quinta-feira, 8 de outubro de 2015

CAPÍTULO 73


O salão é grande, e quando eu digo grande não estou brincando, é enorme. As paredes são cor de gelo com detalhes em dourado, há diversas colunas de pedra branca perfeitamente lisa e do teto abobadado pende um lustre de cristal enorme, com mais três lustres menores ao redor.
Bem ao fundo no salão vejo um palco que obviamente não pertence à decoração original, deve ter sido montado especialmente para os leilões de hoje à noite. Além do palco, no fundo encontram-se as grandes mesas redondas, cobertas com toalha de seda branca, porcelana e cristais.
No meio de tudo isso estão inúmeros homens e mulheres, todos vestidos com esmero. E se movimentando habilidosamente por entre esses homens e mulheres de negócio, estão os garçons. Os sapatos de todos estalando sobre o chão de mármore.
— Venha, vamos conhecer os abutres. — Joseph diz.
— Abutres? Joseph, eles estão aqui para a caridade.
— Não, eles estão aqui para se auto promover. Ter a imagem de sua empresa ligada a caridade é tudo o que eles querem, eles não ligam realmente se estão ou não ajudando alguém.
— Que horror, mas pelo menos nessa tentativa de se auto promover, eles de fato arrecadam dinheiro e ajudam instituições beneficentes, não é?
— Sim, pelo menos isso. — Andamos pelo salão lado a lado, Joseph cumprimenta com um aceno de cabeça e um sorriso simpático aqueles que se dignam a olhar em nossa direção.
Joseph. — Uma voz grave soa atrás de nós. Quando nos viramos vejo um homem baixo e corpulento, sem boa parte dos cabelos, mas com uma expressão amigável no rosto.
— Sr. Marcos, como está? — Joseph o cumprimenta com um aperto de mão.
— Estou ótimo, obrigado. E você?
— Melhor impossível. — Joseph responde com um sorriso largo. — Permita-me apresentar minha bela namorada, Demetria Lovato.
Um pouco tímida e me sentindo completamente um peixe fora d’água, cumprimento o homem a minha frente.
— Muito prazer, Sr. Marcos.
— Oh, mas o prazer é todo meu. Uma bela mulher de fato, meu amigo. Você deve ser um homem de muita sorte.
— Sou mesmo. — Joseph diz passando a mão em volta de minha cintura.
— Maravilha. E como vão as coisas na Townsend? Ouvi dizer que você perdeu aquele contrato com a Thompson Reuters Company, uma pena, de fato. — Sr. Marcos diz e eu o olho confusa, imediatamente lanço meu olhar confuso para Joseph, mas ele finge não notar, porém percebo que fica desconfortável.
Eu não sabia que Joseph tinha perdido o contrato, ele não me disse nada. Que estranho. Ele estava tão animado e com tanta certeza que a sua proposta tinha impressionado, o que será que saiu errado? E porque ele não comentou nada comigo?
Essas perguntas me deixam curiosa, mas agora não é o momento para tentar obter uma resposta.
— Ah sim, é uma pena realmente, mas somos uma empresa muito capaz e tenho certeza que outras ótimas oportunidades surgirão. — Joseph diz claramente tentado se esquivar do assunto.
— Tenho certeza que sim. Agora, se vocês me dão licença...Acho que acabei de ver Frederic Salazar e gostaria de lhe dar um olá. — Ele diz se despedindo com um sorriso e deixando Joseph e eu a sós.
— Porque você não me disse que havia perdido o contrato? — Pergunto encarando seus olhos azuis, que agora estão sérios.
— É complicado, não é assunto para discutirmos agora, tudo bem? — Ele acaricia meu braço e eu aceno condescendente.
— Venha, quero te apresentar para algumas pessoas. — Deixo que ele me conduza para o amontoado de pessoas completamente estranhas.
Passo a próxima hora sendo apresentada e conversando com várias pessoas, algumas interessantes e outras nem tanto, na maior parte do tempo deixo que Joseph os distraia e só falo quando falam comigo, ou ocasionalmente quando tenho segurança o suficiente para não achar que vou falar alguma besteira.
Assim que o chatíssimo Sr. Pecked nos deixa a sós, pego uma taça de champanhe do garçom e bebo metade do conteúdo em um único gole.
— Sinto muito por fazer você ter que aturar essas pessoas.
— Tenho certeza que você vai saber como me recompensar depois. — Digo e pisco, Joseph abre um sorriso lento e safado, daqueles que faz coisas engraçadas com o meu corpo e me deixam inquieta.
— É uma pena que eu prometi me comportar. Mas tenho certeza que a espera vai valer a pena. — Sinto meu desejo despertando e tenho que morder o lábio para não gemer.
Joseph, que bom que você pode vir. — De repente uma voz de mulher me tira dos meus pensamentos pecaminosos com relação ao meu namorado delicioso. Joseph se vira e vejo-o ficar pálido na hora, como se tivesse visto um fantasma. Seu corpo fica tenso e ele assume uma postura defensiva.
