domingo, 2 de junho de 2013

CAPÍTULO 101 MARATONA FINAL



- Sel, acho que vou vomitar – reclamei, sentindo a pele úmida de suor.
- Não vai, não. Vai ficar tudo bem. Respira. Só respira! Quer um chocolate pra acalmar?
- Não.
- Que bom. Preciso deles só pra mim.
Minha amiga inseparável e companheira de todas as horas estava de mudança e em pânico. Depois do susto de pensar que Sel havia se ferido gravemente naquela noite na mansão, Nicholas finalmente colocara a cabeça no lugar e decidira manter o mergulho apenas como hobby, continuar na galeria e se tornar um homem casado. Do que Selena não gostou nada, a parte do homem casado, quero dizer. Mas a rejeição ao pedido de casamento dele não foi total, de modo que, quando ela sugeriu que eles apenas morassem juntos, Nicholas topou na mesma hora. Lucy, a irmã dele, não gostou da notícia, mas ele estava pouco ligando. E, mesmo sem oficializar o relacionamento, Sel estava assustada, apesar de mentir categoricamente, alegando estar calma e muito segura.
Mandy ficou um pouco abatida por ter que se separar de sua única filha, mas uma pontinha de felicidade se espreitava em seus olhos mesmo que ela tentasse esconder. Imaginei que isso tinha a ver com um instrutor muito gato da academia que ela e Sel frequentavam e que agora fazia hora extra no sofá da sala de estar.
- Conseguimos um apartamento perto da sua casa. É uma gracinha – me contou Selena.
- Isso é fantástico! – eu disse, enlaçando seu pescoço.
- Precisa de pouca reforma. Ah, Demi- ela sacudiu a cabeça. – Tudo parece conspirar para eu ir morar com o Nick. Ele está eufórico. Sem contar que estaremos a quilômetros da irmã dele, aquela abelhuda sem noção, o que é mais uma vantagem – ela suspirou. – o melhor de tudo é que da pra ir a pé até a sua casa.
- Isso sim é vantagem. Eu nunca poderia ficar longe de você.
- Não sei por que não paro de comer. Devo estar com verme ou algo assim. Já engordei dois quilos essa semana. Dois quilos! Tem um rinoceronte morando no meu estômago.
- Ou pode ser medo de começar uma vida nova com Nick... – sugeri.
- Não, imagina! Medo do quê? Da gente se matar em poucos meses, como aconteceu com o meu pai e a minha mãe? – Ela mordeu outro bombom avidamente. Nem terminou de mastigar e continuou: - Ou que ele se ressinta por ter desistido da profissão de guia subaquático e comece a me odiar? Talvez ele me abandone depois de alguns meses e decida ir morar em algum lugar paradisíaco, lotado de mulheres lindas e seminuas, com a pele bronzeada e sem um grama de gordura na bunda – ela comentou com um ar sonhador.
- Não acho que isso seria possível – objetei. – O Nicholas sempre preferiu mulheres cheias de curvas e inteligentes.
- É o que ele diz.
- É o que ele quer! – corrigi. – Você não percebe, ele abriu mão de um sonho, na boa, sem pestanejar, pra ficar com você? O Nicholas te ama caramba! Aceita logo isso.
Ela sorriu enormemente.
- Posso aceitar... Posso muito bem aceitar isso. E apertou minha mão, animada, então examinou minhas unhas. – Ficou bem em você. Azul é definitivamente sua cor.
- Você acha mesmo? – examinei minha mão. Até que não ficou tão mal. – Decidi deixar o preto por uns tempos. Eu usei por tantos anos, né? – expliquei, um pouco sem jeito.
Sel me abraçou carinhosamente antes de dizer:
- Tempo demais. Tá na hora de deixar as cores entrarem na sua vida.
Uma batida na porta se seguiu, e logo a cabeça de Joe surgiu entre o batente e a porta.
- Joe! Você não podia esperar lá embaixo, como eu pedi? – reclamou Sel, se colocando de pé e afofando meu vestido com vigor.
- Desculpa, mas não dá. Estou longe dela há mais tempo do que posso suportar – ele sorriu, descarado. – Está todo mundo esperando. Pronta? – ele me perguntou, se aproximando.
- Não, mas acho que preciso fazer isso de uma vez por todas.
Ele esticou o braço para que eu o pegasse, e foi assim, de braços dados com meu quase  ex futuro marido e minha melhor amiga do outro lado, que desci as escadas da mansão pra enfrentar o grupo de convidados que nos aguardavam.
Hector havia preparado uma grande festa com o intuito de me apresentar formalmente, a todos os diretores, acionistas, funcionários e jornalistas, como herdeira do Conglomerado Lovato. 
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Buáaaaaaa agora quem chora sou eu só falta 2 capítulos para acabar, tô até nervosa, brincadeira, comentem, comentem para finalizarmos logo essa nada é pra sempre né, então como presente para as melhores seguidoras e comentadoras do mundo, que tal ogo quando acabar essa fic, postar sinopse e prólogo da próxima ???     

