domingo, 8 de novembro de 2015

CAPÍTULO 77

Joseph
— Com licença Sr. Jonas. — A recepcionista do prédio onde trabalho me chama quando passo por ela logo no começo da manhã.
— Sim, Marilu?
— Ann...Tem uma mulher aqui que gostaria de falar com o senhor.
— Quem?
— Blanda Thompson, senhor. Ela tentou subir no seu andar, mas foi impedida pelos seguranças porque sua secretária disse que tinha ordens para não deixa-la subir, porém, não podemos impedi-la de ficar lhe esperando no saguão. — Ela me diz com um sorriso de desculpas.
— Entendi. Obrigada, Marilu. — Dou lhe um sorriso desanimado, meu dia já azedou.
Viro-me na direção do saguão onde vejo algumas pessoas em pé e algumas outras sentadas nos sofás de couro. Não demora muito e eu reconheço os cabelos negros de Blanda, solto um suspiro impaciente e vou em sua direção.
— O que você está fazendo aqui? — Paro na sua frente e tento perguntar com uma voz contida, mas é difícil disfarçar a raiva que sinto.
Ela levanta o olhar e um sorriso venenoso se espalha por seus lábios, ela levanta-se do sofá, deixando seu corpo muito próximo do meu. Dou um passo para trás, o que parece diverti-la ainda mais.
— Vim falar com você, docinho. — Deus, meu estômago embrulha toda vez que ela me chama assim. É impressionante como as coisas mudam, no passado ela costumava me excitar como nenhuma outra, agora ela me enoja como muitas outras.
— Você já se esqueceu da conversa que tivemos aquele dia no meu escritório? Eu não quero te ver nunca mais, Blanda.
— Como eu poderia me esquecer daquele dia? Do nosso beijo... — Ela diz com um sorriso dengoso, sua mão alisando meu terno.
— Não existe isso de ‘nosso’ beijo. Você me beijou a força e foi horrível.
— Você gostava tanto dos meus beijos antes. Principalmente quando eu te beijava aqui embaixo... — Ela diz escorregando sua mão em direção à braguilha da minha calça. Seguro sua mão com força e a afasto de mim. Olho para os lados para ver se alguém percebeu seu movimento ousado.
— Pare com isso, Blanda.
— Docinho, não precisa fingir que você não gosta disso.
— É mais do que não gostar, eu odeio isso, e eu te odeio. Você me lembra de um passado que eu luto diariamente para esquecer. — Por um breve momento vejo magoa passar por seus olhos, mas logo ela disfarça e aquele brilho impertinente retoma seu lugar.
— Muito bem, você definitivamente quer isso do jeito difícil, não é? Eu te dei todas as chances possíveis, Joseph, mas você insiste em me recusar, em me humilhar, como naquele dia no seu escritório. É, eu me lembro bem daquele dia, me lembro também que eu lhe fiz uma promessa, e eu sempre cumpro com o que eu prometo.
— Você já teve a sua vingança infantil, você prejudicou minha carreira, agora me deixe em paz.
— Agora quem parece que não se lembra daquele dia é você. Já se esqueceu do que eu te disse? Isso apenas começou Joseph, aquele contrato foi a primeira coisa que você perdeu.
— Você não pode mais me prejudicar. — Digo confiante, mas é apenas uma fachada, a verdade é que eu estou com medo. Medo porque Blanda está com aquele olhar determinado de quando ela quer algo e não há ninguém que possa impedi-la.
— Vamos ver o que eu posso fazer quanto a isso... — Ela diz remexendo em sua bolsa, olho curioso para ver o que ela procura. Ela sorri parecendo empolgada quando retira um celular da bolsa enorme que pende do seu antebraço.
Fico mais curioso ainda, descanso as mãos na cintura e olho impacientemente para Blanda.
— Diga-me Joseph, o que você acha que a sua namoradinha irá pensar quando ela ver... — Ela vira o celular na minha direção. — Isso. — Ela parece se deliciar com as palavras.
Olho a tela do celular, uma filmagem está passando. O ambiente é escuro e não consigo ver muita coisa, mas consigo distinguir vários corpos nus. Uma musica, tão alta que chega até meus ouvidos completamente distorcida, sai do aparelho que Blanda segura na altura do meu peito.
Quem está filmando está andando pelo que parece ser uma festa de swing, não sei por que meu corpo todo se arrepia, sinto meu coração batendo rapidamente e um nó em meu estômago se forma.
Algumas das pessoas dançam e outras fazem sexo, no sofá, no chão, em todo lugar. Começo a sentir um mal estar e sinto que estou suando frio.
A pessoa que filma anda, parece seguir por um caminho restrito, ela para em frente a uma porta e a abre, entra em um ambiente claro o suficiente para que eu veja que é um quarto. Com o barulho da musica alta abafada no quarto, os gemidos são audíveis. Uma sinfonia de gemidos sai do celular, estou tão horrorizado que não me importo se as pessoas mais próximas de nós também estão escutando o que parece o áudio de um filme porno. Ao se aproximar de uma cama, a filmagem mostra claramente dois homens e três mulheres. Quando reconheço o homem de joelhos na cama, comendo uma das mulheres que está de quatro com a cabeça enfiada no meio das pernas de uma segunda mulher, levo à mão a boca como se isso pudesse impelir a bile de subir. Sou eu nessa filmagem. Sou eu fodendo aquela mulher de quatro. De repente sinto um medo terrível, o que mesmo que Blanda disse, mostrar isso para Demetria?
