sexta-feira, 9 de outubro de 2015

CAPÍTULO 74


Ela me lança um sorriso largo e predatório, caminha lentamente até parar ao meu lado.
— Olá. — Ela diz.
— Oi.
— Você por acaso não teria um batom, teria? — Ela pergunta se olhando no espelho e fingindo ajeitar o cabelo.
Droga, ela é tão linda. É maravilhosa, posso ver claramente o porquê Joseph a quis, qualquer homem iria querer.
— Não. — Respondo e me viro em direção a porta, mas ela segura meu pulso e pede que eu pare.
— Preciso conversar com você. — Ela diz.
— Não sei se temos algo para conversar. — Ela me segura de novo.
— Temos sim, temos que conversar sobre Joseph, tenho que alerta-la. — Desisto de tentar ignora-la, paro na sua frente com os braços cruzados, numa posição defensiva.
— Eu entendo você, entendo o porquê você está com Joseph. Sejamos sinceras, que mulher em sã consciência não aceitaria as migalhas de atenção de um homem tão viril e atraente como ele, não é mesmo? Basta uma palavra dele que esquecemos todo nosso autorrespeito e caímos aos seus pés. Foi isso que aconteceu com você, não foi? Aconteceu comigo também. — Ela se encosta da pia e inclina a cabeça, me lançando um olhar analisador dos pés a cabeça.
— Não entendo, eu tento compreender, mas não consigo. — Ela comenta.
— O que? — Pergunto.
— O porquê ele estar com alguém como você. Quando ele me disse estar apaixonado, eu imaginei que seria por uma mulher de verdade.
Abro a boca e infelizmente o choque de sua palavras é grande demais para me permitir lhe dar uma resposta a altura.
— Ah, não me olhe assim, você sabe que é verdade. Joseph é um tipo único de homem, ele merece muito mais do que você pode oferecer, ele precisa de muito mais do que você pode oferecer.
— Eu posso lhe dar tudo o que ele precisa. — Respondo confiante.
— É mesmo, tem certeza disso? No momento em que eu coloquei meus olhos em você, eu percebi que você não faz o tipo de Joseph. Ele tem necessidades muito singulares, e não é toda mulher que é capaz de atendê-las. Você certamente não é.
— E você é? — Pergunto soltando uma risada de escárnio.
— Obviamente.
— Você é maluca mesmo, você não tem nada a oferecer a Joseph, nada que ele queira ou precise.
— Não era isso que parecia quando ele me chamava até o seu apartamento para me foder. Ele parecia estar gostando muito do que eu tinha a oferecer. — Ela sorri ao me ver vacilar.
— Isso foi há muito tempo, Joseph mudou.
— Eu não acho, não. Joseph sempre teve uma certa inclinação se tratando de sexo, uma inclinação muito forte, é algo que faz parte dele e nunca irá embora.
— Seja o que for, eu posso cuidar dele.
— É mesmo? Então talvez eu tenha me enganado com relação a você. Talvez você só aparente ser uma garota inexperiente, inocente e cheia de pudor, mas por dentro você é uma devassa tanto quanto eu. Diga-me, você não adora os sons que Joseph faz quando você está chupando ele? Ou então como ele fica excitado quando você está de quatro e deixa-o fazer sexo anal? Ah sim, eu adorava quando ele me comia por trás. Mas nada supera o prazer que eu sentia quando participávamos de uma orgia. Ele parecia uma criança numa loja de doces. Adorava quando eu e alguma outra mulher chupávamos seu pau como se fosse um pirulito. — Ela joga a cabeça para trás e ri. — Deixe eu te contar sobre a vez que ele me fodeu com mais outras três desconhecidas que nós encontramos em um bar...
— Chega! — Grito. Sinto meus olhos se encherem d’água e luto com todas as minhas forças para não derrama-las, não posso chorar, não na frente dela. Sinto meu estômago ficando doente, me sinto enojada ao imaginar Joseph, Blanda e outras mulheres, todos juntos na mesma cama. Sinto que posso vomitar a qualquer momento.
— Se você nem aguenta escutar sobre, com certeza ainda não fez essas coisas com ele, não é mesmo? Uma pena, porque se você não fizer, se você não for esse tipo de mulher, ele não vai te querer. Joseph não gosta de mulherzinhas inocentes e que são extremamente entediantes na cama, ele gosta de ação. Ele gosta de sentir prazer sem pudor, sem restrições, ele gosta de algemar, amarrar, bater, dividir, ele gosta de sexo na sua forma mais suja, mais impura, ele gosta de se enfiar em todos os buracos que você tem e não de fazer amor.
