terça-feira, 4 de junho de 2013

CAPÍTULO 2


A pele de Demi se arrepiou, mas ela tentou ignorar a emoção intensa que sentiu na presença do homem. Também ignorou o conselho de Rob. Não pretendia se perder numa noite de paixão com ninguém... muito menos com um estranho. Especialmente uma noite após o funeral de seu irmão, ainda mais especialmente quando nunca experimentara nenhum tipo de paixão em seus 22 anos. Rob, apesar de toda a intuição que alegava ter, parecia achar que Demi era tão liberal quanto ela fingia ser. Mas aquela era um fachada para se auto preservar, que criara para evitar os comentários depreciativos de Taylor, e também para evitar atenção indevida na boate.
Com todas as intenções de ir embora, ela virou-se para descer do banco... mas, antes que se desse conta, tinha se virado para onde o homem estava de pé ao bar. Sentindo-se absurdamente compelida, olhou para cima e deparou-se com um anjo caído, que a encarava de volta. Com olhos que pareciam verdes e dourados sob longos cílios pretos. E sobrancelhas pretas. Maçãs do rosto altas. Uma boca que atraiu o olhar de Demi e o manteve ali. Ela foi tomada pelo bizarro desejo de pressionar seus lábios contra aquela boca, sentir seu gosto e textura. Algo que nunca quisera fazer com qualquer homem antes... jamais.
Isso tudo aconteceu em segundos. Juntamente com a percepção de que ele possuía ombros largos e devia ter mais de 1,80m. Pela postura arrogante, Demi soube que ele tinha o tipo de corpo que faria Rob babar. Usava um sobretudo pesado, mas, por baixo, uma camisa aberta no colarinho evidenciava a pele bronzeada e alguns pelos escuros.
Demi não podia compreender o calor que se instalou em seu baixo-ventre, enquanto eles se entreolhavam pelo que pareceu séculos. Ela arfou e sentiu tontura. E ainda estava sentada!
De algum lugar distante, veio uma voz:
― Senhor?
O homem esperou por um longo momento antes de olhar para Rob. Demi sentiu como se tivesse sido suspensa no ar, e agora estivesse voltando a Terra. Era uma estranha sensação. A voz dele era baixa e profunda. E então Rob estava pondo outra dose de uísque na sua frente e gesticulando para o homem com uma expressão travessa nos olhos.
― Do cavalheiro.
Rob distanciou-se, assobiando, e Demi o amaldiçoou silenciosamente enquanto começava a protestar:
― Oh, não... eu já estava indo embora...
― Por favor. Não vá embora por minha causa.
A voz profunda tinha um sotaque delicioso e Demi não pôde evitar olhá-lo novamente. Desta vez, a sensação de calor que experimentou se espalhou por todo seu corpo, e, quando ele sorriu, o salão pareceu girar. Ela decidiu permanecer sentada por mais um momento.
― Eu... ― começou, de modo pateticamente ineficaz.
Ele tirou casaco e sobretudo, revelando a camisa de seda branca, e o corpo que Demi suspeitara existir estava agora muito evidente. Sentou-se no banco ao seu lado, efetivamente prendendo-a, tornando sua tentativa de escapar desconcertante. Ela estava lutando uma batalha perdida, e sabia disso. Ali, em meros segundos, aquele completo estranho tinha despertado seu corpo adormecido por 22 anos e Demi parecia não conseguir se mover ou formar uma sentença coerente.
― Bem... certo, então. Beberei o drinque que você me trouxe ― murmurou ela, e acomodou-se melhor no banco, esperando colocar alguma distância entre os dois.
Ele angulou o corpo na sua direção e Demi pegou o copo, com a intenção de beber num único gole antes que se dissolvesse de vez. Mas então ele falou novamente, atrofiando seu cérebro.
― Qual é o seu nome?
Ainda segurando o copo, ela o fitou.
― Demetria. Demetria Lovato.
Ele a estudou por um longo momento, os olhos enigmáticos.
― Demetria...
Ela enrubesceu perante o jeito como ele pronunciou seu nome, quase como um termo carinhoso.
― Demetria ― repetiu ela, mas sem aquele sotaque que ele usara, e que tivera o poder de fazer sua pele se arrepiar.
O que estava lhe acontecendo? Seria o choque dos últimos dias? As palavras sugestivas de Rob? Seu sofrimento? Pois, embora não pudesse dizer que amava seu irmão, ou até mesmo que gostava dele ― não depois que anos de abuso tinham destruído tais emoções ―, não seria humana se não tivesse lamentado que agora perdera sua família inteira. Todavia, sofria mais por Selena, a namorada de seu irmão, que também morrera no acidente.
O homem arqueou uma sobrancelha preta.
― De onde você é?
― Irlanda. Estou indo embora para lá amanhã. Moro aqui desde que tinha 16 anos, mas voltarei para casa agora.
Demi sabia que estava tagarelando, mas ele a olhava com tanta intensidade que a enervava, causando-lhe sensações que ela nunca experimentara antes.
Ele ergueu o copo.
― Um brinde ao recomeço. Nem todos são afortunados o bastante para recomeçar a vida.
Demi ouviu a irritação na voz do homem, mas ele estava sorrindo e aquilo a confundiu. Ela bateu o copo no dele e o tinido produzido pareceu restaurar um pouco de sua sanidade. Deu um pequeno gole em seu drinque e sentiu-se cedendo à inevitabilidade daquela conversa, daquele homem.
― E você? Qual é o seu nome e de onde você é? ― Ele levou um longo momento para responder, como se estivesse considerando alguma coisa, deixando-a nervosa. Finalmente falou:
― Eu sou da Itália... Joe. Prazer em conhecê-la.
A menção do nome do país a perturbou momentaneamente. Selena era da Itália: Sardenha. Ela forçou-se a respirar. Era apenas uma coincidência, mas uma dolorosa. Ele estendeu uma mão, com dedos longos de aparência forte e capaz. Relutantemente, Demetria estendeu a sua, muito menor, mais branca, e sensível.
Uma mão grande envolveu a sua, os dedos descansando sobre as batidas frenéticas do interior de seu pulso.
Impotente contra a onda de sensação que o toque lhe causou, Demi podia jurar que suas pupilas haviam se dilatado naquele momento. Joe parecia similarmente capturado por alguma emoção. Uma expressão dura cruzou o rosto bonito antes de desaparecer, quando ele sorriu novamente, fazendo-a acreditar que ela imaginara aquilo. Seu sorriso era lento, sexy e devastador.
Oh, Deus.
Demi finalmente recolheu a mão e colocou-a debaixo da perna, dizendo a si mesma que não estava tremendo. De repente, precisava de espaço daquela intensidade. Desceu do banco, seu corpo roçando o dele por um momento e esquentando sua pele.
― Com licença, eu preciso ir ao toalete. Sobre pernas trêmulas, ela se apressou em direção à boate cheia; a música, antes abafada pelas grossas cortinas de veludo, agora alta demais. Demi entrou no banheiro e fechou a porta com alívio, descansando as mãos sobre os azulejos frios. Olhou para seu reflexo, meneando a cabeça. A distância do homem estava fazendo pouco para acalmar sua pulsação ou amenizar o rubor em seu rosto. A imagem de Joe estava perturbadoramente viva nos olhos de sua mente.
Por que isso estava lhe acontecendo? Justamente nessa noite? Ela não tinha nada de especial. Cabelos loiros na altura dos ombros e lisos, olhos castanhos, pele branca, branca demais.. Um corpo desengonçado. Nenhuma maquiagem. Era isso que via no espelho. Uma estranha euforia a pegou de surpresa. Iria finalmente para casa no dia seguinte, para longe de Londres, onde nunca se sentira em casa. O fato de que aquela boate e seus funcionários pareciam um lar desde que ela deixara Dublin após a morte de seus pais dizia tudo.
Mas, então, a terrível memória do acidente voltou para assombrá-la. Toda cor foi drenada de seu rosto quando uma imagem vivida da noite chuvosa e do carro vindo na direção deles passou em sua cabeça como um filme de horror, juntamente com sua incapacidade de impedir aquilo, de gritar a tempo de avisar Taylor. E, mesmo se tivesse gritado... Demi segurou-se no balcão da pia, enquanto uma dor profunda a consumia.
Ela olhou para baixo. Como podia ter se esquecido, mesmo por um segundo, dos eventos catastróficos de poucos dias atrás? O acidente fora tão grave que os paramédicos haviam declarado que era um milagre que ela tivesse sobrevivido.
Joe. Seu coração parou e recomeçou a bater. Ele a fizera esquecer-se do horror por um breve momento. Demi olhou para seu reflexo novamente, ignorando o brilho intenso em seus olhos. Não duvidava que ele tivesse ido embora quando ela retornasse. Conhecia bem o tipo de Joe. Ele não esperaria por alguém como ela. Os homens que frequentavam aquela boate eram, na maioria, homens ambiciosos da cidade, que podiam pedir o champanhe mais caro e conseguir as mulheres mais lindas.
Todavia, Joe não tinha dado essa impressão. Parecia sofisticado demais para isso. Sem dúvida, era rico ― Demi podia reconhecer isso de longe ―, e o mero pensamento a fez estremecer. Conhecera milionários suficientes para uma vida inteira, tendo passado a desprezar o poder que eles exerciam, o estilo de vida que almejavam. Contemplou pedir que um dos funcionários pegasse sua bolsa, para evitar vê-lo novamente, mas então reprimiu o medo tolo. Lidaria com a situação, se Joe ainda estivesse lá ou não...

