terça-feira, 28 de abril de 2015

CAPÍTULO 48

Não sei por que não estou conseguindo falar com Demetria. A última vez que eu falei com ela foi antes de ontem.
Ontem de dia eu tentei entrar em contato, mas seu telefone estava desligado, imaginei que pudesse estar estudando então não liguei mais, então de noite eu estava em Wills Point jantando com minha família depois de ter uma longa e esclarecedora conversa com meu pai, lhe enviei uma mensagem dizendo que passaria a noite na fazenda e só voltaria para Dallas pela manhã, mas ela não me respondeu.
E agora isso, estou o dia todo ligando para ela e seu celular continua desligado, não sei o número do seu apartamento e nem se ela tem telefone fixo, nunca perguntei.
Por isso, assim que sai do trabalho fui direto para UTD. Preciso saber se aconteceu alguma coisa, porque nós estávamos bem e ela não tem motivos para estar me ignorando. E também estou louco para finalmente lhe confessar que eu estou apaixonado por ela, e estou ansiosa para ver qual será sua reação. Acho que se ela me dissesse que também gosta de mim eu explodiria de felicidade.
Bato na porta do seu apartamento e infelizmente sua desagradável colega abre a porta.
— Olá, bonitão. Você de novo por aqui? — Ela abre um sorriso lento e predatório quando me vê parado a sua frente, e eu juro que sinto um frio na espinha.
— Olá, Demetria está?
— Está, mas não sei se ela vai querer falar com você. — Ela diz colocando a mão na cintura.
— É que aquela lá não sai do quarto a dois dias. Nem para ir ao banheiro ou tomar banho. — Ela diz fazendo uma careta de nojo.
— Como assim não sai do quarto? Ela não foi as aulas, não comeu?
— Não que eu saiba, eu não a vi sair do quarto nem uma única vez.
— Mas o que aconteceu, ela está bem? — Pergunto e sinto a preocupação e o medo de que algo a tenha acontecido me deixando desesperado.
— E como é que eu vou saber? — Ela pergunta com descaso.
— Você não foi verifica-la? E se ela está desmaiada lá dentro ou algo assim? — Pergunto indignado com a falta de sensibilidade e querendo estrangular essa mulher. Se algo aconteceu com Demetria eu vou mata-la por não ter a ajudado.
— Vou vê-la. — Passo por ela e entro no apartamento mesmo sem ser convidado. Ela dá um passo desiquilibrado para trás e então fecha a porta.
— Não sei o que alguém como você está fazendo com ela. — Ela diz, me fazendo parar no meio do caminho.
— O que? — Pergunto me virando para ela.
— Você é gostoso demais, merece alguém melhor do que ela. Você sabe que eu poderia te oferecer muito mais diversão, não é? — Ela diz ronronando, numa tentativa patética de ser sensual, e se aproxima de mim. Se fosse em outros tempos, eu provavelmente teria aceitado sua proposta. Mas agora ela só me enoja, e eu me pergunto se foi assim que ela seduziu Harry e fez com que ele traísse Demetria, ou talvez ela nem precisou ter trabalho com ele, aquele cara é um filho da puta e é nojento igual a essa mulher. Eles se merecem.
— Não existe nada, absolutamente nada que você possa me oferecer. E você está errada, ela é quem merece alguém melhor do que eu. E merece uma colega de quarto melhor também, uma que não seja uma vadia louca e nojenta que fica se oferecendo para o primeiro cara que encontra. — Digo e me afasto, mas não sem antes ver sua expressão de choque pelas minhas palavras.
Vou até o quarto de Demetria e bato na porta.
Demetria, você está me ouvindo? Sou eu Joseph.
Alguns segundo se passam e eu bato de novo.
— Vá embora. — Um sopro de voz vem de dentro do quarto.
Demetria, você está bem? Abra a porta, você precisa comer.
Nenhuma resposta.