CAPÍTULO 100 MARATONA FINAL



- Tudo que eu preciso saber é se você ainda me quer. Não sei se é tarde demais. Espero que não seja, porque você não faz ideia de como tem sido a minha vida nessas últimas horas longe de você. Parece que eu fui esmagado por um tanque de guerra, só que continuo vivo, respirando. E isso antes de ser baleado! Eu prometo que nunca mais vou te interromper, sempre vou te ouvir e vou te amar tanto que você vai se sentir sufocada em algum momento... e... – ele estudou meu rosto, engolindo em seco. – Ainda vou te falar que muito antes que você decida me fazer calar a boca ou te perdi pra sempre?
Eu o observei por um tempo. O rosto tenso, os ombros curvados, os lábios comprimidos numa linha fina. Desesperado. Assustado como jamais o tinha visto.
- Diz alguma coisa, por favor – ele pediu depois de um tempo.
- O que... – clareei a garganta. – O que exatamente significa “uma longa e prazerosa vida de servidão”? – eu quis saber, erguendo o panfleto.
Seus olhos se fecharam, ele suspirou e sorriu. Depois voltou a me encarar e esticou o braço bom. Alcancei sua mão e me deixei ser puxada para a cama, me sentando ao seu lado.
- Você sabe. Café da manhã na cama, massagens nos pés quando estiverem cansados, lavar a louça do jantar, sexo selvagem às segundas, quartas e sextas – ele acariciou meu rosto com a ponta dos dedos. – Terças, quintas e sábados serão destinadas a fazer amor. O domingo fica por sua conta. Ah, e carona para o trabalho. Serviço de ida e volta, claro.
Franzi a testa.
- Tem certeza disso, Joe? Você trabalha na L&L e logo vou ser dona de tudo aquilo, então eu meio que vou ser... hã... sua chefe.
- Transar com a chefe é a fantasia de muitos homens, caso você não saiba – ele sorriu, e era mesmo um sorriso feliz. Ele não estava fingindo nem atuando. Ele realmente não se importava!
Soltando a minha mão e colocando o peito forte a centímetros do meu nariz, ele enlaçou minha cintura, e em momento algum seus olhos deixara os meus, m aquecendo e emitindo pequenas vibrações até o centro dos meus ossos.
- Diz que me aceita de volta, Demetria. Diz que ainda me quer e que vai passar o resto dos seus dias me atormentando.
Como dizer não a uma proposta dessas?
- Me beija logo, seu id... – ele não esperou que eu concluísse. Antes que eu pudesse piscar, sua boca cobriu a minha e a explosão de cores aconteceu.
Joe me beijava com fúria, com desespero, com paixão. Segurei-me em seus ombros na intenção de me aproximar ainda mais, e ele gemeu. No entanto, era o gemido errado.
- Oh, Deus. Desculpa! Desculpa! Desculpa! – me soltei dele. – Esqueci do seu machucado.
- Que machucado? – Ele me alcançou, enlaçando minha cintura novamente. – Volta aqui que ainda não terminei de falar com você. – E o segundo assalto foi ainda mais intenso. E foi ali, sentados naquela cama hospitalar, que realmente nos acertamos. Naquele beijo lascivo e sôfrego, Joe e eu resolvemos todos os nossos problemas, todas as nossas dúvidas. Ele se expressava maravilhosamente bem quando me beijava.
- Eu te amo, Demetria – ele colou a testa na minha e sorriu. – Amo tanto que não consigo respirar quando você está longe. Nunca mais vou sair do seu lado, eu juro.
- E eu nunca mais vou dizer a verdade. – Ele levantou a cabeça e estreitou os olhos. – Pela metade, quero dizer.
Ele sorriu.
- Vai dar certo. Confia em mim. Estar do seu lado é como estar no meio de um furacão, não dá pra saber o que vai acertar minha cabeça a seguir. É uma loucura. Não tem como dar errado.
Eu ri.
- É um jeito diferente de ver as coisas. E até que não é tão ruim assim viver com você. Quer dizer, fora a sua mania de organização e o fato e acordar com as galinhas mesmo nos fins de semana e... você sabe... ficar tomando tiros para me salvar, até que é bem bacana dividir a vida com você.
- Peraí, peraí! Acho que isso foi um elogio... – ele sorriu, esperançoso.
- Talvez – eu disse, mas sorri também. – E pode tirar esse sorrisinho besta da cara que elogios são apenas para ocasiões especiais.
Ele riu, me empurrando para fora da cama antes que eu pudesse protestar.