Ao entrar na seção VIP, todavia, todos os pensamentos recentes de Demi desapareceram.
Ele tinha ido embora.                                                                                    

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Oi vim dar tchau! acho que vou vomitar meu coração, já mencionei meu pavor  á avião, pois é, teve algumas mudanças de planos em relação a minha viagem e irei ao Rio de Janeiro semana que vem e não irei mais a Manaus, então vou ficar fora uns dias até significativos mais vai ser rápido prometo que assim que voltar posto para vocês, então não entendi porque da duvida mais Taylor é homem e irmão mais velho,ou pior castigo da Demi, bom estejam preparadas para derramar muitas lágrimas porque o negócio vai ser tenso!
ontem derramei muitas, mais por motivos que não irei dizer para evitar mais julgamentos que já recebi nos últimos 2 anos, apenas não julguem ninguém pelos erros do passado por que somos humanos e estamos dispostos a errar, mais Graças que vou passar esses dias foras e não farei besteiras, comentem!      

segunda-feira, 3 de junho de 2013

CAPÍTULO 1



Seis dias depois
— Mas, Rob, eu estou bem para trabalhar, e só voltarei para Dublin amanhã. ― Demi não conseguiu evitar o tremor de sua voz. Ainda se sentia abalada.
Seu bom amigo notou isso também, comum arquear sardônico da sobrancelha.
― Certo, eu acabei de ver um porco voando lá fora. Sente-se neste banco agora, antes que caia. Você não irá trabalhar na sua última noite aqui. Eu lhe prometi seu salário de duas semanas, e você ainda tem as gorjetas para receber.
Demi estava prestes a apontar que não trabalharia durante as duas semanas de aviso prévio, mas viu a expressão dura no rosto bonito dele, e observou-o servir uma dose de uísque antes de colocar o copo na frente dela, sobre o balcão do bar.
― Beba, mesmo atrasada. Você parecia prestes a desmaiar no funeral ontem.
Demi desistiu de lutar e sentou-se no banco alto. O ambiente escuro, quente e familiar. Aquele local tinha sido seu lar pelos últimos anos, e uma onda de emoção a preencheu diante da gentileza de seu velho amigo.
― Obrigada, Rob. E obrigada por ter ido comigo ontem, eu não acho que teria conseguido sozinha. A sua presença lá, assim como a de Barney e Simon, significou muito para mim.
Ele estendeu o braço e cobriu-lhe a mão com a sua.
― Querida, nós nunca deixaríamos você passar por isso sozinha. Taylor se foi agora. Acabou. E aquele acidente não foi culpa sua, portanto, não quero ouvir mais uma palavra sobre isso. É um milagre que ele não a tenha matado também. Você sabe muito bem que era, somente uma questão de tempo antes que alguma coisa acontecesse.
Sim, mas eu poderia ter tentado mais arduamente detê-los... proteger Selena... pensou Demetria, e sorriu com fraqueza. As palavras de Rob eram para tranquilizá-la, mas tinham mexido com emoções sempre presentes. A culpa terrível por não ter sido capaz de impedir que Taylor dirigisse naquela noite. Ela fora no carro com eles num esforço de ser a sóbria, de ser aquela que se certificaria de que eles não fossem descuidados...
Mas Rob não precisava saber disso. Ela sorriu novamente, esperando fazê-lo acreditar que estava bem.
― Eu sei.
― Esta é minha garota. Agora, beba isso e você se sentirá muito melhor.
Demi obedeceu, torcendo o nariz quando o líquido queimou sua garganta. Ela sentiu o efeito imediatamente, uma sensação calmante em sua barriga. De modo impulsivo, inclinou-se sobre o bar e puxou Rob na sua direção, beijando-o de leve nos lábios e abraçando-o. Ele era tão querido. Vinha cuidando dela por tanto tempo. Demi não podia contemplar como sua vida teria sido vazia e desesperançada sem a amizade de Rob.
Ele a abraçou apertado, antes de afastar-se e beijar-lhe a testa. Então olhou para trás de Demi e disse:
― Parece que os primeiros clientes estão chegando.
Demi virou-se e viu uma figura alta através da abertura nas cortinas pesadas que isolavam o bar VIP do resto da boate. Por alguma razão, um estranho tremor a percorreu, mas ela o ignorou e voltou-se para Rob. Até agora, o estabelecimento estivera abençoadamente calmo. Ela decidiu que iria embora em breve.
Precisava arrumar seus poucos pertences a fim de voltar para casa em Dublin, e estar pronta pela manhã, quando o advogado chegasse para tomar posse das chaves do apartamento. Subitamente, a ideia de voltar para aquele apartamento enorme, vazio e sem alma a fez tremer, enquanto se recordava da visita que recebera na noite anterior, sozinha naquele apartamento, após o funeral. Aquilo era algo de que estava fugindo, a última semana tendo sido quase terrível demais para suportar.
Taylor, seu irmão, não a deixara com nada, exceto as roupas que ela vestia agora. Desde que os pais deles tinham morrido e ele ficara com sua irmã mais nova de 16 anos, Taylor deixara claro que não gostava da obrigação fraternal. Mas logo aprendera a usar a presença de Demi em sua vantagem, vendo-a como um tipo de empregada da casa. Ela não esperara nada mais, todavia ainda foi um choque descobrir que Taylor não apenas tinha débitos astronômicos, mas que, no mesmo instante que eles haviam sido pagos...
Rob chamou-a de volta ao presente, falando baixinho:
― Querida, não olhe, mas aquela figura alta que estava espiando através da cortina agora mesmo é a mais divina espécie de homem. Eu não o rejeitaria na minha cama, com certeza.
Por algum motivo misterioso, Demi sentiu aquele tremor estranho novamente, e também se sentiu um pouco constrangida em seu vestido justo de jérsei. Ela o colocara porque pensara que ia trabalhar, mas agora tentava puxá-lo para cobrir mais as coxas. Questionou sua própria reação por um momento, mas, então, atribuiu-a à privação de sono dos últimos dias e ao choque que sofrera recentemente.
Sorriu para Rob, satisfeita pela distração.
― Ora... você diz isso sobre todos os homens.
Rob balançou a cabeça, uma expressão reverente no rosto.
― Oh, não. Este... não é como nenhum que já vi antes... E, infelizmente, minha intuição infalível me diz que ele é heterossexual.
Rob endireitou o corpo.
― Ele está vindo aqui. Deve ser alguém importante. Demi, querida, sente-se e sorria. Um pouco de flerte e uma noite com um homem como ele farão você esquecer tudo sobre seu irmão tirano, acredite. Porque uma coisa é certa... você nem mesmo se lembraria do seu próprio nome. É exatamente o que devia fazer agora... divertir-se um pouco antes de ir para casa.
E, então, Rob voltou a atenção para o estranho misterioso, cuja presença Demi sentiu ao seu lado, e disse alegremente:
― Boa noite, senhor. Em que posso ajudá-lo?
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Oi e aí o que acharam dessas primeiras informações da fic? como eu já disse ela é um romance dramático, Joe não é ruim mais vai dá vontade de matá-lo as vezes, Demi coitada vai pagar pelos erros do irmão ....vou parar aqui se não perde a graça, e então quanto ao personagem de Wilmer ele não aparece ele é apenas citado algumas vezes mais vai ser importante no decorrer da história por isso disse que ele ia ser uma espécie de vilãozinho, há e os personagens vamos conhecendo com o tempo já deu pra ver um pouco de Demi então comentem!    


domingo, 2 de junho de 2013

SINOPSE E PRÓLOGO

 SINOPSE:

Ele a seduziu por vingança... E agora teria de levá-la ao altar!
O multimilionário Joseph Jonas acreditava que Demetria Lovato desempenhara um papel importante na desgraça de sua irmã. Por isso, não mediria esforços para fazê-la pagar, mesmo que tivesse de seduzi-la para depois revelar sua identidade e finalmente abandoná-la. Mas Demi não havia feito nada de errado. Chocada e arrependida por ter dado sua virgindade a um homem impiedoso como Joseph, ela descobriu que estava grávida! E agora teria de atender a mais uma cruel exigência dele: o direito de possuí-la mais uma vez... desta vez como esposa!


