.

Demi teve vontade de rir do comentário da colega, mas não conseguiu emitir qualquer som, pois um par de olhos negros e flamejantes a estudava da porta. Não conseguia se mover, interromper aquela conexão visual. Uma sensação estranha de prazer a invadiu. O coração batia tão acelerado que ela podia ouvi-lo. Estava arrepiada.

E, de repente, ele voltou a andar e desapareceu pelo corredor, deixando-a trêmula, exaurida e totalmente abismada. Mas o que havia com ela? Ele apenas olhara em sua direção por alguns segundos e ela o encarara paralisada! Teria gostado de dizer a Joseph que nunca iria esquecer a felicidade que ele havia proporcionado à irmã. No entanto, na época, a gratidão da avó havia deixado o magnata desconfortável e Demi não queria repetir o mesmo erro. De qualquer forma, pensou desanimada, era improvável que ele se lembrasse da irmã, depois de tantos anos.

— Olá? — Stacy estalou os dedos na frente do rosto de Demi, tentando chamar a atenção da colega. — Alguém em casa?

No escritório, Joseph se esforçava para desempenhar a rara tarefa de questionar suas próprias ações. A face de traços belos e fortes estava tensa e demonstrava incompreensão. Visitara quase todas as dependências de seu edifício, indo a salas que nem sabia que existiam. E por quê?

Estava aborrecido com a suspeita de que aquela atitude fora motivada por um desejo inconsciente de ver Demi. Estava ainda mais irritado por concluir que, após um segundo exame minucioso, ela estava ainda mais bela e atraente do que da primeira vez que a vira. Vestida com uma blusa branca e uma saia preta justa que enfatizavam as curvas exuberantes, ela parecia arrebatadora.

Para curar aquele mal, decidiu ir imediatamente ao apartamento da amante. Foi quando Asheley ligou.

— Decidi que quero o tema Grécia Antiga para a festa de casamento — disse a noiva de modo entusiasmado. — Você disse que queria um casamento tradicional. O que pode ser mais tradicional que os deuses antigos?

— Eles eram pagãos — respondeu Joseph, secamente.

— E quem se importa? Nosso casamento será o evento do ano. Você pode encarnar Zeus, o rei dos deuses, e eu serei Afrodite, a deusa da beleza.

— De acordo com Homero, Zeus e Afrodite eram pai e filha.

Quinze minutos depois, Joseph estava na casa da amante. Sexo, estava convencido, iria ajudá-lo a recuperar o domínio sobre si mesmo e a racionalidade habitual. Durante as últimas 24 horas, tornava-se cada vez mais ciente que não estava sendo ele mesmo. Infelizmente, no instante em que pôs os olhos na bela e loura modelo, descobriu que já não a achava mais tão atraente.

De repente, e por um motivo que não conseguia compreender, ela o fizera deixar de desejar as outras mulheres. Pior ainda, pegou-se fazendo comparações entre ela e Demi Lovato. Para um homem que funcionava à base de lógica pura, tais raciocínios, tão perversos, eram intensamente perturbadores.

Confuso, informou que o envolvimento dos dois havia chegado ao fim. A loura recebeu a notícia com resignação, pois sabia que seria muito bem recompensada, com um acordo financeiro generoso.

Joseph voltou para a limusine sem ter conseguido liberar a tensão sexual.

Sentia-se impaciente. Tanto sua vida pessoal quanto a rotina de trabalho eram previsíveis e planejadas para atender a todas às suas expectativas. Ao escolher Ashley como noiva, sabia que ela seria perfeita, pois nunca iria exigir nada que ele não estivesse disposto a proporcionar. Sendo filho único, de pais egoístas e irresponsáveis, não assumia riscos na vida pessoal.

Satisfazia seu forte apetite sexual com um mínimo de comprometimento e emoção. Apesar das relações superficiais que mantinha com todas as mulheres, não era de seu feitio dormir com muitas.

Para resumir, desejar ardentemente uma funcionária temporária ruiva e sexy, definitivamente, não era seu estilo. Ela não fazia parte de seu meio social ou de sua realidade. Não era nem mesmo o seu tipo geralmente preferia louras de pernas esguias. Porém, a pele incrivelmente alva, os olhos verdes e a boca carnuda e rosada de Demi estavam gravados em seu cérebro, concluiu Joseph com uma frustração colérica.

Estava determinado a reprimir desejos tão insensatos. Seria um ato de imperdoável estupidez envolver-se com uma funcionária, mesmo que temporária. Porém, tinha de admitir que o fato de ela tê-lo olhado com tamanha reverência fora incrivelmente atraente...

Ao cair da tarde, Demi se deu conta que em menos de uma hora acabava seu turno e estaria fora do edifício Jonas. No dia seguinte, já estaria trabalhando em outro lugar.

Próximo da hora de ir embora, mandaram-na buscar uns documentos em outro andar. Quando terminou de entregar os papéis foi para a copa e fez o café da forma como lhe haviam explicado que Joseph Jonas gostara. Já não tinha certeza se ele estaria no escritório. Levando a xícara de café em uma das mãos trêmulas, bateu à porta da sala dele. Não houve resposta. Com medo que alguém a visse e a impedisse de vê-lo, girou a maçaneta. As palmas das mãos transpiravam.

