domingo, 8 de novembro de 2015

CAPÍTULO 76


Demetria
Termino de almoçar e me encaminho para meu dormitório. Tenho uma prova difícil daqui a dois dias e tenho que usar todo o tempo vago que tenho para estudar para ela. Caminho pelo campus distraidamente. Chego ao meu prédio e subo as escadas lentamente, quando viro em meu corredor, levo um susto com a quantidade de flores que estão na frente da minha porta. Chego bem na hora em que Joseph está amarrando vários balões em formato de coração na maçaneta da minha porta.
Joseph? — Ele se assusta quando o chamo, mas sorri assim que me vê.
— Ah, oi amor. Como foram as aulas essa manhã?
— Bem, obrigada...Ann, Joseph, porque o meu corredor está parecendo uma floricultura? — Pergunto me aproximando dele, ainda encarando os diversos vasos e buquês de flores espalhados pelo chão. Têm rosas brancas e vermelhas, margaridas, tulipas coloridas e flores do campo. Sorrio ao perceber um ursinho grande no meio de todas essas flores, ele segura um coração que diz “eu só tenho olhos para você”.
Joseph se aproxima e laça minha cintura, me puxando para junto de si. Ele segura meu pescoço e junta sua boca com a minha. Me dá um beijo tão apaixonado, tão cheio de amor que eu me esqueço de tudo o que vem me atormentando desde aquele jantar maldito. Esqueço-me sobre o tal beijo entre ele e Blanda – o qual eu ainda não tive coragem de questiona-lo – esqueço-me de todas as mulheres com quem ele já esteve, esqueço-me de tudo que é ruim. Nesse momento só existe Joseph e eu. Quando ele se afasta estou ofegante e com os joelhos fracos. Só ele para ser capaz de me fazer sentir isso apenas com um beijo.
— Uma vez eu te disse que nunca poderia te dar flores e balões. Eu só queria que...Queria que você soubesse que eu mudei. — Ele diz e eu sinto meu coração inchar, tanto que eu acho que vai explodir.
— Ah, Joseph. — Digo sorrindo e acariciando seu rosto.
— Eu te amo Demetria, e pretendo me comportar como o idiota apaixonado que sou. Vou te dar flores, balões, ursinhos e tudo o que você quiser. Qualquer coisa para te provar que eu mudei e que eu te amo com todas as minhas forças.
Ele segura a mão que acariciava seu rosto e lhe dá um beijo.
Joseph, por favor, me leve para dentro daquele apartamento e faça amor comigo. — Peço em um sussurro.
— Tudo o que você quiser, minha linda, tudo o que você quiser.

Demetria, você pode levar isso lá para fora e colocar na mesa? — Mamãe pede.
— Claro. — Pego a travessa de vidro e me encaminho para a grande mesa com bancos de madeira que foi colocada atrás da casa, ao ar livre.
Hoje é domingo e decidimos fazer um grande almoço em família. Os  Lovatos e os Jonas, todos reunidos para um farto almoço junto das pessoas que amamos.
Papai está sentado na varanda bebendo cerveja com Ian. Sunny está com Wilmer – já o consideramos parta da família – e eu, mamãe e Nina estamos terminando de arrumar a mesa. Denise, Paul, Joseph, Nick e Selena ainda não chegaram. Estou colocando a travessa de salada de batatas na mesa quando escuto o barulho de rodas nos cascalhos na frente da casa.
Joseph.
Sorrio e saio correndo para recebê-lo.
Quando chego à frente da casa e vejo Harry saindo do carro, congelo no lugar. Não pode ser, eu devo estar imaginando. Que diabo ele está fazendo aqui?
Harry, o que você pensa que está fazendo aqui? — Pergunto furiosa enquanto me aproximo de seu carro. Não acredito que ele teve a cara de pau de vir até a minha casa.
— Você deve ir embora, agora. — Digo olhando-o severamente.
— Ele não vai a lugar algum, ele é meu convidado. — Escuto a voz de Ian atrás de mim.
— Como é que é? — Viro-me olhando chocada. Eu só posso ter entendido errado.
— Eu o convidei. — Ian repete.
— Como assim você o convidou, você está louco? — Ian se aproxima sem se deixar abalar pelo olhar fulminante que estou lançando para ele.
— Vocês me obrigam a ter que aceitar que aquele filho da mãe que você chama de namorado se sente na mesma mesa que eu. Então ele vai ter que aceitar que o meu convidado se sente nela também.
— Você não pode fazer isso. Isso aqui é um almoço de família. — Digo histérica.