PRÓLOGO



Joseph Jonas permaneceu de pé por um longo momento, olhando para as feições frias de uma mulher morta. Sua irmãzinha. Ela tinha apenas 24 anos. A vida inteira pela frente. Todavia, não mais. Aquela vida fora roubada num horrível acidente de carro. E ele chegara tarde demais para impedir isso, para protegê-la. O que parecia um bloco de granito pesava em seu coração.
Ele devia ter seguido seus instintos e insistido que ela fosse para casa semanas atrás... Se o tivesse feito, teria percebido o perigo que sua irmã estava correndo.
O pensamento o fez cerrar os punhos quando dor e culpa o assolaram, com tanta força que Joseph tremeu com o esforço necessário para não extravasar seus sentimentos na frente do atendente do necrotério. Tinha sido mantido longe deliberadamente. Um estratagema cruel para garantir que ele não fosse ver sua irmã. Quando pensou no quanto aquilo o fazia se sentir fútil, quis correr e fugir, esmagar alguma coisa. Lutou para recobrar controle. Precisava levar sua irmã para casa. Ele e seu pai vivenciariam o luto lá. Não nesse país frio, onde ela havia perdido a inocência, e sido conduzida por um caminho sombrio que levara ao trágico final. Joseph estendeu uma mão trêmula e deslizou um dedo pelo rosto gelado de sua irmã. A ação quase o desfez. O acidente não lhe marcara o rosto, e isso tornava a dor ainda mais difícil de suportar, porque, daquela forma, ela poderia quase ter oito anos novamente, agarrando a mão de Joseph com força. Controlando-se, ele inclinou-se e beijou-lhe a testa sem vida.
Endireitando o corpo, virou-se abruptamente, dizendo com voz sofrida:
― Sim. Esta é minha irmã. Selena Jonas. ― Uma parte sua não podia acreditar no que estava acontecendo, que aquilo não passava de um horrível pesadelo. Ele deu um passo atrás para permitir que o atendente subisse o zíper do saco de cadáver.
Joseph murmurou alguma coisa inteligível e saiu da sala, sentindo-se claustrofóbico, seguindo seu caminho através do hospital, querendo chegar do lado de fora e respirar ar fresco. Embora isso fosse impossível. O hospital ficava bem no centro nebuloso de Londres.
Do lado de fora, ele respirou fundo diversas vezes, inconsciente dos olhares que atraía com seu corpo alto e forte, feições bonitas e pele cor de oliva. Parou como uma estátua exótica de masculinidade potente contra o pano de fundo do hospital na luz da manhã.
Contudo, não via nada além da dor em seu interior. O médico descrevera aquilo como um acidente trágico. Mas Joseph sabia que tinha sido muito mais que um acidente. Duas pessoas haviam morrido na colisão: Selena... sua irmã linda, correta e amada... e o namorado enganador dela, Taylor Lovato, o homem que a seduzira de maneira calculista, com uma mão agarrando a fortuna de Selena e a outra segurando Joseph para que ele não interferisse. Ira o percorreu. Ele não suspeitara da perspicácia e influência de Lovato até que fosse tarde demais. Sabia agora, mas essa informação era incapaz de trazer Selena de volta.
Contudo, uma pessoa sobrevivera ao acidente. Uma pessoa tinha saído daquele hospital uma hora depois de ter entrado na noite anterior. As palavras do médico lhe voltaram à mente:
― Nem mesmo um único arranhão no corpo... inacreditável. Ela era a única usando cinto de segurança, o que, sem dúvida, salvou-lhe a vida. Mulher sortuda.
Mulher sortuda. As palavras aumentaram a raiva de Joseph. Demetria Lovato. A irmã de Taylor. Relatos declararam que Taylor estivera ao volante do carro, mas nem por isso Demetria Lovato tinha sido menos responsável. O maxilar de Joseph enrijeceu. Se ele tivesse chegado lá mais cedo, teria informado Demetria que pretendia fazê-la pagar por aquilo. Ele tivera de suportar o momento devastador quando o médico lhe dissera que um alto nível de drogas e álcool havia sido encontrado no organismo de sua irmã.
Seu chofer, que devia tê-lo avistado nos degraus do hospital, parou na sua frente, o motor do carro ligado. Joseph forçou-se a se mover e entrar no veículo.
Durante o trajeto, tentou reprimir o desconhecido sentimento de pânico. Ela estava morta, se fora para sempre. Joseph tinha ciência de que essa era a primeira vez em anos que alguma coisa penetrava o muro de ferro que ele construíra ao redor de suas emoções. De seu coração. Tornara-se forte e impenetrável desde aquela época. E precisava buscar tal força agora. Principalmente por seu pai. Ao ouvir a notícia da morte da filha amada, seu pai sofrera um pequeno derrame e ainda estava no hospital... embora estável o bastante para permitir que Joseph fizesse aquela viagem.
Sua mente voltou para a mulher que tivera participação em causar esse terrível dia trágico. O irmão dela estava morto. Mas ela não era menos responsável do que ele pelo que eles haviam planejado juntos. Joseph sabia que não descansaria até que a forçasse a sentir parte da dor que ele sentia no momento. O fato de que Demetria saíra do hospital tão rapidamente depois do acidente tomava o sentimento amargo ainda mais forte. Ela fugira impune.
Ele precisava esperar agora... pelos papéis, pela burocracia, antes que pudesse levar sua irmã para casa, onde ela seria enterrada com seus ancestrais muito antes de seu tempo.
Joseph olhou para as ruas movimentadas, para as pessoas cuidando de seus afazeres diários sem uma única preocupação no mundo. Demetria Lovato era uma dessas pessoas. Naquele momento, ele soube que a procuraria e a faria pagar por sua manipulação desonesta.
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Tá ai gente como prometido, postei, acho que não ficaram muito felizes com o final,não é? mais gente acho que o importante é a mensagem da história e também o final ou resto da vida do personagens vocês imaginem como quiser, desculpa mais não fiz epílogo pra ela, espero que gostem dessa nova,e adiantando a Demi vai comer o pão que o Diabo amassou, e tem vez que vão querer matar Joe.       