— Posso ajudar? — Um homem mais alto que a porta apareceu do nada e se materializou atrás dela. Tinha um sotaque estrangeiro e o rosto moreno era frio. Ela o olhou, nervosa, perguntando-se quem seria.

— Trago um café para o sr.Jonas. Quem é o senhor?

— Nemos. Sou responsável pela segurança do sr. Jonas.

O homem olhou com atenção para o crachá de identificação na blusa de Demi e, então, a surpreendeu ao abrir a porta para que ela entrasse.

— Vá em frente, srta. Lovato.

O escritório da presidência das indústrias Jonas era vasto e decorado em um estilo contemporâneo de muito bom gosto. Porém, estava desanimadoramente vazio.

Perdida, Demi perambulou pelo ambiente até ouvir um barulho vindo de uma das portas abertas do outro lado da enorme sala.

A pulsação dela acelerou ao entrar pela porta que dava em um hall. Franziu a testa e olhou para a direita e para a esquerda.

— Quem está aí? — Uma voz familiar inquiriu com impaciência.

Tomada pela preocupação de que mais uma vez acabaria irritando Joseph, Demi virou-se para a esquerda e respondeu:

— Fiz café para o senhor, sr. Jonas...

Deu mais um passo, entrando em outro ambiente, e se deu conta que havia cometido um erro. Acabava de entrar em um closet repleto de espelhos e roupas.

Notou que havia um banheiro do lado direito do aposento, alguns segundos antes de Joseph Jonas surgir de lá de dentro com os cabelos molhados e a camisa branca desabotoada. O peito moreno e musculoso estava à mostra. Os pés descalços, por debaixo das calças imaculadas feitas sob medida que lhe cobriam as pernas.

— Ai, meu Deus! Sinto muito! — gaguejou Demi, extremamente envergonhada.

Surpreso em vê-la, visto que seus seguranças eram altamente eficientes ao garantir sua privacidade, Joseph a observou atentamente. Estava impressionado por ela ter conseguido passar pela segurança. No entanto, ao deixar que a beleza dela enchesse seus olhos e provocasse uma resposta sexual imediata, seus instintos primitivos assomaram. Concluiu que apenas o destino poderia ter criado aquela oportunidade tão fortuita. Afinal, ela havia entrado na sua suíte particular sem pedir licença ou ser convidada, e os dois estavam sozinhos, em um lugar onde ninguém se atreveria a importuná-lo.

— Achei que fosse mais uma sala de reuniões... não fazia ideia.

Constrangida demais para encará-lo, Demi estava prestes a se virar e sair do quarto rapidamente:

— Por favor, perdoe minha intromissão.

— Trouxe café? Para mim? — Joseph a recebeu com um sorriso delicioso. — Que gentileza a sua.

O impacto descomunal daquele sorriso lindo e sensual deixou Demi totalmente aturdida. Sentiu uma sensação incômoda e o ar faltou de repente. Não ia permitir que sua atenção se fixasse além da altura do queixo angular dele. Sabia que tinha algo a dizer, porém, subitamente, a memória havia se transformado em uma gigante e horrível lacuna.

— Sr. Jonas... com licença — conseguiu balbuciar, sem ar.

— Não.

Enquanto a estudava, Joseph descobria que os olhos dela, verde-esmeralda, tinham um fulgor de tirar o fôlego. Achou exótico e singular o contraste entre a pele muito branca e seu cabelo cor de cobre. Toda vez que a analisava, encontrava algo de novo para apreciar.

— Como?

Ela não conseguia deixar de fitá-lo, estudando cada detalhe com um interesse que não conseguia disfarçar. O rosto moreno de pele macia acentuava o brilho dos olhos de cor aperolada e escura, o nariz altivo e a boca carnuda criavam um conjunto másculo e irresistivelmente belo.

sexta-feira, 29 de março de 2013

AMOR SEM FIM CAPITULO 2

— E você é...? — ele perguntou secamente.

—Demi... Demetria Lovato.

Demi avistou Annabel e viu a superior balançar a cabeça, indicando claramente que deveria sair dali o mais rápido possível. Voltou para o carrinho e foi em direção à saída.

Sentia tanto calor, frustração e raiva que teve de lavar o rosto com água fria para se acalmar. Quando finalmente tinha a oportunidade de se encontrar pessoalmente com Joseph Jonas, havia conseguido causar a pior impressão possível de si mesma. Estremeceu com a suspeita de que ele tivesse visto as lágrimas involuntárias de desgosto em seus olhos ao perceber a extensão do estrago que causara. Como pôde ser tão pouco profissional?