Demetria, se for verdade o que aquela mulher disse, você não sai daí de dentro há dois dias. Você precisa abrir a porta e me dizer o que está acontecendo, baby.
— Só vá embora, por favor. — Ela responde.
— Não, Demetria. Você precisa me dizer o que está acontecendo, estou tentando falar com você desde antes de ontem, mas seu celular só dá desligado. Converse comigo, me conte o que aconteceu. Por favor.
Dessa vez ela não responde.
— Por favor, estou ficando preocupado.
Escuto um barulho vindo de dentro do quarto, depois a chave na porta e então silêncio de novo.
Giro a maçaneta e entro no quarto escuro, procuro pelo interruptor e acendo a luz. Meus olhos viajam pelo quarto e encontram Demetria encolhida na cama.
Fecho a porta e vou correndo até ela, sento-me da beirada da cama e a olho.
Seus cabelos estão desgrenhados e seus olhos vermelhos, como se ela tivesse passado esse dois dias chorando. Sua aparência está abatida e suspeito que seja pela falta de alimento.
— O que aconteceu, baby? — Pergunto com a voz calma e baixa, já que ela parece tão frágil, como se fosse se quebrar a qualquer momento.
— Não quero falar sobre isso, só me deixe sozinha. — Ela diz com fiapo dolorido de voz e isso corta meu coração. Sou capaz de fazer qualquer coisa para tira-lhe a dor e faze-la voltar a ser aquela Demetria sorridente e alegre.
— Isso está fora de questão. Conte-me o que aconteceu e quem sabe eu possa ajuda-la, hum? — Digo e acaricio seus cabelos.
— Você não pode, ninguém pode. — Ela sussurra.
— Diga, o que aconteceu? Você está me preocupando, baby. — Digo agora acariciando sua bochecha.
Só quero puxa-la para meu colo e ficar segurando-a e protegendo-a de tudo que possa machuca-la.
— Foi ele. — Ela diz e eu mal consigo ouvi-la.
— Hã? Ele quem?
Harry. — Ao ouvir esse nome congelo. Retiro minha mão de seu rosto e trago-a novamente para junto do meu corpo.
Vários sentimentos me dominam. Raiva, ciúmes e medo são os mais dominantes.
— Ele te fez alguma coisa? — Pergunto com ódio.
— Ele me confessou que Camila não foi a única mulher com quem ele transou quando estava comigo. Ele confessou que ficou com uma garota na mesma festa em que tínhamos ido juntos, ele me deixou sozinha e foi transar com outra, e a idiota aqui achando que ele tinha ido conversar com os amigos. — Ela começa a chorar.
— Filho da puta. — Sinto meu ódio por esse cara crescendo cada vez mais. Fecho os punhos e os aperto com raiva, mas aí um sentimento muito mais desagradável me domina quando percebo uma coisa.
Eu estava certo. Demetria ainda gosta de Harry, não estaria desse jeito se não gostasse.
Ciúmes e um enjoo horrível tomam conta de mim, tão forte que conseguem até sobrepor a raiva que estou sentindo daquele pedaço de merda.
— Por que ele foi te dizer isso justo agora? — Pergunto tentando com todas as minhas forças não demostrar a tristeza que estou sentindo.
— Ele disse que queria ser honesto comigo para que possamos ser amigos.
— E dá onde ele tirou essa ideia que vocês seriam amigos? Que idiota. — Digo debochando dele. Esse cara é um fodido mesmo, que ódio.
— É porque nós meio que já éramos amigos de novo. — Ela diz e parece um pouco envergonhada ao dizer isso.
Suas palavras me pegam de surpresa, e parece que eu acabei de levar um soco no estômago. Mais raiva, ciúmes e tristeza vêm como uma onda.
— Como assim? — Pergunto com medo.
— Ele me procurou um tempo atrás e disse que queria que voltássemos a ser amigos. E eu aceitei.
“Ela tinha voltado a ser amiga dele esse tempo todo? Conversando e saindo com ele de novo?”