CAPÍTULO 103 MARATONA FINAL ULTIMO



Ainda dava para ouvir a música tocando quando me sentei num dos bancos de madeira do jardim. A melodia de Frank Sinatra penetrava pelas grossas paredes da mansão, me trazendo um milhão de lembranças felizes. Fechei os olhos e não foi surpresa, afinal, vovô aparecer ali, ao meu lado, sorrindo.
- Eu sabia que você ia encontrar – disse ele, satisfeito.
Sorri para ele.
- Pelo menos agora eu sei que você mudou de ideia em relação a me deserdar.
Ele inspirou profundamente.
- Eu nunca quis te deserdar. Não de verdade. Só estava furioso demais quando o Clóvis redigiu aquele testamento ridículo. Aquele documento não devia ter validade, não devia ter sido registrado, mas o Clóvis fez isso sem que eu soubesse. Você me conhece, Demetria. Você achou mesmo que eu seria capaz de ser tão rígido com você? Eu nunca consegui!
- Mas e as cartas? Como o Clóvis conseguiu aquelas cartas?
Ele sacudiu a cabeça.
- Foi um golpe de sorte do Clóvis. De fato, eu pretendia ver você nos corredores da L&L, sempre quis ver minha neta em uma das empresas, você sempre soube disso. Eu pretendia estar lá para te auxiliar, mas, por causa do aneurisma, não sabia quanto tempo tinha. Eu já estava velho – ele deu de ombros. – Tive medo de não poder te ajudar como gostaria e deixei algumas cartas com a Inês, caso eu faltasse. Ela entregou ao Clóvis logo que parti, sem saber que com isso estaria ajudando aquele homem a enganar você.
- Então ainda vou receber algumas? – perguntei, animada.
Ele sorriu, e um brilho de diversão surgiu em seus olhos.
- Quando chegar a hora certa, Demetria.
- Você insistiu para eu contar tudo ao Joe porque sabia que ele ia enxergar o que eu estava deixando escapar, não foi? Porque sabia que ele é um Sherlock Holmes disfarçado de administrador de empresas.
Vovô riu.
- O Joe é muito perspicaz. Um rapaz de ouro! Você não poderia ter escolhido um homem melhor.
Suspirei.
- Pensei que nunca mais fosse ver você – murmurei.
- E perder seu primeiro discurso? Que tipo de avô acha que eu sou? – ele fingiu indignação.
Sorri um pouco. De alguma forma, eu sabia que aquela era a última vez que o veria. Talvez fosse o brilho em seus olhos, ou a pequena ruga na testa, que demonstrava apreensão, mas ele estava me deixando. Para sempre dessa vez.
- Não sei como te dizer adeus – balbuciei, lágrimas obstruíam minha visão.
Os olhos castanhos se tornaram ainda mais gentis.
- Não é definitivo, Demetria. Eu sempre estive ao seu lado, e sempre estarei.
- Ah, vovô! – me estiquei em sua direção, me abraçando em sua cintura e enterrando a cabeça em seu peito. Então ele sorriu, estendeu a mão, que dessa vez era quente como antigamente, quase em chamas,e tocou meu rosto. E eu senti seu toque. Senti as dobras de sua pele, seu calor adorado. Ele deslizou o dedo sobre meu nariz, me obrigando a levantar a cabeça, como costumava fazer quando eu era criança, depois pousou a palma em minha bochecha.
- Não existe amor maior do que o de um pai por sua filha, ainda que ela não seja biologicamente sua – ele sorriu. Um sorriso pleno, feliz. – Eu te amo, Demetria, como avô, como pai. Um amor absoluto, que não morre nunca, nem quando o corpo se extingue.
- Eu te amo, vovô – solucei.
- Não é o fim, Demetria. É apenas um recomeço. O começo de um novo tempo. Estarei por perto. Nunca se esqueça disso! Estarei ali, perguntando: “O que será que ela vai aprontar hoje?”
Eu ri em meio às lágrimas.
- Você sempre foi minha maior riqueza – ele sorriu. – Procure ficar longe de confusão e tente ser feliz.
- Prometo – cobri a mão que descansava em minha bochecha com a minha, absorvendo tudo que ele me oferecia. Paz, conforto, amor. Eu estava repleta de amor puro naquele instante – vou fazer o impossível para te deixar orgulhoso, vovô. Eu juro!
- Mas, Demetria... – ele abriu um sorriso enorme e beijou minha testa, e os lábios eram quentes e macios, como sempre foram – eu já estou! – Como uma explosão de estrelas, uma luz quente me envolveu, me obrigando a fechar os olhos, aquecendo meu corpo e meu coração antes de se dissipar, deixando a mais cálida paz em seu lugar.
Quando abri os olhos ainda úmidos, eu estava sorrindo. Eu sabia que não havia ninguém ao meu lado, mas eu não estivera sozinha. Dessa vez, eu não tinha dúvidas. Meu avô estivera ali. Fosse um sonho ou qualquer outra coisa incompreensível, pouco me importava. Eu sabia que ele estivera ali comigo, e isso me bastava. Eu me sentia bem, feliz, mais experiente, mais vivida. Adulta! Naquele momento eu me sentia pronta para qualquer coisa, sentia que aguentaria seja lá o que fosse que a vida estivesse me reservado. Sorri, me levantando para voltar para a festa e procurar por Joe, porém não fui muito longe. Ele atravessou a porta da cozinha a passos largos e se pôs a correr assim que me viu.