O que a incomodou ainda mais foi o tipo de comportamento que teve na frente dele. Eram irritantes a ingenuidade e a inexperiência que demonstrava quando o assunto era homem. Na verdade, tivera poucas oportunidades de adquirir vivência na área amorosa, pois havia passado toda a adolescência e o início da juventude presa às responsabilidades da casa. Era impossível ter vida social, nunca podia sair. Em alguns aspectos, era mais madura que as meninas da sua idade, pois convivera muito com os avós. Quando se mudou para Londres, para procurar emprego, depois que a avó faleceu, descobriu que não estava em sintonia com a maioria das pessoas da sua geração. Sexo casual e bebedeira iam contra os princípios que havia aprendido a respeitar.

Porém, Demi era honesta o suficiente para admitir que, no momento em que entrou naquela sala de conferência e viu Joseph Jonas, descobriu que nunca havia se sentido tão genuinamente atraída por um homem. Naquele instante, seu cérebro parecia derreter, e o corpo, um ente independente e estranho que respondia a impulsos que desconhecia que possuía. A força daquele instinto físico a tinha pego de surpresa, e mesmo depois, ao relembrar os acontecimentos, ficava chocada. A consciência perturbadora de algumas partes íntimas do corpo não a deixava em paz, percebendo que tinha estímulos sexuais que havia ignorado, até então, por precaução ou medo. Será que ele desconfiara dos motivos por que ela havia ficado tão alterada ao lado dele? A suspeita a fez encolher-se de apreensão. Mesmo que ele estivesse acostumado a chamar a atenção feminina, era compreensível que esperasse um comportamento mais prudente e reservado por parte de uma de suas empregadas.

— Senhorita Lovato? — Annabel Holmes murmurou da porta. — Posso conversar com você?

Demi empalideceu, afastou-se obedientemente do carrinho que estava limpando e encarou a gerente.

— Tem certeza de que está bem? Foi uma queda e tanto — disse Holmes de um jeito um tanto ríspido.

— Estou ótima, apenas a dignidade está um pouco arranhada — respondeu Demi sem graça. — Vocês conseguiram terminar a apresentação?

— Infelizmente, não. O sr. Jonas tinha outra reunião. Ele nunca fica aqui muito tempo, e quando permanece, a agenda está sempre lotada. Falhas são um inconveniente que ele não esquece — comentou Annabel desolada. — A culpa foi minha por ter lhe pedido para servir as bebidas.

— Não! Fui eu que fiz tudo errado! — protestou Demi.

— Infelizmente, o sr. Jonas tem baixa tolerância para falhas. Tenho certeza de que serei sempre lembrada por essa tarde desastrosa.

A culpa tomou conta de Demi com mais intensidade ainda.

— Não creio, tenho certeza que ele é um homem sensato.

Uma risadinha maldosa se estampou nos lábios de Annabel.

— Você ainda está sob o efeito Jonas, não está? O coração bate mais forte nas primeiras vezes. Mas já passei dessa fase. Agora o meu coração apenas entra em pânico sempre que ele está por perto — confidenciou, um tanto desanimada. — Ele é um homem lindo, mas por trás daquela beleza há um homem frio e exigente, e se você não se moldar às demandas dele, é dispensada imediatamente.

A primeira reação foi querer argumentar contra aquela conclusão tão severa a respeito de Joseph Jonas, mas Demi se conteve. Voltou a se desculpar, pois notou que Annabel estava realmente preocupada com o futuro de seu emprego.

Annabel deu de ombros e disse que ela não se preocupasse.

— Essa é a vantagem de ser uma funcionária temporária — acrescentou a chefe. — Amanhã você sai daqui e começa do zero em outro lugar, no dia seguinte.

Com o coração acelerado, Demi limpou a mesa da sala de conferência já vazia. Certamente, Annabel Holmes estava equivocada em relação a Joseph Jonas, e exagerando por causa da gafe infeliz. Mas alguns magnatas muito famosos tinham a reputação de ser verdadeiros tiranos e exploradores no ambiente de trabalho, pensou Demi, aborrecida. E o que ela sabia sobre Joseph Jonas como patrão? Será que o emprego de Annabel estava ameaçado por causa da falta de jeito dela? Se fosse o caso, não seria sua obrigação defender Annabel e assumir toda a culpa pelo incidente ocorrido?

No dia seguinte, faria de tudo para falar com ele. Talvez, quando ele chegasse de manhã ou mais tarde, conseguiria encontrá-lo sozinho por um momento. Poderia muito bem fazer um café como desculpa para interrompê-lo. Alguns minutos seriam suficientes. Era um alívio saber que algumas palavras, se escolhidas estrategicamente, eram capazes de reverter um episódio constrangedor.