Protestei mesmo assim.
- O que você está fazendo? Volta pra cama agora! – ordenei quando ele se colocou de pé com um pouco de dificuldade.
- Vamos fazer as coisas do jeito certo dessa vez - ele gemeu um pouco, balançando o corpo enorme, visivelmente tonto.
- Exatamente! Vamos fazer as coisas do jeito certo. Você vai ficar deitadinho nessa cama até o médico dizer que pode levantar – apoie a mão em seu peito e tentei forçá-lo a voltar para a cama, mas foi inútil.
Assim que Joe recobrou o equilíbrio, agarrou o suporte do soro e, usando-o como muleta, se arrastou até a mesinha, num canto da parede. O camisolão hospitalar mal chegava ao meio das coxas, e a abertura nas costa deixou toda sua coluna e parte do traseiro à mostra. Eu me perguntei se era muito errado deixar meus olhos se demorarem ali, como quem não quer nada. Decidi que sim, era errado, afinal ele estava ferido então me obriguei a desviar os olhos e prestar atenção no que aquele maluco pretendia fazer.
Joe alcançou a garrafa de água mineral e a abriu. Em seguida, com certa dificuldade, puxou o lacre, um anel azul cheio de pontas no interior. Voltou a passos lentos até ficar de frente para mim e... oh, meu Deus!... se agachou sobre um joelho, tomando minha mão na sua.
- Joe, não precisa...
- Eu quero. – Ele olhou profundamente em meus olhos, seu rosto estava sério e ligeiramente corado. – Sei que isso é estranho, porque fomos casados até ontem de manhã e... eu estou nervoso e não tenho um anel de verdade pra te oferecer, mas assim que for liberado vou arrumar um, então seja paciente comigo, por favor - e sorriu um pouco. – Eu... eu nunca quis me casar. Talvez um dia lá na frente, quando todos os meus sonhos fossem concretizados, mas não agora. Meus amigos casados sempre diziam: “É isso aí, Joe! Fuja enquanto puder”. Mas então eu conheci você e foi o que bastou pra tudo perder o sentido. Ninguém me fez ou faz feliz como você, Demetria. Nunca me senti assim antes. Uns cinco minutos depois de te conhecer, percebi que quero passar todos os meus dias ao seu lado. Quero envelhecer com você, quero ter filhos com você. Pelo menos três! Dois meninos parrudos, pra me ajudar a tomar contada menina se ela for tão linda quanto a mãe. Então, Demetria Devonne Lovato, você quer se casar comigo... – ele me mostrou um sorriso torto – de novo?
A porta se abriu.
- Que diabos aconteceu pra você lev... Caraca! – gritou Justin, Denise e Paul logo atrás dele, paralisaram os olhos arregalados. – Vocês vão se casar de novo?
- Não sei, Justin. Ela não me respondeu ainda – disse Joe, sem desviar os olhos dos meus.
- Ah! – o garoto sorriu largamente. – Demetria, não quero te apressar, mas responde logo, por favor. A visão da bunda branca peluda do meu irmão não é nada agradável.
- Não é peluda – objetei. Voltei a olhar para Joe, para as esmeraldas translúcidas que me capturavam e me mantinham sob sua luz quente e ofuscante. – Você quer mesmo construir uma família comigo? – sussurrei, e uma lágrima escorreu por meu rosto, mas não me importei.
- É tudo que eu quero – ele murmurou de volta.
- Eu também quero. Uma família grande e barulhenta – sorri, um sorriso que parecia que nunca mais deixaria meus lábios.
- Isso é um sim, Demetria?
- Sim, Joe. É um enorme sim!
Ele se move como uma avalanche. Maciço, preciso implacável. E me tomou em seu braço bom. Com cuidado, deslizou o anel azul da garrafa de plástico por meu dedo anelar – ficou enorme! – e me beijou. Um beijo intenso, porem repleto de ternura e alívio.
Ouvi gritos ao nosso redor e só por isso permiti que os lábios de Joe deixassem os meus.
- Bem-vinda à família – me disse Denise. – Outra vez!
Muitos braços nos rodearam e a cabeça de Justin surgiu por debaixo do cotovelo de Joe.
- É isso aí, grandão. Você levou o prêmio. A garota disse sim!
- Disse – Joe concordou, acariciando a cabeça do irmão, sorrindo, mas olhando fixamente para o meu rosto. – Ela finalmente me disse sim. 
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Finalmente ela disse SIM, esse Joe é um fofo gente, e Justin não podia faltar nesse momento não é?.  