Oh Deus não, ela não pode ver isso.
As coisas no vídeo começam a ficar mais ‘pesadas’, mas não consigo desviar o olhar, é como em um acidente de carro. Quando eu começo a fazer algo que eu não tenho coragem nem ao menos de falar, arranco o celular da mão de Blanda e pauso o vídeo. Olho para os lados e vejo algumas pessoas nos olhando com vergonha, curiosidade ou choque. É, acho que elas escutaram os gemidos obscenos. Pela expressão triunfante de Blanda, a minha reação era a que ela estava esperando.
— Como você conseguiu isso? — Minha voz não sai tão irritada quanto eu queria porque ainda estou muito abalado com a ideia de Demetria ver esse vídeo.
— Uma das festinhas que frequentávamos. Eu sabia que filmar você me serviria para alguma coisa algum dia.
Raiva, vergonha e medo começam a queimar dentro de mim, provocando uma chama muito perigosa. Aperto no botão de deletar, nunca mais quero ver essa filmagem na minha vida.
— Pode deletar, é claro que eu tenho outras copias. — Ela diz pegando o seu celular de volta.
— O que você quer? — Pergunto com os dentes cerrados, tenho medo de abrir a boca e acabar gritando com todas as minhas forças.
— Você ainda precisa perguntar? — Ela ri. — Eu quero você.
— Não acredito que você guardou durante todos esses anos esse vídeo, você é uma vadia louca, sabia?
Eu sabia que me seria útil em algum momento. E esse é o momento perfeito.
— Porque agora? Se você tinha isso com você todo esse tempo, porque me chantagear só agora?
— Porque antes não teria adiantado nada. Diga-me, se eu tivesse aparecido com esse vídeo alguns anos atrás, e tivesse ameaçado de mostrar para a sua família ou colocar na internet se você não ficasse comigo, o que você teria feito?
— Teria rido da sua cara. — Respondo sem pensar.
— Exatamente. Porque você não se importava com que os outros pensavam de você. Mas agora, você se importa, não é? Agora você está apaixonado e não quer que sua namoradinha veja com seus próprios olhos como você é pervertido, não quer que os pais dela vejam, estou certa ou não, Joseph? — Juro por Deus que o que eu mais quero no momento é tirar seu sorriso de vitória aos socos. Mas calma, Joseph, você não bate em mulheres, mesmo nas vadias como Blanda. E você está no seu emprego, se acalme. Fecho os olhos e respiro fundo, tentando controlar esse mar de diferentes emoções que se agita dentro de mim.
— Eu não sei o que você quer que eu diga. — Digo sentindo aquele sentimento horrível de impotência. Ela está certa, não posso conceber a ideia de Demetria ver esse vídeo. Uma coisa é falarem para ela o que eu fazia, outra bem diferente é ela ver com seus próprios olhos.
Eu não suportaria se ela desistisse de mim, se decidisse que eu não valho a pena, se ela percebesse que o meu passado é um fardo pesado demais para se carregar.
— Eu quero... — Ela guarda o celular e pega um pedaço de papel. — Que você me encontre nesse endereço, sexta às 21 horas.
Ela me entrega o papel, que vejo se tratar de um dos seus cartões de visita, com um endereço rabiscado em sua letra.
— Se você não estiver lá às 21 horas em ponto, eu vou fazer com que Demetria e toda a sua família vejam aquele filmagem. A decisão é sua. Até logo, docinho. — Ela se inclina e beija meu rosto. Estou tão aturdido que não reajo a sua aproximação, encaro-a fixamente enquanto se afasta e vai embora. Quando ela está fora do meu campo de visão sinto como se uma tonelada estivesse sobre meus ombros, me empurrando para baixo, sento-me no sofá e esfrego meu rosto com força onde ela me beijou. Sinto tanto nojo, como eu nunca senti antes em toda a minha vida.
“Deus, como eu pude me envolver com alguém como ela? Onde eu estava com a cabeça?”
Observo com pesar o cartão em minha mão. Não posso ceder e ir encontrar com Blanda, mas também não posso deixar Demetria ver aquelas cenas nojentas.
Ela é tão inocente, tão pura, tão delicada, não posso a expor a esse tipo de coisa. Ah meu Deus, o que eu faço?
Descanso a cabeça no sofá, encarando o teto decorado a cima de mim e tentando controlar o embrulho em meu estômago.


6 comentários:

  1. Espero que joseph n ceda a blanda, pq uma traição é sempre pior do q a vdd, posta logo please

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  2. Ainda bem que o Joe sente nojo da blanda,e pode ter certeza se ele ceder aos encantos da vadia,pode ter certeza ele vai apanhar tanto acho que principalmente do ian

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  3. Eita q treta hein. Já voltou arrasando

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  4. Quer matar do CORAÇÃO... Kd você que não aparece!!!

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  5. Por favor continua logo eu quero saber o que vai dar. Não some assim não por favor

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