 




 

quinta-feira, 28 de março de 2013

AMOR SEM FIM CAPÍTULO 1

MUITO bem-humorada e pronta para seu segundo dia como funcionária temporária nas indústrias Jonas, Demi estava entusiasmada. No banheiro, em casa, subiu na balança e olhou esperançosa para o ponteiro. Fechou os olhos e fez uma careta. Não tinha sido uma boa idéia. Desceu da balança. Tirou a camisola e o relógio e voltou a subir, bem de leve. Para sua decepção, o peso continuava o mesmo.
— Não pode se manter apenas com uma saladinha. — A sra. Evans, que morava no primeiro andar, tinha dito a Demi, durante um delicioso almoço completíssimo de domingo, poucos dias antes, com direito a entrada, prato principal e sobremesa.
Pelo visto, a saladinha teria sido muito mais segura. Ou, possivelmente, a barra de chocolate que havia comido na noite anterior, ao passar pelo supermercado, tinha sido um pecadilho com pesadas consequências. A verdade era que as longas horas de trabalho para pagar o aluguel aumentavam terrivelmente seu apetite, de modo avassalador. Ainda assim, não ganhava o suficiente para se alimentar bem. No reflexo do espelho, os olhos verdes passearam, desanimados, por toda a extensão do corpo, pelo reflexo dos seios fartos e das cadeiras volumosas.
Apertando os lábios carnudos, agarrou a cabeleira vermelha com dedos impacientes, prendeu-a com uma presilha e se vestiu rapidamente. O jeans escuro e a blusa branca estavam marcando as opulentas curvas mais do que deveriam, e ela franziu a testa. Um incêndio no endereço antigo onde morava havia queimado quase todos os pertences de Demi. E ela estava tentando renovar o guarda-roupa, fazendo compras em brechós e lojas de roupas usadas, mas não era fácil com o baixo salário que recebia. Ao se virar de costas para o espelho, a atenção se voltou para a foto, na cabeceira da cama, da irmã falecida. Repreendeu-se por se preocupar tanto com a aparência quando tinha a sorte de ter saúde.
— Veja o lado bom. — Este fora o refrão mais repetido pela avó na infância de Demi.
— Depois da tempestade sempre vem a calmaria — o avô costumava comentar com determinação.
Ainda assim, Demi e os avós conheciam muito sobre a dor e o sofrimento. Sunny, a irmã gêmea que Demi tanto amava, havia sido diagnosticada com leucemia logo após o aniversário de 8 anos. O estresse de ter que enfrentar a doença de Sunny acabou destruindo o casamento dos pais. Os avós paternos haviam tomado a responsabilidade para si, cuidando de Sunny durante o extenuante tratamento da menina, o período de melhora e, finalmente, os últimos dias de vida. A forte determinação de Sunny em aproveitar cada minuto que lhe restava ensinara a Demi sobre a importância de vestir roupas alegres e de se cuidar.
Enquanto esperava pelo ônibus, no ponto, Demi lutava para aplacar uma excitação juvenil e se perguntava se aquele seria o dia que conseguiria avistar o lendário Joseph Jonas novamente. Tinha que admitir que quando pensava nele sentia-se como uma adolescente e não como uma adulta de 23 anos! Era constrangedor recordar que certa vez recortara uma foto no jornal do estonteante e lindo armador grego e a guardado com devoção. No entanto, na época, era apenas uma menina e havia alimentado uma paixão platônica por ele.
As indústrias Jonas ficavam em uma torre de escritórios que ocupava um quarteirão inteiro, na cidade de Londres. Demi nunca havia trabalhado em um lugar tão imponente, cujas normas internas para os funcionários eram bem rígidas. Mesmo sendo apenas uma contratada temporária, e geralmente encarregada de tarefas triviais, a falta de experiência causou olhares de reprovação no primeiro dia de trabalho.
Como sempre, tentava compensar a inexperiência com muito entusiasmo e dedicação. Faria de tudo para conseguir um trabalho permanente naquela companhia, porque um salário maior faria enorme diferença em sua vida.
— Mais quinhentos cargos, aproximadamente, estão sendo transferidos para a Europa Oriental, para conter custos. — Uma voz feminina lamentou do lado de fora da sala onde Demi estava encarregada de instalar os dados do sistema da empresa em um dos computadores.
— A imprensa vai fazer alarde quando souber.
— As indústrias Jonas estão entre as três companhias mais bem-sucedidas do mundo — uma voz masculina retrucou. — Joseph Jonas pode ser um escroque impiedoso, mas é invencível nos negócios. Não se esqueça que graças ao tino que tem para os negócios, a gratificação que vamos ganhar este ano deve ser ainda maior.
— Você pensa em outra coisa sem ser dinheiro? Jonas é um milionário com tantos sentimentos quanto um bloco de granito.
Demi ficou tentada a se meter na conversa e protestar contra aquela acusação. Mas não estava em condições de fazer nada, visto que ouvira conversa alheia. Além disso, apesar da admiração que sentia por Joseph Jonas , não tinha o direito de falar sobre assuntos privados do próprio chefe. Deu um suspiro e voltou a atenção para o computador.