- Rápido! Vamos fugir antes que alguém perceba a sua falta – e enlaçou minha cintura, afundando a cabeça em meu pescoço. – Você estava incrível em cima daquele palco.
- Acho que eu estava verde. Coisa horrível de se ver. Mas, como não vomitei em ninguém, acho que me saí bem.
Ele interrompeu as carícias em meu pescoço e levantou a cabeça.
- Você estava muito verde. E indescritivelmente linda! Mas já vou avisar. Se o nosso casamento for parecido com essa noite, as pessoas levando você pra longe de mim o tempo todo, vou ser obrigado a te sequestrar e nos casaremos, só nós dois, sem ninguém para atrapalhar, em uma ilha isolada em algum lugar do mundo. E pouco me importa o que os outros vão pensar!
- Ah, Joe. Você diz as coisas mais lindas... mas a Sel e a Miley iam me matar se a gente fugisse. As duas estão enlouquecidas com a festa. Elas me enchem o saco porque eu nunca quero opinar sobre nada, a cor dos guardanapos, o tipo de flor que eu prefiro...
- Espero que esse desinteresse não seja sinal de que você mudou de ideia – sua testa franziu.
- Eu tenho coisa melhor para me ocupar – passei os braços em seu pescoço - E você acha mesmo que eu ainda tenho essa alternativa? Depois de tudo, você acha mesmo que dá pra ser feliz sem você por perto?
- E pensar que a felicidade estava num anúncio de jornal... – ele sacudiu a cabeça, fingindo consternação.
- E eu, que só queria a minha vida de volta, acabei essa história com dois casamentos nas costas. Quem poderia imaginar que eu ia encontrar o amor dessa forma...?
- Ah, eu soube desde o começo. Eu sabia que você era a mulher que ia amar até o fim dos meus dias quando vi aquela cópia da sua bunda – ele brincou, me mantendo segura em seu peito musculoso. – Como não me apaixonar por uma garota atrevida como você? Só se eu fosse louco!
Era difícil descrever meu estado de euforia. Era como sentir tudo ao mesmo tempo, só que multiplicado por dez. Eu olhava para Joe, que sorria apaixonado, me fazendo promessas silenciosas de uma vida plena. Eu havia acabado de prometer a vovô que faria o possível para ser feliz, e ali estava eu, agarrada à minha chance.
Nesse momento, talvez porque eu ainda estivesse pensando nele, vindo do nada, uma pequena borboleta – azul – flutuou ao nosso redor. Uma vez, duas, três voltas completas antes de descansar em meu antebraço. Joe a olhou fascinado, e eu... bom, eu a olhei com outros olhos. Eu não tinha mais medo. Acabei rindo ao pensar como fora desatenta. “Eu sempre estivesse ao seu lado”, vovô dissera. Agora eu entendia.
- Não estou aprontando nada – sussurrei para ela.
A borboleta abriu as asas azuis, e – se isso não fosse impossível – eu poderia apostar que ela estava rindo. Então ela voou, tocou a testa de Joe, em seguida a minha, como se estivesse nos abençoando, e sumiu na escuridão dos arbustos.
- Isso foi um sinal – disse Joe. – Não é a primeira vez que uma dessas cruza o nosso caminho.
- Nem vai ser a última. – Eu sabia que ela voltaria. Muitas e muitas vezes! – Agora me explica melhor seu plano para me tirar daqui – e afundei os dedos em seus cabelos macios.
O brilho em seus olhos me ofuscou por um ou dois segundos.
- Você esta falando sério? Porque, assim que eu colocar o plano em ação nada vai poder me deter – ele ameaçou.
Colei minha testa à sua.
- Estou ouvindo, camarada...
Ele sorriu enormemente, alcançou meus sapatos, que estavam esquecidos no chão, calçou-os em meus pés – seus dedos se demoraram um tantinho em minhas pernas – e se endireitou, passando um braço em minhas costas e outro em meus joelhos, me aconchegando em seu colo.
- Primeiro, vamos sair daqui de fininho. Eu deixei o meu carro já embicado na garagem. Não sei por que pressenti que talvez a gente precisasse sair correndo – ele sorriu, malicioso. – Então, quando estivermos em segurança no nosso apartamento, eu te mostro o resto do meu plano fenomenal.
Passei os braços ao redor de seu pescoço, me prendendo a ele, e ri, mas alguém gritou, chamando por mim.
- Joe, solta a Demetria. Agora – ordenou Miley. – Ela tem que falar com os jornalistas. Eles estão esperando há horas!
Ele a ignorou, apertando o passo. Minhas pernas sacudiam, frouxas, no ar. Um dos meus sapatos caiu.
- Meu sapato... – resmunguei.
- Compro uma dúzia deles pra você – ele prometeu, acelerando ainda mais.
- Joe! – Miley tentava nos alcançar. – Preciso dela só por mais um minutinho! Coloca a Demetria no chão, por favor!
- Desculpa, Miley. Mas eu preciso da Demetria nesse momento. É caso de vida ou morte! – ele continuou apressado pelo gramado, rumo a garagem.
- você já tem a Demetria para o resto da vida, pra que tanta pressa? Jooooooe!
Ele riu, me acomodando melhor em seu peito largo, olhando em meus olhos com adoração.
Para o resto da vida. Que destino mais cruel o meu e, ainda sorrindo, se inclinou para me beijar.