CAPÍTULO 99 MARATONA FINAL



- Do outro lado, Demetria – ele riu. – Distribuíram esse panfleto no bar em que eu tentei manter o Clóvis e o Hector. Mão se preocupa. Seu corpo é perfeito pra mim.
- Ah – corei.
- Leia – ele sussurrou.
Voltei os olhos para o papel e o virei. A letra rebuscada de Joe era um pouco ilegível.
marido arrependido procura esposa para longa temporada. Procura-se mulher recém-divorciada, pequena na altura, mas com um coração gigante, dona de personalidade ímpar, temperamento, tempestuoso e olhos castanhos profundos, capazes de capturar a alma de um homem. Oferece-se um coração em ótimo estado de conservação e uma longa e prazerosa vida de servidão como pagamento.
- Enquanto eu aturava a falação do Clóvis ontem... Aliás, desculpa por não ter conseguido mantê-lo ocupado por mais tempo. Ele percebeu que alguma coisa estava errada quando a Telma ligou falando que o endereço que a Inês havia passado a ela não existia. Algo sobre um jantar...
- Não existia mesmo. A Inês me ajudou a esvaziar a mansão – sorri um pouco.
Ele também. Bom, quase.
- Certo, então, enquanto eu ouvia aquela baboseira, me dei conta de que preciso de uma esposa para não enlouquecer. Andei pensando em colocar esse anúncio no jornal – ele deu de ombros, para gemer logo em seguida – O que você acha? Conhece alguém que possa se interessar?
- Hã... – tentei engolir e não consegui. – Você só esqueceu de especificar a condição financeira da mulher.
- Me perdoa, Demetria! – A intensidade de sua voz fez os pelos de meu corpo ficarem de pé. De um bom jeito dessa vez. – Por estragar tudo, por ter abandonado você, por ter sido um idiota – seu olhar cintilava. –Eu fiz tudo errado, não fiz? Estraguei tudo porque sou um arrogante insensível que não teve a educação de ouvir o que a mulher que ele ama tinha a dizer. Eu pensei que... Como eu poderia imaginar que você estava tentando me proteger? Sabia que estou furioso com você por ter se colocado em risco por minha causa? – Mas em seu rosto só havia ternura e um pouquinho de desespero.
- Eu não podia deixar Clóvis brincar com a sua vida. Você tem o seu irmão e os seus pais e... Bom... foi a única saída que eu encontrei.
- Quando você pediu o divórcio, eu pensei que...
- Eu tinha escolhido a grana e não você. Você já disse isso.
- É – ele assentiu.
- Não Joe. Não era pelo dinheiro. No começo era sim. O casamento e tal, mas depois... não era mais – dei de ombros.
- Quando eu disse aquelas coisas horríveis, foi porque eu achava que você queria o seu dinheiro mais do que me queria. E eu não suportei isso. Eu não podia imaginar que você estava sacrificando o nosso casamento pra me proteger. A minha carreira não é tão importante assim, Demetria – ele sacudiu a cabeça, desgostoso. – Nesse momento, não consigo parar de pensar em quanto fui mesquinho com você, quanto fui cruel em lhe dizer aquelas coisas lá em casa. Eu te magoei, e isso é imperdoável. Mas, Demetria... – ele tentou se endireitar um pouco na cama, reprimindo uma careta de dor – eu estava machucado, me sentia humilhado, traído. Pensei que você jamais poderia me admirar. Eu sei que não muda o que fiz, mas eu nunca tive a intenção de te machucar. Nunca! Nem mesmo quando você me chutou.
- Mas eu não te chutei! – contrapus.
- Eu sei disso agora, mas na hora do desespero foi o que pareceu.
- Como você soube? O Hector me contou que você encontrou desvios de dinheiro no nome da Telma. Como você soube disso?
- Eu... quando cheguei em casa duas noites atrás e não encontrei você, vi que suas roupas não estavam lá, eu... enlouqueci, Demetria. Eu não podia acreditar no que você estava fazendo. Tentei encontrar milhares de razões, já que não deixei você mesma explicar. Então, depois de muitos copos de vodka, lembrei de como você foi , de certo modo, coagida a se casar pra recuperar seus bens e me perguntei se isso estaria acontecendo de novo. Eu já suspeitava do Clóvis. Desde a festa do conglomerado, quando você me contou tudo que estava acontecendo, suspeitei que tinha algo errado nessa história. As coisas não se encaixavam. Eu conheço o Hector. Trabalhei com ele por anos e não conseguia acreditar que ele fosse o responsável por aquele testamento. Só restava uma pessoa interessada, uma pessoa envolvida. Uma pessao que levou uma enorme vantagem com o testamento deixado pelo seu avô.
- O Clóvis.
Ele assentiu.
- Exatamente. Com base no que encontrei quando comecei a pesquisar, os depósitos ilícitos da empresa Lovato, supus que o nosso rompimento só podia ter sido obra do Clóvis. Por isso assinei a papelada do divórcio tão depressa. Fiquei com medo que, se ele estivesse mesmo te chantageando e eu não assinasse, ele pudesse criar problemas ou te prejudicar de alguma forma. Então te procurei ontem à tarde, na esperança de estar certo. Mas acabei perdendo a cabeça e te magoei de novo, não foi? – ele grunhiu. Um som ameaçador e ao mesmo tempo assustado.
Não respondi. Não precisava. Ele sabia a resposta. - Foi ali que percebi que eu estava certo e tive a confirmação de que alguma coisa ou alguém estava te obrigando a me deixar. Eu vi a raiva em seus olhos. Você não queria a nossa separação.
- Não – murmurei simplesmente.
Ele inspirou profundamente.
- Eu vivi um pesadelo até começar a raciocinar direito – sorriu tristemente. – Me afastar de você, mesmo que por poucas horas, foi doloroso demais. Mas, quando você confirmou na mansão o que eu já suspeitava, quando entendi os motivos que te levaram a agir como agiu, senti como se estivesse nascendo de novo. Você me amava a ponto de abrir mão do que queria.
Assenti. - O que eu quero é saber se ainda me ama, depois de todas as coisas horríveis que eu te disse – ele continuou, apressado. – Porque acho que podemos fazer isso dar certo. Eu sei que podemos! Escuta, sei que não mereço o seu perdão, mas... mas eu queria dizer que... eu não tenho como te dar a vida a que você está acostumada. Nem metade. Não que eu não gostaria, mas realmente a sua fortuna é algo que... A verdade é que eu não tenho nada pra te oferecer, Demetria. Tudo que posso oferecer está bem aqui, diante de você – ele abriu o braço bom num gesto derrotado. – Eu só posso te oferecer o meu amor, minha fidelidade, minha cumplicidade, minha admiração. Sei que não é muito, mas se quiser é seu. Meu coração, meu corpo, minha alma. É tudo seu. Eu não me importo se você tem dinheiro suficiente pra comprar um planeta ou um chiclete. Não me importo com mais nada, desde que você fique comigo. Assim não vou ter que me preocupar com a sua estabilidade financeira nem com a sua carreira. E isso é ótimo! – ele ergueu os ombros casualmente, com os olhos nos meus, mas o rosto ainda estava tenso. – Sobra mais tempo pra pensar em como te convencer a não quebrar o nariz de mais ninguém por aí. Você pode voltar pra nossa casa, ou vamos morar na mansão, ou vamos pra casa da Selena, se ela deixar. O que você quiser. Podemos morar no estacionamento da L&L que eu não me importo. Eu ainda seria o homem mais sortudo do planeta por ter você como minha mulher.
Eu adorava quando ele dizia aquilo.
Minha mulher.
Dele. Tão dele... Bom, já não oficialmente, mas mesmo assim... 
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Ta bom vou confessar que o pedido de casamento não vai ser tão convencional e nem tão romântico, mais vai ser especial para os dois.  