Depois do almoço, ela e uma colega de trabalho, Stacy, foram mandadas para o primeiro andar. A gerente, uma loura chamada Annabel, disse a Stacy que ela teria que servir bebidas em uma reunião na parte da tarde.
— Estou cobrindo férias, não sou garçonete! — Stacy declarou, contrariada.
— Como funcionária temporária você tem que fazer o que pedem — Annabel retrucou rispidamente. — As indústrias Jonas exigem um alto nível de flexibilidade de seus funcionários.
— Não sou funcionária. Não estou aqui para servir chá.
— Não tem problema. — Demi se intrometeu para acabar com a discussão, antes que ela e Stacy acabassem sendo despedidas. — Eu posso servir.
Ao ouvir a oferta, Annabel suavizou apenas sutilmente a expressão fria e indiferente, voltando os olhos para a calça jeans de Demi.
— O código da empresa não permite jeans, mas suponho que terei de abrir uma exceção, pois se trata de uma emergência.
— Se fosse você, tinha dado um fora nessa mulher por ter chamado a atenção para sua roupa — disse Stacy, logo que as duas ficaram sozinhas. — Está fazendo um favor a ela.
Demi fez uma careta.
— Ela só está cumprindo ordens. Mas minha saia está lavando e só tinha esta calça para vestir.
— Aposto que ela está é com inveja — debochou Stacy. — Os homens que estavam saindo do elevador não conseguiram tirar os olhos de você e ela não gostou nada disso.
Demi ficou ruborizada.
— Acho que ela está apenas nervosa por causa da reunião.
— Você tinha que tirar proveito do que tem — disse Stacy. — Com seu rostinho e esse corpo, tentaria a carreira de modelo ou algo parecido. Ia ganhar muito dinheiro.
Demi não disse nada, mas não gostava da idéia. Às vezes, achava que tinha nascido com o corpo errado, pois se sentia muito incomodada com os olhares masculinos e a atenção que causava seu corpo cheio de curvas.
Tão logo apanhou uma bandeja com chá e xícaras, Annabel abriu a porta e informou sobre as novas instruções:
— O sr. Jonas estará na reunião. Quando entrar na sala de conferência, sirva as bebidas em silêncio e o mais rápido que puder.
Joseph passou rapidamente à frente do resto da equipe e avistou a ruiva segundos antes que a porta da cozinha se fechasse. O breve instante foi suficiente para que a imagem relâmpago daquela mulher ficasse impressa em sua memória: cabelos brilhantes que reluziam como cobre e ouro em contraste com a pele alva caíam até a cintura delicada e estreita; os seios eram voluptuosos e sensuais.
Uma onda forte de testosterona inundou o corpo de Joseph. Sempre conseguia controlar seus impulsos sexuais e por essa razão ficou impressionado com sua repentina excitação. Concluiu que só podia ser a constatação de uma verdade primitiva: gostava de mulheres mais cheinhas do que das modelos que geralmente cruzavam seu caminho. Mesmo assim, aquela sensação impulsiva o irritou e ele se forçou a esquecê-la.
Com os nervos à flor da pele, por causa da possibilidade de rever Joseph Jonas, Demi acabou derramando o dobro de pó de café no bule que preparava. Muito forte e muito doce: era assim que ele gostava. Por um momento as lembranças a invadiram e ela sorriu. Espantou as lágrimas escondidas no canto dos olhos.
A conversa parecia animada na sala de conferência, quando Demi entrou com o carrinho de chá e fechou a porta delicadamente. Só depois direcionou o olhar para o homem ao lado da janela. Havia se prometido que olharia rapidamente, mas não conseguiu. Estava hipnotizada. Ele estava completamente impecável que, sem dúvida, revelava ter sido feito sob medida.
Estava ainda mais deslumbrante do que da primeira que o viu, concluiu Demi, um pouco tonta. Nove anos haviam apagado todos os traços de menino do rosto magro e o corpo forte ganhara ainda músculos. Mas ele mantinha o queixo estendido de orgulho, a cabeça erguida imperiosamente, a cabeleira preta e o olhar inesquecível e penetrante, por teixo de espessas sobrancelhas. Tinha olhos incríveis; dependendo da luz ou quando ria, ficavam acobreados e brilhantes.
— Por que não está servindo? — alguém sussurrou ao seu ouvido.
Demi levou um susto e acordou do transe como se tivesse levado um tapa. Quando apanhou a primeira xícara com o pires, Joseph Jonas a avistou e ela voltou a ficar imobilizada. O estômago contraiu-se e o coração disparou, dificultando a respiração. Por um segundo, o mundo ao redor desapareceu. Demi só conseguia perceber a sensação estranha que pesava em seu peito, a boca seca, e algo quase doloroso que formigava pouco abaixo da pélvis. Abaixou os olhos, tentando conter a confusão que a assomava. Ficou impressionada pelo fato de que era necessário um esforço físico para conseguir se concentrar em sua tarefa.
Café: forte, preto, doce, lembrou a si mesma, enquanto se perguntava onde estava com a cabeça. Ao imaginar qual seria a resposta, sentiu as bochechas corarem na mesma hora, de vergonha. Em poucos segundos todo o rosto estava vermelho. Minha nossa!