— Eu tinha pedido para papai e mamãe se eu podia convidar um amigo, eles permitiram.
— Mas aposto que eles não sabiam que era Harry, não é? E desde quando você o considera um amigo? Você sempre o odiou, você só está fazendo isso para provocar Joseph. — Digo dando com o dedo em seu peito.
— Não importa meus motivos, ele é meu convidado e ele fica. — Ele volta seu olhar para Harry, que assiste nossa discussão quieto. — O pessoal está lá atrás, pode ir até lá Harry, sirva-se de cerveja e o que você quiser, fique à vontade.
— Obrigado, Ian. — Harry diz e se dirige para a parte dos fundos da casa, eu apenas o olho se afastar com a boca aberta, ainda não acreditando no que Ian está fazendo.
Não posso acreditar que ele esteja agindo dessa maneira. Meu Deus, alguém abduziu meu irmão e colocou esse clone incrivelmente idiota no lugar?
— Você tem que falar para ele ir embora, agora. — Emprego o máximo de autoridade na voz que consigo.
— Não. Ele fica.
— Porque você está agindo dessa maneira? Você não acha que deveria estar mais preocupado com a cirurgia da sua mulher do que agir como uma criança?
— Eu estou preocupada com ela, e estou cuidando para que ela tenha tudo o que precisa. Não precisa se preocupar.
— Ian, por favor. Você sempre odiou Harry.
— Eu não vou mudar de ideia, Demetria. — Ele diz se afastando.
Harry me traiu. — Digo e ele para. — Foi por isso que eu terminei com ele, porque eu o peguei na cama com a minha colega de quarto. — Vejo raiva passar por seus olhos.
— E ele já tinha me traído antes disso também. Eu odeio ele, Ian. Você convidou um cara que me fez sofrer, para perturbar um cara que me ama de verdade e só tem me feito feliz.
Ele me olha, mas não diz nada.
— Por favor, faça Harry ir embora antes que Joseph chegue. Pare de ser tão hostil, tão teimoso e tão infantil. Todos têm agido como adultos com relação à Joseph e eu, menos você. Você tem agido como uma criança mimada que está emburrada porque as coisas não saíram como queria.
— Ele fica. — Ele diz teimosamente.
— Eu vou falar com papai, ele vai fazer Harry ir embora. — Ameaço.
— Ele não vai expulsar um convidado meu.
— Eu não vou mais falar com você, você já magoou demais Joseph. Ele é seu amigo e está sofrendo com todo esse seu ódio, aí você pega e convida aquele cara para uma reunião de família, uma tarde que era para ser cheia de alegria, só porque você é egoísta e quer machucar o homem que eu amo. Eu não vou te perdoar por isso, esse não é o Ianque eu amo e admiro. — Digo magoada com sua atitude irracional e vou em direção aos fundos da casa.
Chegando lá vejo Harry com uma cerveja na mão, sozinho em um canto, olhando para os lados parecendo desconfortável.
Papai me olha com um olhar de desculpas, mamãe e Nina estão fingindo que tudo está perfeitamente bem e Sunny me olha confusa assim que entro em seu campo de visão.
Caminho determinada até Harry.
— Você tem que ir embora. Agora.
— Seu irmão me convidou, tenho o direito de estar aqui.
— Você não tem direito nenhum. — Digo elevando a voz. — Você sabe que ninguém te quer aqui, nem mesmo Ian, ele te convidou só para provocar Joseph.
— Sabe, eu não gostava do seu irmão tanto quanto ele não gostava de mim, mas depois que eu fiquei sabendo que ele deu uma bela de uma surra no seu namoradinho, acho que ele até que é um cara bem legal.
— Como é que você...Esquece. Você é um idiota, não acredito que eu cheguei mesmo a amar você. — Vejo seu rosto murchar e magoa passar pelo seu olhar. Poderia até sentir pena dele, se ele não fosse um idiota traidor.
— Você quer mesmo ficar em um lugar que você sabe não ser bem vindo?
— Eu quero ficar no mesmo lugar que você, não importa onde isso seja. — Ele diz dando um passo em minha direção e colocando sua mão em meu rosto, que eu rapidamente retiro.
Harry, só vai embora, por favor.
— Eu te amo, Demi.
— Eu não te amo mais, Harry.
— Eu posso fazer você voltar a amar.
— Não, não pode. Entenda isso de uma vez por todos e pare de agir como um perseguidor, vá viver sua vida.
— Eu não consigo tirar você da minha cabeça, eu penso em você o tempo todo. Eu sei o quanto eu te machuquei, eu sei o quanto eu fui um filho da puta, mas se você pudesse me dar só mais uma chance...