CAPÍTULO 98 MARATONA FINAL



Depois de se certificar de que tudo estava bem com Joe e de responder às minhas milhares de perguntas, o médico avisou que ele teria alta no dia seguinte, o que ambos achamos ótimo. Assim que ficamos sozinhos, Joe não perdeu tempo.
- Eu preciso muito falar com você – disse sério, urgente.
O tom de sua voz fez os pelos de meus braços ficarem de pé.
- Hã... Acho que ... vou comer alguma coisa. Quer que eu pegue alguma coisa pra você? –perguntei apressada, indo em direção à porta.
- Fica – ele pediu num sussurro firme.
Suspirei, soltando os ombros e me aproximando um pouco da cama, com medo do que ouviria.
- Foi muito... divertido estar casado com você – ele começou, me deixando boquiaberta. Não era o que eu esperava. Aliás, Joe estava se tornando um especialista em me pegar de surpresa.
- Foi?
Ele assentiu brevemente. Parecia nervoso. Em seguida me encarou com os olhos sérios e intensos, como se desnudassem minha alma. Avaliou-me por um bom tempo, então os olhos se detiveram em minhas mãos nervosas, que se contraíam na lateral do corpo.
- Você ainda usa sua aliança – apontou ele, surpreso.
- E você a sua – acusei. Em uma avaliação rápida e ali estava, no dedo anelar da mão esquerda, aninhada na tipoia azul-marinho, a argola dourada que eu havia colocado ali fazia pouco mais de um mês. – eu... esqueci de devolver. Tanta coisa aconteceu ontem... – e comecei a retirá-la do dedo, com o coração aos pedaços.
- Não tira! – ele pediu, com a voz mais alta agora. – Não faz isso.
- Você não quer a aliança de volta?
Ele Sacudiu a cabeça.
- Não. Não é a aliança que eu quero de volta.
- Ah. – Não crie expectativas. Não tenha esperanças, repeti como um mantra, mas era tarde demais. Eu já sentia a esperança cravando suas garras em meu peito.
- Eu queria a sua ajuda. Sua opinião, na verdade – ele começou, sem jeito.
- Sobre o quê?
- Onde estão as minhas roupas?
- Ali – falei, apontando para a sacola ao lado da cadeira em que eu passara a noite.
- Você pode pegar um papel no bolso de trás da minha calça, por favor?
Fiz o que ele pediu. Encontrei um papel dobrado em um pequeno quadrado. Quando abri, vi que se tratava do panfleto de uma clínica de cirurgia plástica.
“TURBINE SUA AUTOESTIMA. COLOCAÇÃO DE SILICONE EM 36 VEZES SEM JUROS”.
Estreitei os olhos. 
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desculpa me atrasei um pouquinho, mais hoje estou com uma ressaca dos infernos desculpem a expressão, e obrigado Lúuu pelo conselho, mas já estou acostumada com isso mais sou fraca pra essas coisas  e minha psicóloga vai me matar por isso mais tudo bem, comentem para o próximo!   

SUGESTÃO DE MARATONA

Bom dia! bom estou afim de terminar a fic HOJE, já que dia 5 vou viajar como já tinha informado antes e queria finalizar ela antes da viagem então como hoje não saio de casa nem amarrada quero fazer uma maratona FINAL, restam apenas 6 capítulos, se concordarem vou fazer assim, hoje quero 4 comentários por capítulo para liberar o próximo, vou postar a cada 45 minutos se já tiverem os comentários pedidos, se não só quando comentarem, entenderam? 
Agora querem um conselho de amiga?.... nunca...nunca mesmo, fiquem de porre, a ressaca é uma coisa horrível,  só dizendo.
Há vou começar a postar ás 13:00hs, pois vou voltar pra cama, minha cabeça vai explodir, então até logo!            

sábado, 1 de junho de 2013

CAPÍTULO 97



Argumentei, discuti, implorei, até fiz ameaças quando o médico retornou com a intenção de me expulsar do quarto. Ele entendeu que eu não sairia do lado de Joe e, a contragosto, me permitiu passar a noite ali. Foi uma longa noite insone.
Em uma das muitas visitas da equipe de enfermagem, o soro foi retirado do braço de Joe, me deixando um pouco mais tranquila.
Encostei a cabeça no braço do homem que eu amava com tanta intensidade que chegava a doer, para que pudesse sentir seu calor, seu cheiro. Fechei os olhos desejando voltar no tempo, desejando nunca ter feito aquele maldito acordo e o colocado em perigo. Desejei ter deixado as coisas por conta do acaso, ter conhecido Joe aos poucos, como todo mundo faz. Convidá-lo para sair algumas vezes, dar uns amassos no carro, ter brigas que sempre terminariam na cama, uma história comum, como tantas outras. Fiquei encarando a janela até que a luz do dia, ainda tímida, invadiu o quarto.
Senti algo tocar meus cabelos.
Ergui a cabeça devagar e vi sua mão grande me acariciando, os olhos bem abertos.
- Joe! – pulei da cadeira para abraçá-lo, mas mudei de idéia no último minuto ao me lembrar de seu ferimento. – Você está bem? Precisa de alguma coisa? Vou chamar a enfermeira.
- Não – ele sussurrou. – Fica aqui.
Fiquei imóvel ao lado da cama.
- Como você está se sentindo? – que pergunta idiota! É claro que eu sabia como ele estava se sentindo. Como alguém que acabara de levar um tiro!
- estou bem –ele disse. – Um pouco zonzo, mas bem.
- Acho melhor chamar o médico.
- Provavelmente vai vir alguém daqui a pouco. Isso é um hospital – ele riu, fazendo uma careta involuntária para esconder a dor. – Você está bem?
- Eu? Como você se atreve a me perguntar isso estando aí, nessa cama? – Toquei sua testa e constatei que estava fresca, na temperatura certa. Até sua cor estava melhor, natural, mais corada.
- E o Clóvis?
- Está em um quarto cercado de policiais – dei de ombros e deixei minha mão cair sobre o colchão. – A última vez que vi Clóvis, ele estava desmaiado na sala da mansão. Mas foi trazido para o hospital. A Sel foi dopada e o Nicholas está com ela. Também apagaram a Telma. O Hector não teve nenhum ferimento grave e logo vai ser liberado.
Ele assentiu, com os olhos distantes.
- Joe, me perdoa por ter sido tão idiota! – comecei. – Eu juro que não sabia que o Clóvis estava armando. Nunca imaginei que ele seria capaz de chegar a esse extremo. E nem pensei que você seria burro o bastante para saltar na frente de uma bala destinada a mim.
A porta se abriu. Era o médico.
- Está acordado. Isso é bom! – Ele se aproximou de Joe, examinando-o, perguntando como se sentia, reações desagradáveis, esse tipo de coisa.
- Você deixou a sua esposa em pânico, rapaz.
- Deixei? – Joe sorriu um pouco.
- ela ameaçou me jogar pela janela, ou se jogar pela janela, se eu não permitisse que ela ficasse aqui com você.
Joe me encarou, a sobrancelha arqueada, um sorriso zombeteiro nos lábios pálidos.
_ Eu não ia jogar o médico... – argumentei.
Ele riu, gemendo um pouco. 
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muito bem comentaram mais que o anterior o que é bom, agora só amanhã, estava lendo os comentários, e não, não vou casar...ainda, mas... topei fazer um "estágio"  pra isso, acho que ainda não estou pronta pra isso, por isso convidei meu namorado para morar comigo de vez e ver onde vai dar, com todas as responsabilidades que um casal tem e estou bem animada pra isso ainda mais que ele tem um filhinho que também vai morar com a gente, e quanto a fic só falta 6 capítulos para o fim.          