Nunca mais ousaria olhar para ele novamente! Buscou acalmar-se e respirou fundo enquanto enchia a xícara de café para ele. Involuntariamente, acabou acrescentando quatro colheres cheias de açúcar, mexeu e forçou o passo na direção dele.
Joseph havia estado meio entediado até então. Se não a tivesse visto novamente, tinha certeza de que não pensaria mais nela. Porém, a presença daquela ruiva a poucos metros de distância descartava tal possibilidade. Em um movimento elegante, sentou-se à mesa. Seria uma garçonete terceirizada? Ou fazia parte da equipe da copa?
Ao olhar para ela, rapidamente, perdeu o interesse por pequenos detalhes de sua identidade. Preferiu se deter nos detalhes de sua figura. Era mignon, tinha um rosto lindo, com lábios carnudos e naturalmente rosados, que combinavam simetricamente com as abundantes curvas do corpo. Os olhos verdes lhe lembravam um pedaço de vidro da mesma cor que havia encontrado na praia quando era criança.
A boca bem desenhada de Joseph se contorceu ao lembrar da reação de desprezo da mãe ao receber um presente tão bobo. No entanto, ao ler a expressão calma da pequena e sensual ruiva, a lembrança desagradável de sua infância perturbadora desapareceu.
Quando Demi serviu o café para Joseph, a mão tremia tanto que ele teve que apanhar a xícara e envolver o pulso dela para evitar um acidente.
— Cuidado — Joseph a advertiu.
Foram necessários apenas alguns segundos para que o perfume floral estonteante da pele alva dela lhe invadisse o olfato. Rapidamente ele ficou excitado.
Durante um breve olhar que ela lhe deu, pôde perceber quão vulnerável ela estava. Ela se encontrava tão próxima que ele mal conseguia respirar, e aquela constatação era incrivelmente excitante. Imaginou agarrando-a, sentando-a em seu colo, abrindo sua blusa até que os seios estivessem à mostra e usando a boca e as mãos para brincar com as curvas abundantes que marcavam o tecido da roupa.
Ficou surpreendido com o poder erótico daquela visualização e afastou a fantasia com desdém. Desde quando se interessava por garçonetes? Tomou um gole do café fortíssimo, mas a tensão que lhe invadia o corpo exaltado recusava-se a desaparecer.
Com calor por todo o corpo e tremendo, Demi deu a volta. Sentia-se uma tola! O que ele devia estar pensando dela, por ter ficado encarando-o daquele jeito? Obviamente, havia notado que ela o olhava boquiaberta. Como não poderia ter notado? Olhou ao redor e percebeu que ninguém havia observado o deslize e a intervenção dele, ou o olhar de reprovação. Aliviada, mas ao mesmo tempo chateada pela cena deplorável que fizera, recompôs-se e começou a servir as demais pessoas sentadas à mesa.
— Este café está intragável — reclamou um dos presentes, fazendo uma careta.
Demi ficou consternada com o comentário.
— Ao contrário, é o primeiro café decente que tomo nesta empresa — respondeu Joseph com um tom impaciente. — Vamos continuar com a apresentação.
Vexada e frustrada pelas críticas, Demi não per deu tempo em responder ao sinal de Annabel Holmesv para que se apressasse e servisse logo a todos. No afã de cumprir tal missão e escapar rapidamente da sala de conferência, Demi tropeçou em um dos fios espalhados no chão. Perdeu o equilíbrio e caiu, de frente, sobre o carpete. O computador cujo fio enroscou-se no pé de Demi tombou logo em seguida. Por alguns segundos, o silêncio reinou no recinto. Joseph observou a ruiva de bruços com uma incredulidade sardônica. Ela parecia uma obra de arte sem igual, mas, sendo humana, tinha um defeito fatal: ao se mover era um acidente em potencial.
— Por que não olha por onde anda? — um dos executivos a repreendeu em tom de desespero.
— Sinto muito — disse Demi, sem graça, olhando consternada para o computador.
— O memory stick partiu ao meio — o homem resmungou. — Terei que tirar outra cópia da apresentação e mandar por e-mail para o senhor.
Pura impaciência estampou-se na face de Joseph, pois estava com prazos muito apertados. Não satisfeita em quase ter derramado café em cima dele, Demi havia conseguido, sozinha, arruinar a reunião.
— Como pode ser tão incrivelmente desastrada? — ele murmurou friamente.
Horrorizada com o estrago que havia causado e desolada pela reprimenda, Demi se levantou rapidamente e disse, em voz baixa:
— Sinto muito, senhor. Não vi o fio.
Naquele momento Joseph se perguntou o que havia naqueles traços delicados e na palidez daquela pele de tão familiar. Os olhos agora estavam levemente lacrimejantes, deixando o verde da íris ainda mais brilhante. Havia um crachá de identificação na blusa, mas Joseph não conseguia ler o que estava escrito. Ele a estudou sob a proteção dos densos cílios. Os olhos brilhavam com intensidade. Os lábios carnudos e vermelhos eram tentadores.