— Não, Harry não dá. Eu amo o Joseph, estou completamente apaixonada por ele, não quero mais ninguém além dele. E se você me ama tanto quanto você diz, você vai embora agora.
Ele me olha tristemente, leva sua mão até meus cabelos e os acaricia.
— Você não está sendo justa, você sabe que eu te amo de verdade.
— Então vá embora, agora.
Ele toma um gole da sua cerveja e deixa a garrafa na mesa.
— Tudo bem, eu vou, para mostrar que eu te amo. Me leve até o meu carro.
— Tudo bem. — Digo revirando os olhos e o acompanho de má vontade.
— Tchau. — Digo quando chegamos ao seu carro e me viro para voltar para minha família.
— Espera. — Ele segura meu braço.
— O que foi?
— Pelo menos me de um beijo de despedida.
— Então você vai parar de enrolar e vai embora? — Pergunto.
— Vou, prometo. — Solto um grunhido impaciente. Minha intenção é lhe dar apenas um beijo rápido na bochecha, mas quando meus lábios encostam-se na sua pele, ele me abraça e segura minha nuca. Vira o rosto e faz com que nossos lábios se encontrem, tudo em um movimento rápido demais para que eu possa reagir.
Sua língua tenta invadir minha boca e eu a mordo, fazendo-o me soltar e falar um palavrão enquanto leva a mão até a boca.
— Seu idiota, vá embora e não me procure mais. — Suas mãos seguram meus braços e ele me puxa com força para junto de si, nossas bocas separadas por poucos centímetros.
— Você não pode fazer ou dizer nada para que eu desista de você.
— Mas eu posso. — Escuto a voz grave de Joseph e me viro em sua direção. Ele está a poucos metros de nós e escutou tudo, Nick e Selena estão logo atrás dele.
— Largue a minha namorada, agora. — Ele diz com uma voz assustadora. Harry me solta e encara Joseph com um olhar arrogante.
— Sua por pouco tempo. — Ele diz sorrindo. Joseph quebra a distância com dois passos largos e agarra Harry pela camisa.
“Oh não! Meu Deus, porque Joseph tem sempre que se meter em alguma briga?”
— Se você chegar perto dela de novo, se você falar com ela ou olhar para ela, eu vou atrás de você, entendeu? — Joseph diz numa voz sombria. Nick se aproxima do irmão cauteloso, pronto para apartar uma briga se necessário.
— E eu vou estar te esperando.
Joseph. — Chamo-o e coloco uma mão em seu braço, ele me olha e suaviza a expressão imediatamente.
— Solte-o. — Peço e ele larga Harry no mesmo instante, dando um passo para trás e me puxando para perto de si, envolvendo meus ombros com seu braço.
— Saia daqui, antes que eu perca a paciência com você.
— Tudo bem, já estou de saída, mas por que ela pediu e não porque você quer. — Harry abre a porta do carro, mas antes de entrar se vira para mim.
— O que nós tínhamos era especial demais para você me esquecer tão facilmente...
— Humpf. — Bufo e solto uma risada sem humor nenhum. — Esquecer você foi tudo, menos fácil.
— Eu sei que em algum lugar aí no fundo você ainda me ama. Você vai voltar a ser minha, nossa história não acabou, Demi.
— Filho da... — Joseph parte para cima de Harry, mas eu o seguro a tempo.
— Por favor, Joseph. Não aqui. — Ele me ouve e recua, Harry entra no carro.
— Até depois, minha linda. — Harry diz e arranca com o carro.
— Filho da mãe. Quem ele pensa que é para te chamar de Demi, de minha linda? Deus, eu quero matar esse pedaço de merda. — Joseph diz vermelho de raiva.
— Calma, cara. — Nick diz colocando a mão em seu ombro.
— Calma nada, eu vou acabar com ele isso sim. O que ele estava fazendo aqui? Porque você deixou ele chegar tão perto? — Joseph diz redirecionando sua raiva para mim.
— Hey, calma. Foi Ian quem convidou Harry.
— Ian? — Selena pergunta confusa.
— É, ele o convidou só para provocar Joseph.
— Mas Ian não odiava Harry?
— Pelo jeito ele me odeia mais. — Joseph diz encarando o chão, a raiva em sua voz sumiu e foi substituída por magoa.
Ele não olha para ninguém e vai em direção a casa, sumindo pela porta da frente.
— Droga, eu vou atrás dele. — Digo e saio correndo para dentro.
Joseph, espere. — Ele para e se vira, com as mãos na cintura. — O que foi?