CAPÍTULO 96



Assim que consegui falar com a enfermeira outra vez, fiquei fora de mim. Joe ainda estava na sala de cirurgia. Aquilo já durava quanto tempo? Quarenta e cinco minutos? Quarenta e oito horas? Quatrocentos e doze anos?
- Assim que terminar, venho te avisar. Quer tomar alguma coisa? Talvez um ansiolítico seja uma boa ideia – ofereceu ela.
- Não quero remédio nenhum. Só quero ver meu marido!
Procurei Sel, que chorava copiosamente nos braços de Nick. Ele a cobria de beijos e carícias. A cada palavra dela, se segui um soluço desolado. Engraçado como não havia lágrimas em seu rosto.
- Sel, desculpa – me sentei na beirada da cama, abraçando-a desajeitadamente, já que Nicholas se recusava a soltá-la. – Eu sabia que não era uma boa idéia te levar comigo. Como você está?
- Péssima! Todo mundo fica me olhando. Essa calça não está ajudando nada.
Eu ri. Ela também.
- E o Joe? – ela perguntou preocupada.
- Ainda está na cirurgia.
- que droga! E você, como está se sentindo?
- Péssima, Sel. Aconteceu tanta coisa... desculpa não ter ficado com você.
- Imagina, Demi! Você tinha que ficar com seu marido. Ele levou um tiro, eu só... pirei um pouquinho. Eu liguei pra Nicholas assim que entrei na ambulância. Ele ficou comigo o tempo todo.
- Demetria, se tiver qualquer coisa que eu possa fazer para ajudar... – ofereceu Nick.
- cuida da Sel por mim. Vou ficar com o Joe até ele ser liberado.
- Vou cuidar – ele proferiu, solene. E, voltando-se para Sel, disse: - Vamos pra casa em breve, mozinho.
Mozinho?
Lancei um olhar interrogativo para minha amiga, que sorriu descaradamente, radiante, mas, quando voltou os olhos para o namorado, estes assumiram uma tristeza de partir o coração.
- Tá bom – ela fez biquinho.
- Vou te colocar na cama e preparar um chá.
- Bem docinho... – ela pediu, com o rosto desolado.
Ele sorriu, colocando uma mecha de cabelo dela atrás da orelha com extremo cuidado.
- Tão docinho quanto meu mozinho...
Ok, eu já tinha tido minha dose de glicose por um ano! Despedi-me dos dois e voltei para a sala de espera, andando de um lado para o outro, como um animal enjaulado. Passei uma eternidade indo e vindo naquele espaço até que alguém viesse me dar notícias de Joe.
- A bala foi extraída. Por sorte não atingiu a escápula. Foi um ferimento limpo, sem fragmentos. Correu tudo bem – disse o médico alto e magro, com um enorme bigode negro pendurado embaixo do nariz. – Mas ele precisou de uma transfusão de sangue. Vai ficar aqui por um tempo.
Depois de insistir muito, lavar os braços e me livra de parte do sangue de Joe, o médico me permitiu entrar no quarto ao qual ele fora levado. Ele estava recostado na cama hospitalar reclinada, com um daqueles camisolões de hospital azul-claro, mas mesmo assim o ombro esquerdo enfaixado era visível. O braço descansava num tipoia, os olhos estavam fechados, a cabeça solta contra o colchão. Parecia tão fraco, tão pálido, tão frágil... Alcancei sua mão, um pouco fria, para me assegurar de que ele estava vivo.
- Ei, você – ele disse numa voz engrolada. – Você não imagina como é chato ficar aqui sem ter nada pra fazer.
Tentei sorrir.
- Posso imaginar – acariciei seu braço, tomando cuidado para não esbarrar na mangueira fina ligada ao braço direito. – Vou ficar com você.
- Não devia – ele disse com os olhos pesados, mas entrelaçou os dedos aos meus. – Eu sei que você não gosta de hospital. Nossa, o que foi que colocaram nesse soro?
- Morfina. Você vai dormir um pouquinho.
- Isso explica porque está tudo meio borrado. – Ele tentou firmar os olhos em meu rosto e acabou sorrindo. – Você é linda mesmo toda desfocada, sabia?
Sorri um pouco.
- Dorme, você precisa descansar pra ficar bom logo – pedi.
- Não quero dormir. Quero falar... com você – mas suas pálpebras tremularam um pouco, antes de se fechar e ele cair num sono profundo.
Puxei a cadeira e me sentei ao seu lado, atenta a cada respiração, a cada barulho vindo do seu peito, que me provava que ele estava vivo.
A mesma enfermeira que tivera a bondade de me relatar o que estava acontecendo, enquanto Joe estava sendo operado, trouxe uma sacola com os pertences dele. Pouco depois, o celular de Joe vibrou dentro da sacola. Alcancei o aparelho e atendi.
- Demetria, eu quero falar com o panaca do meu irmão agora. O que ele me disse mais cedo era mentira, não era? Vocês não se separaram, não é?
- Hã... Acho que estamos divorciados sim, Justin. E o Joe... ele... Estamos no hospital – e comecei a chorar. – Ele foi ferido. Um tiro no ombro esquerdo...
- O quê? O que aconteceu? Você atirou nele?
Ainda um pouco histérica, comecei a rir em meio aos soluços e, como não estava em condições de formar frases coerentes, deixei que tudo saísse aos trancos e narrei a ele o que acontecera na mansão.
- Estamos indo pra aí agora – ele avisou. – Vai ficar tudo bem. O Joe vai ficar bem.
- Eles só vão deixar vocês entrarem para ver o Joe amanhã de manhã. Ele está dormindo agora, mas parece bem.
- Vamos pra aí mesmo assim.
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não sei quem acho mais louco se Selena,Justin ou Demi, Justin pra mim só aparece para deixar a coisa mais sem noção, só posto mais 1 se tiver mais comentários que o anterior, e detalhe vocês só tem até as 18:00 hs para comentar pois vou sair para uma festa ás 20:00 e tenho que me aprontar até logo!      