— Cala a boca. — Digo com os dentes cerrados.
— Você está assim porque sabe que é verdade. Ou você se transforma no que ele precisa, faz o que ele realmente gosta, ou sai do caminho e deixa uma mulher de verdade cuidar do seu homem. Sinceramente, eu não acho que você seja capaz de ser o tipo de mulher que ele gosta, então na verdade você só tem duas opções. Ou você se afasta de Joseph agora, deixando o caminho livre para mim, ou você fica com ele mais, o que? Um, dois meses? Que é o tempo que eu estimo que vá levar até ele se cansar de você e te dar um pé na bunda, e sai dessa história sem dignidade alguma. Não importa, qualquer que seja o caminho que você escolher, vai acabar com você sozinha e Joseph na minha cama. E sabe por quê? Porque eu sou o tipo de mulher que Joseph gosta, e ele é o tipo de homem que eu gosto. E quando eu quero algo, eu tenho, custe o que custar.
Ela se vira para o espelho, arruma o cabelo e esfrega os lábios um no outro.
— Considere-se avisada, queridinha. — Ela diz e passa por mim, saindo do banheiro.
Assim que a porta se fecha vou até a pia e me apoio nela, respiro fundo e não consigo mais prender as lágrimas.
Assusto-me quando a porta se abre novamente. Mais uma vez vejo Blanda pelo espelho, viro meu rosto rapidamente para ela não ver que estou chorando.
— Ah, já estava esquecendo. Só para o caso de você achar mesmo que ele te ama...Eu e Joseph nos beijamos mês passado, no escritório dele. Tenho quase certeza que ele não te contou isso, não é? Só não transamos porque fomos interrompidos. Não se iluda, criança, ele não te ama. — Ela diz e fecha a porta, me deixando sozinha novamente.
Fecho os olhos com força e levo a mão até a boca, para abafar os barulhos que saem.
Sinto uma forte náusea subindo rapidamente, só tenho tempo de correr até a cabine mais próxima e me jogar no chão. Vomito todo o jantar dentro do vaso sanitário.
Espasmos fortes percorrem meu corpo enquanto coloco tudo para fora. Quando finalmente não tenho mais nada no estômago, levanto-me e puxo a descarga.
Vou até a torneira e enxáguo a boca, percebo com alívio que o hotel tem um kit para uso dos hóspedes e convidados. Procuro por um enxaguante bucal e encontro um pequeno frasco, coloco na boca e faço um gargarejo. O tempo todo com lágrimas escorrendo por minhas bochechas.
Quando finalmente tiro o gosto ruim da boca, me olho no espelho. Meu Deus, minha boa aparência já era, estou horrível.
Sinto vontade de me sentar no chão e ficar encolhida, chorando, a noite inteira. Não quero sair daqui e ter que enfrentar todas aquelas pessoas.
Sinto um vazio no peito que é muito doloroso. Sinto medo, não quero perder Joseph, eu o amo tanto.
Todas as palavras de Blanda ficam se repetindo e se repetindo em minha cabeça, me machucando cada vez mais, toda vez que eu as escuto novamente.
Muitas imagens de Joseph fazendo aquelas coisas que ela disse surgem em minha mente, se somando a aquelas que Ian já tinha colocado lá.
Tento bloquea-las com a força das minhas memórias boas com Joseph. Todos os momentos carinhosos e cheios de amor. Mas as imagens sórdidas resistem bravamente, imagens do velho Joseph lutando com as do novo Joseph.
Tento me lembrar se alguma vez Joseph demostrou estar insatisfeito com nossa vida sexual. Para mim sempre é tão bom, tão perfeito, não poderia ser melhor. Mas e para ele? Será que ele acha que eu sou muito sem graça, muito...Frígida?
Se eu não consegui satisfazer nem Logan nem Harry, levando-os a ter que me trair, como eu espero conseguir satisfazer um homem como Joseph? Ele é muito mais intenso, mais experiente, tem expectativas mais altas.
Eva tem razão, eu nunca fiz aquelas coisas. Meu Deus, eu nunca nem sequer fiz sexo oral em Joseph. Foi algo que eu simplesmente não me lembrei.
Eu já fiz isso com Harry, e eu até que gostava, mas eu só fazia quando ele pedia, a iniciativa nunca partia de mim. Não havia percebido que eu nunca fiz isso por Joseph, ele já me deu prazer tantas vezes com a boca, e eu nunca retribui.