— Não fique assim, por favor.
— Como você quer que eu fique? Eu chego aqui e vejo a minha namorada nos braços do ex e ainda por cima descubro que o meu melhor amigo me odeia ao ponto de convida-lo apenas para me atingir.
— Eu não estava nos braços de Harry.
— Estava sim, vocês estavam quase se beijando. — Obviamente agora não é uma boa hora para admitir que Harry me beijou.
— Amor...
— Acho melhor eu ir embora. — Ele diz.
— Não, não fale besteira. Não deixe que os idiotas do Harry e do Ian estraguem nosso dia. Vamos mostrar para Ian que não há nada que possa nos separar, que estamos felizes juntos e que nos amamos.
— Não posso acreditar que ele me odeie tanto assim. — Joseph diz passando a mão pelos cabelos.
— Uma hora ou outra ela vai acabar entendendo. E mesmo que ele não entenda, isso não vai nos separar. Eu não vou permitir que Ian nos atrapalhe, a partir de hoje não vou mais falar com ele, agora sou eu quem vou ignora-lo.
— Não quero que você se afaste do seu irmão por minha causa.
— Não é por sua causa, é por causa dele mesmo. Ele que tem agido como um idiota.
— Chamar Harry não foi a primeira coisa que ele fez, foi? Ele tem feito outras coisas que você não me contou, não é?
Joseph...Deixa isso para lá, não importa.
— Importa para mim, o que ele tem feito? Ele tem te tratado mal?
— Não exatamente.
— Então o que é?
— Ele tem tentado me convencer a te deixar, ele tem...Ele fica me contanto coisas.
— Que tipo de coisas? — Ele pergunta com um leve tom de desespero na voz.
— Coisas que você fez no passado, com outras mulheres. Ele fica me dizendo que você é nojento e que eu mereço coisa melhor. Ele me contou sobre as festas de troca de casais que você deu no apartamento que vocês dividiam na faculdade, sobre as vezes que ele pegou você com mais de uma mulher transando na sala, das vezes que ele não conseguia dormir por causa dos gemidos. E da vez que...Da vez que você transou com um homem. — Assim que digo isso Joseph fica branco como papel e rapidamente desvia o olhar, com vergonha. Ele se vira, ficando de costas para mim.
— Eu estava bêbado, foi só uma vez.
— Eu não estou julgando, Joseph.
— Eu sinto muito que tudo isso seja verdade.
Joseph, olhe para mim. — Peço e ele balança a cabeça em negativa.
— Tenho muita vergonha de tudo o que eu fiz.
— Não tenha, por favor, olhe para mim. — Ele lentamente se vira, quando vejo as lágrimas escorrendo de seus lindos olhos, sinto uma vontade enorme de chutar a bunda de Ian. Definitivamente eu não estou mais falando com ele.
— Ele tem razão, você merece coisa melhor.
— Hey, não fale uma coisa dessas. — Digo abraçando-o. — Eu não gosto nem um pouco do seu passado, não vou mentir. Odeio que você tenha estado com tantas outras pessoas, mas seu passado faz parte de quem você é agora, e eu te amo. — Ele me abraça forte.
— Se eu soubesse...Se eu soubesse que iria encontrar esse sentimento tão puro e bonito, o nosso amor, eu teria feito tudo diferente. Não teria encostado em nenhuma outra mulher, teria esperado por você.
— Queria ter esperado por você também. — Digo.
— Só de imaginar que você já dormiu com outro homem, me deixa cego de ciúmes, mesmo tendo sido apenas um. Não posso nem imaginar como você se sente sabendo de tudo o que eu fiz. Sinto muito meu amor, que você tenha que aguentar isso.
— Não quero mais falar sobre isso, por favor. Vamos esquecer tudo isso, pelo menos por hoje, vamos fingir que nada disso com Harry aconteceu e vamos aproveitar o dia juntos.
— O que você quiser, meu amor. Mas eu não vou me esquecer dele, se Harry chegar perto de você de novo, não vai ter nada que vá conseguir me impedir de dar uma lição nele. E com relação à Ian, eu também não vou permitir que ele continue te envenenando contra mim. Ele não quer aceitar nosso namoro, muito bem então, mas ele não tem o direito de tentar atrapalha-lo.
— Não vamos deixar ele nos atrapalhar. — Digo.
— Não vamos deixar ninguém nos atrapalhar, promete?
— Prometo. — Respondo.
— Ótimo, eu prometo também. Vamos permanecer firmes, meu amor, e juntos. Haja o que houver.


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