Olho com curiosidade para a mulher que provocou essa reação. Ela é alta, cabelos negros e olhos azuis, tão claros que parecem irreais, lábios cheios assim como seus seios, que praticamente estão saltando para fora do seu vestido vermelho sangue. Aparenta estar na casa dos 30, não mais que 35 anos.
Ela alterna seu olhar entre Joseph e eu, talvez seja impressão minha, mas ela parece estar se divertindo com a reação estranha dele. Joseph continua olhando-a, branco como papel.
— Não vai nos apresentar? — Ela pergunta para ele erguendo uma sobrancelha. Joseph continua sem reação, parecendo uma estátua.
— Muito bem, então. Blanda Eggenschwiler Thompson. — Ela diz estendendo a mão com unhas tão compridas que parecem garras.
Demetria Lovato, muito prazer.
Demetria, nome interessante. — Ela diz, o sorriso nunca deixando seus lábios. — Você e Joseph estão juntos?
— Sim. — Joseph responde antes de mim, seu braço me envolvendo protetoramente. — Estamos juntos. — Ele diz seriamente, de um jeito que me faz pensar que há algo a mais por detrás de sua declaração.
— Nunca achei que veria esse dia. Joseph Jonas amarrado a uma só mulher. — Ela diz e sinto um frio na espinha na hora. Ela conhece Joseph, não só na vida profissional, mas na pessoal também. Agora eu percebo, o modo como ela o olha, seu comentário, sua postura superior. Ela está querendo me intimidar, ela foi uma das muitas mulheres com quem Joseph dormiu.
Droga, essa que é provavelmente uma das mulheres mais bonitas que eu já vi, já dormiu com meu namorado. Isso não é legal, nem um pouco. Porque ela tinha que ser tão gostosa e perfeita?
Agora a reação de Joseph faz todo o sentido do mundo.
— Vocês se conhecem há muito tempo? — Não consigo refrear minha curiosidade.
— Ah sim, uns 8 anos, não é Joseph?
— Mais ou menos. Se você nos der licença... — Joseph diz ríspido e sai puxando o meu braço. Ele nos leva até um canto afastado.
Demetria, tem algo que eu preciso te contar, mas é complicado demais para dizer agora e...
— Eu sei, já entendi. Você e aquela mulher já...Já dormiram juntos, não é? — Pergunto com a voz baixa. Joseph solta um suspiro e demora um instante para responder.
— Sim, é isso. Blanda e eu já nos envolvemos. Sinto muito, não achei que ela estaria aqui essa noite, deveria ter imaginado.
— Você tem mantido contato com ela todos esses anos?
— Não, até a alguns meses atrás eu não tinha notícias dela fazia seis anos.
— E depois de seis anos o que fez vocês entrarem em contato de novo?
— Você não vai acreditar nisso, mas...Ela é casada com Carlson Thompson.
— O mesmo Carlson Thompson da Thompson Reuters Company?
— Esse mesmo.
— Isso que é coincidência.
— Foi por isso que eu perdi o contrato. Blanda fez o seu marido assinar com a concorrência para me punir.
— Punir pelo que?
— Porque eu me recusei a dormir com ela de novo, porque eu estava apaixonado por você. — Arregalo os olhos e abro a boca em choque.
— Ela queria dormir com você mesmo sendo casada? Mas que vadia. — Xingo.
— Eu sei. E ela é louca também, olha...Blanda foi a única mulher, além de você, com a qual eu dormi várias vezes. Mas isso foi há muito tempo atrás, na época da faculdade. Quando eu quis terminar tudo, ela não aceitou muito bem e começou a me perseguir. Foi difícil mas depois de um tempo eu consegui me livrar dela, eu fique anos sem saber dela, até que uns meses atrás ela apareceu como a esposa do dono da empresa com quem eu estava fazendo negócio. Ela quis um “recordar é viver” mas eu nunca tocaria nela de novo, então ela prometeu se vingar, e fez. Eu perdi o melhor contrato que eu poderia conseguir em toda a minha carreira, perdemos milhões e milhões de dólares. Não disse nada sobre a volta dela porque não queria te chatear, mas sinto muito, sei que eu deveria ter te contado.
— Tudo bem, se você fosse me contar toda vez que você vê uma mulher com quem dormiu, teríamos um problema. — Digo mais rudemente do que pretendia, vejo magoa nos olhos dele e me arrependo do que disse imediatamente.
Joseph enfia as mãos no bolso da calça e abaixa à cabeça, seu olhar ficou tão triste de repente que eu sinto vontade de me bater.
— Sinto muito, não deveria ter dito isso. — Digo querendo voltar cinco minutos no tempo e começar tudo isso de novo.
— Tudo bem, não tem problema. — Ele diz me dando um sorriso fraco.
— Olha, eu não estou brava que você não me contou sobre Eva. Vamos esquecer esse assunto. Sinto muito que ela tenha prejudicado seu trabalho, mas isso também significa que você não vai ter nenhuma ligação com ela, o que sinceramente me enche de alívio.