FIM!
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Meninas lindas do meu coração chega ao fim a segunda fic do blog, em 2 meses maravilhosos, agradeço de coração o tempo em que vocês "gastam" aqui lendo, comentando, e sei que nem sempre podem comentar porque todos temos nossas obrigações fora daqui, saibam que pra mim isso é um local onde fujo da minha realidade, obrigações, compromissos,problemas, muitos problemas quero dizer, e que foi muito divertido ler seus comentários, sentir a ansiedade de vocês, a emoção e agradeço as novas seguidoras que vem sempre comentando, as anonimas também são bem importantes, e dona Eriimiilsa senti sim sua falta já ia fazer uma campanha para lhe encontrar e lhe entendo perfeitamente, os estudos nessa fase são bem puxados, passo por isso também, espero que sempre que puder  comente será sempre bem vinda como todas. Espero que realmente tenham gostado da fic e que gostem mais ainda da próxima, fiquem com Deus e logo,logo volto com uma surpresa!     

CAPÍTULO 102 MARATONA FINAL PENÚLTIMO




Num vestido azul de mangas curtas com o comprimento até o meio da coxa e calçando malditos saltos altos, me senti nua quando todos os rostos se voltaram para me analisar. Fiquei gelada. Juro que quase vomitei quando subi dois degraus que levavam ao pequeno palco num canto da sala – com Joe ao meu lado – e me deparei com o microfone à minha frente. Eu não podia fazer aquilo.
Não consigo.
- Chuta a bunda desses malas – Joe cochichou em meu ouvido, antes de beijar minha testa e descer do palco improvisado.
E, de repente, consegui. Pensei em vô Marcus – que desaparecera dos meus sonhos – e em quanto eu o amava, quanto queria ter me despedido direito dele. Eis que a chance estava diante de mim.
Clareei a garganta e comecei:
- Boa noite. Eu sou Demetria Devonne Lovato, neta de Marcus Lovato. Muitos de vocês devem me conhecer desde que eu tinha cinco anos. Eu era aquela pirralha de quem o vô Marcus corria atrás, pedindo que não jogasse bolo na cara de ninguém. Eu não sei se todos vocês estão achando essa festa tão estranha quanto eu. Talvez estejam. Uma festa que reúne tanta gente do Conglomerado Lovato sem o vô Marcus é como... como se faltasse o aniversariante, ou o noivo não aparecesse no casamento... – sorri, nervosa.
Recebi muitos sorrisos complacentes. Encontrei Sel exibindo uma careta divertida, me encorajando, Nicholas ao seu lado assentiu. Hector, Suzana, Janine – Espanador, Inês com seus óculos de tartaruga, até Joyce, aquele doce de pessoa, sorriam me incentivando. Miley, num canto do salão, levantou o polegar e piscou um olho. Liam me observava com uma expressão debochada e para minha surpresa, os pais de Joe estavam ali e, a julgar pelo buraco entre eles, Justin também.
Isso tudo ajudou, mas foi o dono de um certo par de olhos verdes, parado ao lado da janela francesa, com as mãos enfiadas nos bolsos da calça, usando apenas paletó e camisa, sem gravata, os cabelos ligeiramente desgrenhados, que me encheu de certezas. Joe me lançou um pequeno sorriso, meio torto, cúmplice, que me inundou de coragem e determinação. Sorri de volta.
- O vovô adorava festas – continuei, encarando-o. Era mais fácil fingir que eu falava apenas com ele que com toda aquela gente. – Dizia que eram as noites mais especiais do ano, em que podia reencontrar velhos amigos e fingir que tinha trinta anos outra vez. Se estivesse aqui hoje, ele estaria rindo, falando com todos,
saindo sorrateiramente para fumar seu charuto as escondidas. “Eu não fumo, Demetria!”, ele diria com o rosto corado quando eu o flagrasse. E mais tarde, no fim da festa, depois que todos os convidados tivessem partido, ficaríamos os dois aqui, ele pediria um pouco de bolo e comeríamos sentados no chão, e ele me perguntaria o que achei do seu discurso. – Então eu vi a cena toda. Uma lembrança tão vívida que mais parecia um filme. Vi a mim mesma, pequena em um vestido cheio de laços e rendas, sentada no chão com a cara suja de glacê. Vovô, ao meu lado, sorria satisfeito, com a cara tão suja quanto a minha. – Às vezes ele me tirava pra dançar – e lá estávamos nós dois, eu sobre seus pés, me sentindo importante e muito adulta aos oito anos. Depois, aos quinze, desengonçada e descoordenada, rodopiando nos braços gentis de vovô. – E outras vezes ficávamos apenas ouvindo a orquestra tocar, um apoiado no outro, exaustos – e me veio a imagem da última festa, em que vovô, já sentindo o peso da idade, se manteve sentado numa cadeira, um braço em meus ombros, minha cabeça em seu peito, como se estivéssemos assistindo a um concerto. Minha garganta se fechou com as lembranças felizes. – Foi isso que fizemos todos esses anos. Estou contando essas coisas porque queria que todo mundo aqui conhecesse o vô Marcus como eu conheci. O homem simples, decente e honrado, que jamais usou ninguém para alcançar o sucesso, que adorava se deitar ao meu lado pra ver desenho animado nos momentos de folga, que fazia questão de me levar para escola todas as manhãs, mesmo se tivesse que adiar alguma reunião importante. Um homem correto, que me dava bronca por falar palavrão, mas que às vezes deixava escapar alguns quando dava uma topada... e o vovô dava muitas topadas. Um avô que me fez entender que é preciso respeitar as regras e dizer a verdade sempre... – suspirei, ainda presa aos olhos iridescentes de Joe – mesmo que doa. Um avô que foi pai, mãe, amigo, que enfrentou a perda do filho e da nora sem jamais desmoronar, para que eu pudesse ter um porto seguro. Imagino quanto isso deve ter custado a ele, mas esse era o meu avô, sempre se colocando em segundo plano para que eu pudesse ser feliz. E eu fui muito feliz – sorri, piscando, tentando desobstruir a visão embaçada pelas lágrimas.