PRÓLOGO

 



RODEADO por convidados célebres e aduladores, em sua festa de noivado, Joseph Jonas sentia-se aprisionado como um leão em um picadeiro circense. A bisavó acenou para que ele se aproximasse. A senhora era conhecida por sua franqueza e Joseph suspeitava que ela estava ansiosa para dar sua opinião sobre a noiva. Era um dos homens mais ricos do mundo, mas havia aprendido a dar valor à riqueza de uma pessoa genuinamente honesta.

Pequenina, Adelaide Jonas lançou os olhos negros e perspicazes sobre o belo bisneto, quando ele sentou ao seu lado.

— Asheley é uma jovem muito bonita. Todos os homens presentes estão morrendo de inveja.

Joseph ergueu o rosto arrogante e naturalmente bronzeado ao ouvir o óbvio e esperou pelo comentário mordaz que viria em seguida.

— Mas que tipo de mãe ela será para os seus filhos? — perguntou Adelaide.

Joseph estremeceu por dentro, pois nem ele nem Asheley estavam preparados para um passo tão grande assim. Na verdade, ele nunca havia pensado na noiva como uma mulher com instintos maternais.

Talvez tivessem filhos em alguns anos. Porém, se isso não acontecesse, Joseph não hesitaria em arranjar um sucessor apropriado para herdar seu poder e fortuna entre sua extensa lista de familiares. Quando o assunto era filhos, ele não tinha nem um pouco de sentimentalismo.

— Você acha que isso não tem importância, que sou ultrapassada, fora de moda — a velhinha comentou, com um toque de irritação. — Mas a verdade é que Asheley é fútil e egoísta.

Ele endureceu sua feição, teimosamente. Uma crítica tão dura sobre sua futura esposa não era bem-vinda. Sabia que a noiva adorava ser o centro das atenções e que não conseguia passar por um espelho ou câmera sem fazer uma pose. Abençoada com lindos olhos azul-turquesa, Asheley tinha uma beleza singular e passou a chamar a atenção da mídia desde a adolescência. Herdeira do império eletrônico Greene, filha única de pais muito cuidadosos, Asheley era muito mimada. Era óbvio que a bisavó nunca a entenderia.

Não poderia haver duas mulheres com tão pouco em comum. Filha de um pescador, Adelaide cresceu em meio à pobreza e se aferrava aos valores simples da vida. A recusa em aceitar os padrões esnobes de seus descendentes e a língua afiada faziam dela um estorvo e um constrangimento para a família. No entanto, Adelaide e Joseph tinham um forte laço afetivo, formado, inesperadamente, durante a adolescência rebelde e conturbada de Joseph, que quase chegou à autodestruição.

— Você não diz nada, mas se perdesse todo o seu dinheiro e suas mansões, carros e aviões, amanhã, acha que Asheley continuaria ao seu lado? — perguntou a bisavó, bruscamente. — Pois eu acho que ela desapareceria em um passe de mágica!

Ao se levantar e sair de perto da avó, Joseph quase soltou uma gargalhada, pois pensou que em uma situação dessas Asheley seria nada mais que um estorvo, um poço de autopiedade e recriminação. Sem dúvida, ela era o produto de um ambiente luxuoso e rarefeito. Será que a avó realmente acreditava que existiria uma mulher indiferente e incorruptível frente à fabulosa fortuna dos Jonas?

Acenou para o chefe da segurança, Nemos, pedindo que garantisse sua privacidade, e foi até o terraço. Desfrutou do ar fresco enquanto refletia sobre a nuvem negra que havia alterado seu humor. Afinal, não tinha dúvidas sobre seu casamento com Asheley Greene. Por que deveria? Todos a consideravam o par perfeito para ele. Ela possuía berço e era excelente anfitriã.

Ambos pertenciam ao mesmo mundo privilegiado e exclusivo, e ela conhecia as regras do jogo. Não importava o que acontecesse, não haveria divórcio. Assim, o império Jonas estaria protegido para a próxima geração.

No entanto, Joseph não esquecia que aos 19 anos, para revolta das famílias, havia namorado e terminado com Asheley Greene. A mulher mais linda do mundo parecia ter muito pouco a oferecer. Além disso, era fria como uma geladeira na cama e fora dela.

— Por favor, não estrague meu penteado... — Era sua fala favorita.

— Estou precisando desesperadamente do meu sono de beleza...

— Odeio transpirar...

Asheley nunca seria uma amante entusiasmada e ardente na cama, pensou Joseph, resignadamente. A falta de paixão da namorada havia sido o principal motivo do término quando ele era apenas um adolescente idealista, instigado pela bisavó a acreditar que a mulher perfeita estava esperando por ele em algum lugar. Bem, ninguém poderia culpá-lo por não ter procurado. Na verdade, Joseph havia passado mais de uma década se relacionando com inúmeras mulheres, incessantemente, até chegar a uma conclusão cínica e vergonhosamente egoísta: a mulher perfeita para ele não existia. Além disso, agora via os defeitos de Asheley como positivos, pois assegurariam que o casamento provocaria o mínimo impacto possível ao seu estilo de vida.

Estava acostumado a fazer exatamente o que queria e quando queria.

O casamento com Asheley não mudaria essa realidade ela não criaria falsas expectativas em relação a ele nem faria escândalos ou cenas de ciúme. Sabia que não poderia exigir atenção, amor ou fidelidade por parte de Joseph. Não poderia haver melhor esposa para um homem como ele, viciado em trabalho, que vivia sobre pressão e que gostava de manter aberto seu leque de opções amorosas. Asheley estaria ocupada demais cuidando da aparência e do guarda-roupa para se sentir negligenciada pelo esposo bilionário.