— Eu não suporto a ideia de nem ao menos ver ela, ela é maluca e não vale nada. Quero distância de Blanda assim como eu quero que você fique longe dela, ok? Nada de bom pode vir dela então se ela tentar se aproximar de novo, vamos apenas ignora-la, pode ser?
— Será um prazer.
— Ótimo, não vamos deixa-la estragar nossa noite. Venha, o jantar logo vai ser servido. — Ele segura minha mão e nos encaminhamos para nossa mesa.
O jantar estava ótimo, a comida uma delícia e só os melhores vinhos. Fico me perguntando se eles percebem que o dinheiro gasto para organizar essa festa, deve ser pelo menos ¼ do que eles arrecadam a noite inteira.
Enfim, depois do jantar deu-se início aos leilões. Muitos dos aqui presente cederam boa parte do que se estava sendo leiloado.
Um vinho Napa Valley 1941 foi vendido por incríveis 24.675 dólares. Um Cheval Blanc 1947 foi arrematado por 33.781 dólares.
Esse pessoal vai mesmo beber esses vinhos? Porque se fosse eu a compradora, não teria coragem de beber tantos mil dólares.
Um final de semana em uma ilha particular na Tailândia – quem é que compra uma ilha? E na Tailândia! – foi vendido por, pasmem, 267 mil dólares.
Quem vê tudo isso, até pode achar que eles estão mesmo preocupados em ajudar as crianças e os doentes das instituições beneficiadas. O teatro é bem convincente, devo admitir. O leilão seguiu e muitas coisas foram vendidas por presos absurdos, mas a maioria aqui é milionária, então acho que gastar 200, 300, 500 mil para eles não é nada. Quando Joseph levantou a placa e arrematou um monomotor Cirrus SR20 por 483 mil dólares, me engasguei com meu vinho. Rindo da minha reação ele sussurrou em meu ouvido que a Townsend sempre lhe dá dinheiro para comprar o que quiser nesses leilões, e que obviamente as coisas adquiridas por ele são propriedades da empresa e não de Joseph. Por isso estranhei quando Joseph deu o lance inicial para comprar um final de semana em uma cabana de luxo nas montanhas de Vermont. O que a Townsend vai fazer com um final de semana em uma cabana? Talvez presentear o melhor funcionário? Séria uma boa tática para incentivar seus empregados.
— Sete mil dólares. — Outro homem dá o lance pela cabana de Vermont.
— Dez mil dólares. — Joseph rebate.
— Onze mil. — O mesmo homem diz.
— Doze mil. — Joseph oferece.
— Treze mil. — O homem insiste.
— Vinte mil. — Joseph diz com um tom de voz autoritário, como se desafiando o homem a superar seu lance.
O homem nada diz, por sua expressão parece aceitar a derrota. Apenas um final de semana em uma cabana em um pequeno estado dos Estados Unidos não parece apetecer mais ninguém, então o leiloeiro diz:
— Dou-lhe uma, dou-lhe duas, dou-lhe três... — Ele bate o martelo. — Vendido para o cavalheiro por vinte mil dólares.
Todos aplaudem e o próximo item é apresentado.
— O que a Townsend vai fazer com um final de semana em Vermont? — Pergunto curiosa.
— Eles não vão fazer nada, porque fui eu que comprei, não a empresa. Já eu, pretendo fazer muitas coisas em Vermont...Com você. — Ele diz me olhando tão intensamente e com um sorriso tão safado, que sinto o meio das minhas pernas ficar completamente molhado.
Engulo em seco e tenho que me lembrar de onde estamos para não começar a gemer com as imagens que sua promessa me provocam.
— Volto em um minuto. — Sussurro para ele e me levanto. Preciso ir ao banheiro, tenho que fazer xixi e verificar se minha calcinha não está encharcada ao ponto de manchar o tecido do vestido. Não que minha excitação fosse ficar visível no tecido escuro, mas não quero andar por aí com uma mancha úmida.
Abro a porta do banheiro e o encontro vazio, vou até uma das cabines e cuidando com o vestido, sento-me e faço o que tenho que fazer. Olho para minha calcinha e como eu já imaginava, ela está com uma mancha enorme. Culpa de Joseph, porque ele tem que me excitar apenas com um olhar, ou com um sorriso, ou com o seu jeito de falar?
Me limpo e arrumo o vestido, abro a porta da cabine e vou lavar minhas mãos na pia. Quando estou terminando de seca-las, a porta do banheiro se abre. Pelo espelho vejo Blanda, meu corpo fica tenso na hora.


2 comentários:

  1. Aeeeeee vc ta de voltaaaa
    O q essa babaca pretende com a demi? Olha se tocar num fio d cabelo dela, vai haver sangue das tripas da blanda no chao u.u

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  2. Uhuuuul
    Que bom que voltou!
    Posta logoo

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