- Prometo fazer tudo que estiver ao meu alcance para me tornar a mulher que ele sonhou – continuei. – Vou dar o melhor de mim para que vocês, acionistas e funcionários, se sintam felizes por trabalharem comigo. Vou me esforçar para um dia ocupar o lugar de vô Marcus honradamente. Até lá, Hector Simione, que todos já conhecem de longa data, permanecerá nesse posto. Então, como essa é a primeira vez que o vô Marcus não está aqui... de corpo presente... – porque eu sabia que, de alguma forma, ele podia me ouvir – eu gostaria de concluir dizendo o que ele não se cansou de repetir no final de seus discursos. Bebam, comam, se divirtam esta noite, porque amanhã, meus amigos, a batalha continua e todos voltamos para o mundo real.
Fui aplaudida enquanto engolia as lágrimas. Ouvi Nicholas assobiar alto ao lado de Sel, abafando seu “Uhuuuu!”, e não pude evitar o sorriso. Joe assentiu, sério, parecendo a ponto de explodir de orgulho. Fui abordada por muitas pessoas ao descer do pequeno palco. Jornalistas enfiaram microfones na minha cara e eu mal conseguia respirar.
- Quando você percebeu que o advogado estava tramando contra você?
- É verdade que o Sr. Clóvis Hernandez está louco devido à pancada que levou na cabeça?
- Você vai exigir uma auditoria no conglomerado todo para saber se há outros envolvidos no esquema de desvio de dinheiro?
- Você foi mesmo convidada para posar nua numa revista masculina?
- Por que decidiu se casar com seu ex-marido?
Quando finalmente fiquei livre – graças a Miley e seus cotovelos formidáveis , tentei chegar até onde Joe estava, mas não pude. Dezenas de diretores e acionistas me cercaram, me parabenizando e me enchendo de perguntas que eu ainda não sabia como responder. Quase tropecei em Denise e Paul quando me livrei deles. Os pais de Joe me cumprimentaram com abraços e sorrisos, já Justin...
- Quer dizer que além de linda você também é podre de rica. Meu irmão tirou a sorte grande – ele me lançou um sorriso sedutor.
Paul lhe deu um tapa na cabeça.
- Por favor, Justin. Você me prometeu – implorou.
- Desculpa, eu só estava dizendo que não entendo como Joe conseguiu arrumar uma gata dessas, mas tudo bem. E prometi que não vou voltar ao assunto do primeiro casamento deles, para o qual nós não fomos convidados. Eu não voltei ao assunto, voltei? Alguém aqui me ouviu falar sobre como fomos excluídos do casamento?
- Justin, para – ordenou Denise, visivelmente constrangida. – Nós entendemos tudo, Demetria, não dê ouvidos ao Justin. Nós compreendemos e não ficamos magoados – ela me assegurou.
- Uma ova que não! – o garoto reclamou.
Paul suspirou.
- O importante é que tudo acabou dando certo pra vocês – ele disse.
- Que estão felizes. Nunca vi o Joseph tão feliz assim. Você faz bem pra ele, querida – e sorriu.
- É, ele também me faz bem. Muito bem, na verdade. Hã... Cadê ele? – me estiquei, procurando, desesperada para encontrá-lo.
- Bem ali – apontou Denise.
Lá estava ele, lindo como sempre, rodeado de homens engravatados, com Hector ao seu lado gesticulando sem parar. Hector andava muito empolgado e sempre que tinha chance narrava como “vira a morte de perto”. Pela cara entediada de Joe, ele repetia a história toda mais uma vez.
Joe me flagrou observando-o – ou talvez eu o estivesse comendo com os olhos, o que era bem mais provável – e sorriu sedutor, vindo em minha direção, mas poucos passos depois foi detido por um dos diretores árabes. Aquele que o ajudara a provar as falcatruas de Clóvis. Quase pude ouvir seu suspiro de frustração, mesmo estando vários metros de distância.
Voltei para Justin.
- Mas me conta, Justin, como tá seu pé? Seu irmão me disse que você anda sentindo umas pontadas.
O garoto abriu um sorriso enorme.
- Ta doendo pra cacete! A Dra. Olenka pediu alguns exames, mas ela acha que o inchaço entre as vértebras diminuiu e que os nervos estão se religando. Talvez em dois ou três anos eu já esteja andando por aí, então se quiser adiar o casamento pra ter mais opções... – e deu uma piscadela.
- Cara, você é um pé no saco! – ri.
- Eu sei – ele ajeitou a gola da camisa. – Todas dizem a mesma coisa.
- Demetria, o pessoal de Abu Dhabi quer falar com você – anunciou Miley, se desculpando com um sorriso com a família de Joe pela interrupção.
Os olhos de Justin a estudaram de cima a baixo. Duas vezes.
- Nem pense nisso – o alertei.
Despedi-me da família de... da minha nova família e segui Miley, tentando chegar até Joe. Mas, antes que eu pudesse encontrá-lo, para em seguida falar com os diretores árabes, minha melhor amiga no mundo apareceu bem na minha frente.
- Ah, Demi! – Sel passou os braços em minha cintura. – Você estava tão linda! Estou tão orgulhosa de você! Nem uma gota de vômito na plateia. Arrasou, garota! – e riu.