Ah meu Deus, isso dói. É claro que ela ainda ama ele, eu fui tão idiota de achar que não. Mesmo ele sendo um filho da puta e magoando-a, ela o ama. Ela só está me usando para tentar esquece-lo, é claro. Como eu sou idiota. Ela ama ele, não eu, ela nunca vai sentir nada por mim.
Luto para que as lágrimas que eu quero tanto derramar não caiam, não posso chorar na frente dela. Não posso mostrar que me importo e que saber dessa amizade me machuca tanto assim.
— Ah. — É a única coisa que eu consigo dizer sem quebrar e começar a chorar.
— Desculpa, eu sei que isso pode te incomodar, por causa daquela vez que ele te bateu.
— Tudo bem. — Digo desviando o olhar dela, sabendo que se eu mentisse olhando em seus olhos eu não aguentaria.
Ela acha que o único motivo para eu me importar é por causa daquela noite que o canalha me atacou - noite, aliás, que terá volta – mas nem passou por sua cabeça que eu não gostaria de vê-la com ele porque eu sentiria ciúmes, por que eu gosto dela. Ela não entendeu nenhum dos meus sinais.
— Não vamos falar dele, vamos falar de você. Você tem que voltar para as aulas, tem que sair desse quarto e tem que comer, Demetria. — Digo depois que consigo me controlar o suficiente para não correr o risco de chorar na sua frente.
— Eu não estou com fome. — Ela diz desanimada.
Demetria... — Me deixa tão triste vê-la sofrendo, ainda mais sabendo que é por causa dele.
— Eu só quero ficar sozinha agora. Prometo que amanhã eu volto a ir para a aula.
— Tudo bem, mas você tem que comer alguma coisa agora. Eu vou preparar algo para você.
— Não, não quero nada...
— Sem discussão. Você vai comer alguma coisa, vai sair desse quarto e amanhã vai voltar a assistir as aulas e a sua vida normal, entendido?
— Entendido.
— Ótimo, eu vou preparar algo para você comer e enquanto isso você vai tomar um banho.
— Mas...
— Sem mas, vá logo. Você não pode ficar trancada nesse quarto para sempre.
— Seu chato. — Ela diz se levantando da cama.
— Sou chato por que me preocupo com você.
— Você podia se preocupar menos. — Ela diz indo para o banheiro e fechando a porta.
“Eu poderia ‘menos’ muitas coisas com relação a você, Demetria. Poderia te amar menos, por exemplo. Deveria te amar menos. Assim não seria tão doloroso.”
Vou até a cozinha e graças a Deus não encontro com Camila, a cobra deve estar de volta ao seu ninho, também conhecido como quarto.
Vasculho a geladeira e os armários e decido que como ela não come há dois dias, é melhor preparar algo leve e sem gordura. Então faço um sanduiche natural.
Quando Demetria sai do banho sua expressão está um pouco melhor e seus olhos não mais tão inchados. Faço-a comer na cozinha e me prometer que mais tarde, quando eu já tiver ido embora, ela vai comer mais alguma coisa.
Sirvo um copo cheio de suco de laranja e a observo comer e beber tudo.
— Você não precisa ficar me observando para ver se eu vou comer tudo, como uma criança.
— Eu sei, mas eu gosto de te ver comer. — Digo sem querer e ela me olha estranhamente por um segundo.
Se ela soubesse que eu gosto de observa-la fazendo qualquer coisa. Principalmente comendo, rindo, dormindo e o melhor de todos, gozando.
— Prontinho, comi tudo, viu? — Ela diz de forma petulante mostrando o prato e o copo vazios.
— Essa é a minha garota. Agora tenho que ir. Mas não se esqueça, você me prometeu comer algo mais tarde e a voltar a ir as aulas amanhã. Mas como eu sou muito chato, vou te ligar para garantir que você faça as duas coisas. — Ela revira os olhos e me acompanha até a porta.
— Tenha uma boa noite, a gente se vê amanhã. E se precisar de alguma coisa, me ligue, qualquer horário, ok? Não deixe aquele filho da mãe fazer isso com você. — Dou-lhe um beijo na testa e vou embora, com o coração pesado como uma âncora.