Assim que voltou para a festa, Asheley foi rapidamente até ele para implorar por mais uma sessão de fotos. Nem uma gota de impaciência se estampou em seu rosto fino e aristocrático. Apesar de detestar publicidade, estava disposto a deixar que dessa vez ela organizasse a festa de noivado ao seu modo. Aliviada por ele não ter feito nenhuma objeção, Asheley o tomou pelo braço e começou a falar sem parar: — Aquela velha horrorosa sentada no canto é da sua ou da minha família? — perguntou ela com um risinho cínico.

Joseph contemplou o pequeno vão do salão, primorosamente decorado, e fixou os olhos na pequena senhora com um sóbrio vestido preto, e sentada de forma ereta. Velha horrorosa? Adelaide raramente saía da pequena ilha onde morava, Libos, e por isso poucos fora do círculo familiar a conheciam. Os olhos brilhantes e negros de Joseph faiscaram como ouro em chamas. — Por quê? — Você acredita que ela me perguntou se eu sabia cozinhar?!

Asheley revirou os olhos e fez uma expressão de zombaria, típica de uma jovem acostumada a ser tratada como uma rainha.

— Depois me perguntou se eu ficaria esperando você voltar do trabalho! Até parece... — disse ela. — Alguém devia ter deixado a velhota em casa. Ela me deixou constrangida. Espero, sinceramente, que ela não esteja no nosso casamento.

— Se ela não estiver, eu também não vou estar.

A resposta de Joseph foi suave como uma seda. Ele esperou alguns segundos até que a noiva compreendesse o que tinha dito. Aflita, Asheley fitou-o com um olhar constrangido. As unhas longas seguravam na manga da camisa de Joseph, em verdadeiro pânico, antes que ele se afastasse dela.

— Joseph, eu...

— Aquela senhora é minha bisavó e merece sua profunda consideração e respeito — alertou Joseph, enfaticamente, mas sem elevar o tom da voz.

Consternada por tê-lo ofendido, Asheley começou a oferecer milhares de desculpas. À lista de defeitos de Asheley, Joseph adicionou a grosseria e a falta de sinceridade.






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logo, logo posto o primeio capitulo espro que gostem!

EXPLICAÇÕES

Bom gente primeiramente, nem acredito que tem alguém lendo minha história, vou me esforçar bastante aqui, e só pra explicar também que ia postar outra fic que iria ser a adaptação do livro Para Sempre mais devido a falta de tempo que não terei a partir do mês de abril decidi mudar para essa que se chama Amor Sem Fim  que na minha humilde opinião será bem melhor, bom esses dias vou poder postar todos os dias pois estou em casa de atestado pois desloquei os ossos de três dedos da mão direita então não tô servindo pra nada no trabalho e faço faculdade de noite mais também não tô indo esses dias então to com tempo de sobra e é só isso espero que gostem da história ... há acho que por enquanto não vou exigir comentários se gostarem podem comentar vou ficar feliz mais primeiro vou fazer por merecer ok? bjs. 

quarta-feira, 27 de março de 2013

SINOPSE

Sofisticação e sensualidade em cenários internacionais.



Uma noiva imprópria para um milionário grego...

Demi idolatra Joseph Jonas, um milionário que doou uma fortuna para a instituição de caridade que cuidava da irmã gêmea de Demi. Além de generoso e rico, Joseph é tão bonito que chega a ser um pecado.

Quando Demi é contratada para um emprego temporário e insignificante nas Indústrias Jonas, Joseph não tardará a torná-la sua amante pelo tempo que desejar. Pois esse magnata grego precisa se casar, e ele exige que sua esposa esteja preparada para usufruir não só dos prazeres da riqueza, mas, acima de tudo, das delícias de compartilhar sua cama...



Joseph gostou da evidente dilatação das pupilas de Demi e do gemido surdo que ela soltou quando ele ergueu a mão para soltar o rabo-de-cavalo que lhe caía sobre a nuca.
— Meu cabelo... — disse ela, surpreendida. Não tinha muita noção do que dizia naquele instante. Estava nervosa e ansiosa demais para formular um único pensamento... Quanto mais uma frase que fizesse sentido!
Joseph puxou delicadamente os longos cabelos para frente, fazendo com que emoldurassem o rosto triangular dela. O sensual contraste entre os fios acobreados e a textura perfeita da pele de Demi o deleitava.
— É magnífico... Deveria deixá-los sempre soltos.
— Iam ficar caindo em cima de mim — murmurou ela, com uma risada nervosa.
— Pois eu quero que caiam em cima de mim...

Querida leitora,
Demi sempre teve uma queda por Joseph Jonas. Ao descobrir que ele a desejava a seu lado, sua felicidade teria sido completa... se seu papel não fosse apenas o de amante. Prestes a se casar por conveniência, ele não vê qualquer problema em mantê-la como concubina. Mas ela não se contentará em tê-lo pela metade, e, se ele realmente a quiser, terá de se entregar por inteiro...