CAPÍTULO 95


A partir daí, tudo se tornou um borrão. O resgate estava ali, assim como a polícia e a equipe de segurança. Eu não prestei muita atenção em nada. Joe era tudo que eu podia pensar. Os socorristas fizeram os primeiro procedimentos em seu ombro ali mesmo, na enorme sala de estar na mansão, tentando deter o sangramento. E, em todo esse tempo, era Joe quem me confortava, dizendo:
- Vai ficar tudo bem. Estou bem. Só preciso de um curativo.
Eu queria ser forte, queria poder lhe dar a mesma segurança que ele me dava, mas, caramba, ele sangrava à beça e eu não conseguia parar de chorar.
Rapidamente o levaram para a ambulância. Eu o acompanhei, segurando sua mão o tempo todo, não que ele precisasse disso. Era eu quem precisava. Não sei quanto tempo levamos para chegar ao hospital. Para mim, pareceu uma eternidade. Joe tentava sorrir vez ou outra, deitado na maca da ambulância, com a intenção de me acalmar, provavelmente. Eu não era capaz de sorrir.
Fomos todos para o pronto-socorro. Telma havia voltado a si, mas estava histérica, Hector precisava ser examinado, Sel decididamente precisava de um calmante, e Joe ainda sangrava muito. Não faço ideia de como Nicholas soube e conseguiu chegar ao hospital antes que nosso pequeno grupo, mas, assim que descemos das ambulâncias, lá estava ele preocupado e de braços abertos para receber minha amiga, que não falava coisa com coisa. Clóvis também precisou de atendimento, embora àquela altura eu não me importasse.
Joe foi levado imediatamente para ser examinado, mas não me permitiram acompanhá-lo. Fiquei no corredor, com as roupas e os braços sujos de sangue, e fui dominada por uma crise histérica ao imaginar que Joe seria arrancado de mim, como todos os que eu amara na vida. Pouco depois uma enfermeira me comunicou que ele estava sendo levado para a sala de cirurgia para que extraíssem a bala e que tudo ficaria bem. Não acreditei nela nem por um minuto.
Para tentar fazer o tempo passar maus depressa, dividi-me entre Sel e Hector, que felizmente não havia se machucado gravemente na queda.
- Como está se sentindo? – perguntei a ele assim que sua esposa, Suzana deixou o quarto.
- Com um pouco de dor nas costas, mas nada sério. Já não tenho mais vinte anos, sabe? Ser jogado daquela maneira pode ser bem ruim para um homem da minha idade – ele sorriu, se remexendo na cama.
- Hector, você não sabe como estou envergonhada – abaixei os olhos para o lençol azul que cobria seu corpo. – eu pensei o pior de você. O Clóvis me fez acreditar que era tudo culpa sua. O testamento, a chantagem...Eu odiei você. Me perdoa – e estiquei o braço para segurar sua mão morena e macia. Ele não recuou.
- Não há nada a perdoar. Você foi tão vítima quanto o resto de nós. E, na verdade, acho que sou eu quem deve lhe pedir desculpas. Eu não fiz nada para te ajudar, Demetria. E me arrependo muito disso. Eu suspeitei do Clóvis logo após a morte do Marcus, quando soube do testamento. Tivemos uma discussão terrível, e a partir disso, da falta de argumentos plausíveis da parte do Clóvis, comecei a desconfiar que tinha algo errado. Eu devia ter procurado você e falado a respeito. Mas eu estava tentando reunir provas contra ele para então tentar destituí-lo de curador da herança. Não fui rápido o bastante e permiti que você corresse perigo. – Ele se sentou mais ereto e gemeu baixinho. Parecia mais dolorido do que demonstrava. – Mas agora posso te ajudar. O Clóvis vai ser preso. Assim que eu for liberado, vou à delegacia para formalizar a queixa. Você e o Joe devem fazer o mesmo.
Ele me explicou tudo que ocorrera depois que Joe fora atendido na mansão e eu saíra do ar. Em poucos minutos, a polícia estava na sala de estar colhendo depoimentos e colocando Clóvis, semiconsciente, numa ambulância. Ele ficaria no hospital a noite toda em observação, com dois policiais do lado de fora guardando a porta, e de lá seguiria direto para uma sala especial na delegacia – já que tinha formação acadêmica e conhecia bem seus direitos -, sob a acusação de tentativa de homicídio. Todos seriam intimados a depor. Eu não poderia estar mais feliz.
Bom, poderia, se Joe não estivesse naquela maldita sala de cirurgia.