A manhã toda passou muito devagar. Assim que acordei liguei para Demetria para garantir que ela tinha comprido sua promessa e tinha ido para a aula. Fiquei feliz ao ouvir vozes no telefone e uma Demetria mal humorada dizendo que estava no meio da aula. Fiquei mais tranquilo por ela não estar mais trancada, mas ainda assim, triste pelo motivo de tê-la deixado naquele estado de ontem.
Constatar que a mulher que você ama, ama outro, não é algo muito agradável e me tirou o sono ontem à noite. Fique abraçado com o travesseiro que tem o seu cheiro, mas nem isso acalmou a tempestade que estava minha mente e meu coração.
Agora já é quase hora do almoço e tenho que ir me encontrar com Carlson Thompson. Espero que ele finalmente marque um dia para assinar esse maldito contrato.
Mesmo não sendo hoje o dia de assinarmos os papeis, ele pediu para que eu levasse algum advogado da empresa, que ele levaria o seu. Assim poderíamos discutir o que quer que seja que o está segurando com relação a essa parceria.
Então entro em meu carro e sigo na direção do caro restaurante onde temos uma mesa reservada. O advogado que eu escolhi foi Mike, além de ser meu amigo é o melhor advogado que a Townsend possui, mas essa manhã ele está resolvendo alguns assuntos fora do escritório e deve nos encontrar no restaurante.
Por causa do transito chego apenas alguns minutos antes do horário marcado, e torço para que o Sr. Thompson não esteja adiantado alguns minutos. Deixa-lo esperando não é algo nada bom.
— Olá, estou aqui para encontrar uma pessoa. — Digo para a recepcionista do luxuoso restaurante.
— Possui reserva, senhor?
— Sim, está no nome de Carlson Thompson.
Ela confere o nome no seu aparelho eletrônico, levanta seu olhar novamente para mim com um sorriso de desculpas.
— Sinto muito, mas a mesa ainda não está pronta. Gostaria de esperar no bar, temos as melhores bebidas.
— É claro.
— Quando sua mesa estiver pronta, mando chama-lo, senhor.
— Tudo bem, obrigado. — Digo e sigo em direção ao bar.
O bar está praticamente vazio, também, é hora do almoço. Sento-me no banco de madeira envernizada e com acento de couro, e como estou aqui a trabalho e sei que provavelmente terei que tomar vinho no almoço, peço apenas uma dose de Martini.
Rapidamente o garçom entrega minha bebida e eu a bebo calmamente, olhando o relógio de vez em quando, e procurando o Sr. Thompson e Mike, mas nenhum dois chegou ainda.
Deposito o copo vazio em cima do balcão e como a azeitona que veio junto com o drink.
Escuto alguns barulhos de salto alto no mármore do chão, que são mais evidentes porque como havia dito, o bar está quase deserto e está muito silencioso.
— Quanto tempo, docinho. — Escuto uma voz feminina atrás de mim.
Congelo na hora ao reconhecer aquela voz doce e sensual e tão, tão familiar.
Viro-me e dou de cara com ela. A louca perseguidora que eu não via há anos, e que está sorrindo maliciosamente para mim.

Blanda Eggenschwiler. 

Hummm é Joe teu passado te condena....

6 comentários:

  1. nao gostei, Joe nao conseguiu se declarar e ainda acha que a Demi gosta do outro..ela so ta magoada pq foi enganada por mto tempo....é o q acho
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  2. Concordó con a Lala, mas acho que isso dele achar que ela nao bosta dele pode ser um motivo a mais para ele tomar a iniciativa de conquísta-la. Acho que seria legal ele fase do um milhao de cosas e ela súper ja dele... Sei la, iría ser um sufrimiento bom

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  3. Eu so acho que Blenda poderia ser atropelada no proximo capitulo e que Demetria poderia ser um POUCO mais esperta.
    Pooooosta looogo

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  4. N acredito qu joe n se declarou pra demi, e ainda por cima que ele acha que ela ainda gosta de harry, e ainda que banda apareceu, posta logo quero ver o que vai acontecer

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