- Foi bacana? De verdade?
Ela ficou séria abruptamente.
- Foi lindo, Demi. Você não faz ideia de como estou orgulhosa. Acho que você... – seus olhos amendoados brilharam, úmidos – você cresceu.
- Já era hora, não era?
- Era sim – ela me abraçou com tanta força que quase não pude respirar.
Eu também estava orgulhosa de mim e de tudo que havia conseguido, porém não conseguiria sozinha. Joe enviara à polícia uma série de relatórios que comprovavam que muito dinheiro havia sido desviado para um banco na Suíça em nome de Telma Hernandez, esposa de Clóvis, que aparentemente não tinha conhecimento dos negócios escusos do marido. Ela fora convidada pela polícia a dar algumas explicações, mas Joe achava que ela não teria complicações graves, já que era apenas a laranja.
Blanda também ficara bastante encrencada com a colaboração que dera ao plano de Clóvis. Ela também teria que dar explicações à polícia e, principalmente, à diretoria da L&L, que estava descontente com o ocorrido e considerava demiti-la. Não me opus. Qual é? Eu ainda tinha que acertar contas com aquela garota. Foi por isso que sugeri – sem maldade alguma – que ela fosse remanejada para o sexto andar, sala treze, até que os diretores decidissem o que seria feito dela. O horror estampado em seu rosto enquanto deixava a sala da diretoria e se encaminhava ao sexto andar quase me deu pena. Quase.
Já Clóvis estava bastante enrascado. Além de ameaça, desvio de dinheiro e supressão de documentos, havia agora a tentativa de homicídio para completar as acusações. Hector decidiu visitá-lo – grande homem, o Hector – e ficou um pouco triste ao ver o antigo amigo se comportando de maneira atípica. Clóvis exigira um padre para confessar seus pecados, balbuciava sem parar “O fim está próximo” e pediu perdão a Hector uma dúzia de vezes. Louco, foi a palavra que Hector usou para descrevê-lo, mas eu tinha minhas dúvidas. Talvez Clóvis tivesse mesmo enlouquecido, mas eu desconfiava de que tudo não passava de encenação, de um golpe muito inteligente para não ir para a cadeia. Sabe como é, não dá para confiar em advogado...
Após tomar posse legal do que era de vô Marcus e eu não sabia o que fazer com aquilo tudo , convidei Hector para comandar as empresas, permanecendo no posto que fora de vovô, à frente do Conglomerado Lovato, até que eu pudesse aprender tudo, o que levaria décadas. Ele relutou um pouco, mas acabou cedendo diante da minha persistência e da de Joe e aceitou o cargo. Entretanto, me tornei membro da diretoria após Joe apresentar um projeto de fidelização de cliente baseado nas minhas ideias de troca de embalagens. Claro que fora ele quem fizera praticamente tudo, especialmente os gráficos e as planilhas, mas ele não quis por crédito pelo trabalho e apresentou como se fosse um projeto meu. O projeto foi aprovado, em material promocional com a nova campanha de fidelização estaria nas ruas.
Miley se tornou meu braço direito na empresa. Ela estava radiante, e muito disso se devia a Liam, que finalmente tomara coragem e a convidara para um cineminha. Ela não soube me dizer sobre o que era o filme a que assistiram juntos.
Finalmente foi aprovado o aumento salarial que eu tanto queria, mesmo que agora não precisasse mais dele. Fiquei contente ao ver muitas caras alegres pelos corredores L&L.
Era um bocado de coisas boas. Eu estava feliz com tudo que havia feito, por ter conseguido retomar as rédeas de minha vida. Por ter conquistado Joe de maneira irremediável.
Tornei a procurá-lo na grande sala abarrotada de gente, mas, sempre que eu tentava me aproximar dele, algo me levava na direção oposta, até que o perdi de vista. Fiquei presa com os árabes por muito tempo, tanto que, se não agisse rápido, teria que amputar os dois pés, que já começavam a gangrenar naqueles saltos. Na primeira oportunidade, dei uma fugidinha, ainda procurando por Joe, mas ele não estava em parte alguma.
Saí pela porta lateral da sala e fui para o jardim, tirei os sapatos e afundei os pés na grama fresca, me sentindo aliviada. Olhei a mansão iluminada e movimentada, cheia de vida novamente. Em poucas semanas, aquela casa seria redecorada e haveria centenas de crianças correndo por todo lado. Sorri feliz. Vovô teria gostado disso. A Fundação Marcus Lovato estava prestes a ganhar vida. E, graças a ela, centenas de crianças e jovens teriam a oportunidade de estudar e se aperfeiçoar em alguma área – para o caso de, sei lá, algum dia precisarem fazer planilhas, por exemplo, e não confundirem o código com o preço. Aquele era o meu melhor projeto, e Joe me ajudara e apoiara em tudo, como eu sabia que faria.
Além disso, Mazé estaria no comando e era impossível descrever seu entusiasmo ao cuidar daquelas crianças. Eu não podia imaginar alguém melhor para o cargo.
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Agora quero muitos comentários pois é o penúltimo gente, e só voltarei em 45 minutos porque além de mim tem um bando de inúteis(meus melhores amigos) de ressaca aqui em casa que ainda estão dormindo e tenho que acordá-los, o pobre do meu namorado e uma das minhas amigas que estão aqui segurando as pontas porque eram os motoristas da rodada e estão limpos e eu estou aqui só o caco, comentem!