- Tudo bem – assenti. – Sem problemas. Eu faço o que for preciso pra ver aquele canalha preso pelo resto da vida. – Enfiei a mão no bolso da calça e entreguei os papéis a ele. – Será que você pode me ajudar com isso quando estiver melhor?
Ele estendeu a mão, pegou o verdadeiro testamento de vô Marcus e abriu um sorriso cheio de rugas.
- Claro, querida. Obrigado por confiar em mim. – Ele examinou o documento com calma e disse o que eu já sabia. Eu, e apenas eu – e os três fiéis empregados da mansão, claro, isso não havia mudado -, era a herdeira de tudo que vovô tinha, sem cláusulas ou tutores. – Esse testamento invalida qualquer outro com data anterior. Amanhã mesmo vou apresentá-lo ao juiz responsável pelo caso. Provavelmente em dois ou três dias vai estar tudo resolvido.
- Ainda bem. Fico feliz que ninguém mas vai roubar a fortuna do vovô.
- A sua fortuna – ele corrigiu. – Demetria, sobre o seu casamento...
Mordi o lábio, corando um pouco.
- Foi armação no começo – admiti. – Mas depois, quando o Joe e eu nos conhecemos melhor, a gente acabou se apaixonando de verdade. O Clóvis percebeu. E se aproveitou disso. Ele ameaçou demitir o Joe se eu não pedisse o divórcio. O Joe tinha responsabilidades com a família, Hector. Ele tem um irmão que está lutando para voltar a andar. Eu não podia permitir que o Clóvis destruísse uma família inteira.
Ele assentiu.
- O Joe estava certo, afinal.
- O Joe? – indaguei, surpresa.
- Ele me procurou. Disse que suspeitava que o Clóvis estava chantageando você. O Joe estava tentando encontrar alguma coisa ilícita nas contas das empresas de seu avô. E acabou encontrando. Esse rapaz é brilhante.
- Ele encontrou provas conta o Clóvis? – meus olhos se abriram tanto que pensei que saltariam das órbitas.
- Sim. Grandes depósitos num paraíso fiscal em nome da Telma.
- Nããão! A Telma está nisso também? Como... Quando o Joe começou a investigar? – perguntei, atônita.
- Não sei dizer ao certo. Ele apareceu, na primeira hora hoje de manhã com vários contratos suspeitos. Acho que ele estava investigando o caso desde o fim de semana. Os desvios de dinheiro que o Joe encontrou nas empresas dos Emirados Árabes para uma conta num paraíso fiscal em nome de Telma são enormes. Parece que o Clóvis vai ter mais a explicar do que podíamos imaginar – sua testa vincou. Eu até entendia. Hector, assim como vovô, tinha em Clóvis um amigo. Devia ser estranho ver o amigo na posição de culpado. – Enfim, o Joe pediu permissão para averiguar mais a fundo e consenti, claro. – Mas então Joe desconfiara de Clóvis antes mesmo que eu? Quando me abordou na sala da copiadora mais cedo, naquele mesmo dia, ele já sabia?
Oh, Deus! Foi isso que vi em seus olhos quando ele fora me buscar na galeria no último domingo! Aquela sombra sinistra. Ele dissera que o dia fora produtivo. Pensei que fosse por causa da mudança de quarto, mas levar meus pertences para o quarto ao lado não levaria muito tempo, levaria? Foi por isso que ele me beijou daquela forma ensandecida na sala treze naquela tarde? Ele sabia que eu estava sendo manipulada?
- Acho que o Clóvis não vai sair da cadeia tão cedo – continuou Hector, me desviando das especulações. – Tentativa de homicídio vai pesar muito no processo. A Suzana quase não acreditou em tudo que aconteceu hoje. – Ele gemeu um pouco, se acomodando melhor na cama. – E, pra dizer a verdade, nem eu.
- Isso tudo é sórdido demais para parecer real. Fico feliz que tenha terminado. – Ou quase, já que Joe ainda estava sendo operado. – Preciso ir agora. Até amanhã, Hector. 
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Clóvis está preso! e Blanda vai se dá mal! Então alguém aí me desculpa pelo furo que dei em vocês ontem? desculpa mesmo, mais sabe quando você tá tão cansada que nem lembra que dormiu ? aconteceu isso comigo ontem nem lembro de ter dormido só lembro de acordar hoje 13:00 hs pois é não lembro da ultima vez que acordei essa hora, sorte que meu cozinheiro particular tá aqui em casa hoje ( digo amor da minha vida) e já tinha feito meu almoço kkkk, posto mais dois hoje pra compensar o de ontem , hoje tomei uma decisão na minha vida e espero que dê certo e não me arrependa, estou super feliz, comentem para mais um daqui a pouco!