“Meu Deus, ele deve achar um tédio quando transamos.”
Sinto minha cabeça girar um pouco, levo a mão até a testa e me apoio firme da pia para tentar focar a visão.
Eu tenho que fazer algo, não posso perder Joseph. Se ele tiver que ir atrás de Blanda ou qualquer outra mulher para satisfazer seus desejos, eu não vou aguentar. Se ele me deixar, não sei como me recuperar dessa vez. O que sinto por ele é único, nunca senti por ninguém mais. Seria devastador se ele não me quisesse mais.
Mas o que mais machuca, o que não sai da minha cabeça de jeito nenhum é: Ela e Joseph realmente se beijaram quando nós estávamos juntos? Ou ela está tentando me enganar? Será que eles se beijaram mesmo? Ele ia transar com ela se não tivessem sido interrompidos? Ah meu Deus, eu preciso ir embora, eu quero ir embora desse lugar.
Preciso voltar para lá antes que Joseph venha me procurar. Já demorei demais. Só quero que essa noite termine logo.
Pego uma toalha de papel e limpo as manchas de lágrimas no rosto, ainda bem que minha maquiagem é à prova d’água.
Tento voltar a estar pelo menos apresentável, arrumo o cabelo e o vestido, respiro fundo e tento me controlar, mas sei que estou quebradiça por dentro, não posso baixar a guarda e quebrar na frente de todos.
“Se controle, Demetria, você lida com isso depois.”
Inspiro e expiro algumas vezes e tomo coragem para voltar para a mesa. Assim que abro a porta do banheiro vejo Joseph caminhando na minha direção.
— Ah, aí está você. Já estava ficando preocupado, você demorou. Está tudo bem? — Ele pergunta parando na minha frente. Só de olhar em seus olhos já sinto vontade de desmoronar e chorar.
— Sim, desculpe, está tudo ótimo. — Forço-me a sorrir. Ele me olha franzindo a testa.
— Tem certeza que está tudo bem?
— Sim, tenho. Vamos.
A próxima hora foi um verdadeiro martírio, e quando Joseph perguntou se eu queria ir embora, foi com grande alívio que eu respondi que sim.
Permaneci quieta todo o caminho de volta, o que não passou despercebido para Joseph.
— Você está tão quieta, encarando a Janela como se quisesse derreter o vidro com o olhar. Está realmente tudo bem, amor?
— Só estou com um pouco de dor de cabeça. — Minto.
— Deveria ter me dito, teríamos ido embora antes.
— Você estava lá a trabalho, não queria atrapalhar.
— Você nunca atrapalha, amor. Pode confiar em mim sempre para falar qualquer coisa. — Sei que ele está se referindo a dor de cabeça, ou qualquer outra coisa no geral, mas minha mente vai direto na direção de Blanda. Eu deveria contar para ele sobre a visita que ela me fez no banheiro? Deveria contar que eu sei sobre o beijo, ou espero ele me confessar? Já faz um mês, se ele não disse nada até agora não vai dizer mais. O que isso significa? Se eu confronta-lo, ele irá negar?
Oh Deus, são tantas perguntas que aquilo de estar com dor de cabeça já não deve ser mais uma mentira.
Quando chegamos ao seu prédio, Joseph vem abrir a porta para mim e me ajuda a descer do carro. Subimos até seu apartamento, no elevador Joseph me agarra e me espreme com seu corpo, sua boca desce até meu pescoço e me provoca arrepios.
— Que tal você me deixar curar essa sua dor de cabeça? — Ele sussurra com a sua voz rouca e sexy.
— Tudo bem. — Eu cedo.


5 comentários:

  1. Meu Deus coitada de demi, ela tem que conversar com joe sobre o que aconteceu, ela não pode esconder o que banda falou pra ela, posta logo por favor

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  2. Posta logo please quero saber se demi vai falar pra joe sobre blanda

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  3. Mas genteeeeee vc voltou, quero mais capítulos pf pf pf . ta maravilhosa

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  4. AMEEEEI, graças a Deu você voltouu ! Acabei de abrir um blog, adoraria caso vocês desse uma olhada :
    http://jemimorethanjustadream.blogspot.com
    Acabei de começar !

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