sexta-feira, 12 de julho de 2013

CAPÍTULO 3

Devia ter telefonado pedindo as compras, pensou Demi, enchendo o carrinho e tentando ignorar as pessoas que a observavam, os jovens, muito mais jovens do que os que pensaria em namorar, fitando-a intensamente. Ela sorriu docemente, um típico sorriso de passarela, admitiu, rindo baixinho. Alguns homens eram pescadores, e ainda usavam as botas de borracha da pescaria.
Checando a lista, Demi dirigiu-se ao caixa. Vai começar, pensou, vendo que as pessoas aproximavam-se de onde estava, como felinos. Um adolescente que varria o chão chegou mais perto. A vendedora parecia não ter pressa, fitando-a demoradamente, apesar da fila. Os clientes não tiravam os olhos dela. Não era de admirar que Jonas não saísse de casa. O que teria acontecido com a hospitalidade do sul?
— Você é nova aqui? — perguntou a vendedora, uma loira que usava argolas enormes nas orelhas e mastigava chiclete.
— Sim. É uma linda ilha — disse Demi. Era melhor deixá-los orgulhosos da terra onde viviam.
— Está no castelo, não é?
— Sou a babá que o sr. Jonas contratou.
— Babá?! — exclamaram várias pessoas ao mesmo tempo. Demi olhou ao redor, fitando um a um, todos que estavam próximos.
— O sr. Jonas está esperando a filha chegar, e estou aqui para cuidar dela.
— Pobre criança — disse uma velha senhora, num tom sombrio.
— Por quê? — perguntou Demi, embora soubesse a resposta.
— Imagine ter um homem tão horrível como pai.
— Conhece o sr. Jonas? — perguntou Demi.
— Não exatamente.
Esperando que sua expressão fosse da mais pura inocência, indagou:
— Então, como pode saber como ele é?
— Ele nunca sai daquele lugar — disse a vendedora. — Não mostra o rosto há quatro anos. Nem mesmo Dewey, que mora lá, conseguiu vê-lo de perto.
Dewey, Demi imaginou, devia ser o caseiro, que ainda não conheceu.
— Ele está desfigurado — gaguejou o jovem que embalava suas compras.
— Se nunca o viu, como pode saber disso?
O garoto deu de ombros, como se fosse de conhecimento geral. Embora ninguém tivesse visto Jonas.
— Não acho que a aparência seja importante — respondeu ela, tentando controlar-se, e detestando que as pessoas dessem tanta importância às aparências. Ela sabia, por experiência própria, como isso era injusto e preconceituoso, embora por motivos opostos. As mulheres recusavam-se a ser suas amigas, acreditando que se imaginava melhor do que elas. Os homens quase pisoteavam uns nos outros para aproximar-se, todos tentando levá-la para a cama, ou convidá-la para um acontecimento social, onde pudessem exibi-la como um troféu. Ninguém, nem mesmo o ex-noivo, conseguiu ver além do rosto lindo que Deus lhe deu. E, aparentemente, ninguém queria ver além das cicatrizes de Jonas.
Tudo isso fazia Demi sentir um estranho impulso de defender um homem que nem conhecia. Era difícil manter o controle diante de tantos preconceitos.
— Coloque na conta dele, e mande entregar por volta das três — pediu, saindo depressa e sentindo que todos os olhares a acompanhavam.
Em vez de pegar um táxi para casa, resolveu acalmar-se, caminhando pela pitoresca cidadezinha. Mas as lembranças continuavam a atormentá-la. A mãe, arrastando-a para comerciais de tv, desde bem pequena, os concursos, tudo que sempre detestou. E quando cresceu, escolhia participar apenas dos que lhe interessavam, porque queria ir para a faculdade, e precisava do dinheiro.
Olhando em volta, viu as vitrines das pequenas lojas, os bancos de madeira espalhados por vários locais, turistas e moradores passeando e fazendo compras. Dois homens mais velhos sentavam-se junto ao cais, trocando histórias de pescaria. Demi sorriu, lembrando-se do avô, sentado na cadeira de balanço da varanda, esculpindo pequenos animais de madeira para que ela e os irmãos brincassem. Aliás, eram os únicos brinquedos que tinham. Uma vida simples, mas cheia de amor, pensou, com saudade do avô.
Ela respirou fundo, saboreando a brisa fria que vinha do mar. Como o sol estava alto ainda fazia calor, mas logo chegaria à estação dos furacões, com chuva, umidade e frio intenso. Cruzando os braços para proteger-se, andou mais depressa para a pequena estrada que levava o castelo. Em poucos minutos entrava no calor acolhedor da casa.
Depois de preparar café, esfregou os braços gelados, e ouviu um ruído vindo de fora. Franzindo a testa, foi até a porta de trás e afastou as cortinas que cobriam a pequena janela. Todos os seus impulsos femininos tornaram-se vivos e intensos, ao ver as costas nuas do homem que cortava lenha. Os músculos poderosos moviam-se numa dança da qual não conseguia afastar os olhos.
Jonas.
Como era bonito, usando apenas jeans e botas! De onde estava, podia ver apenas o perfil do rosto, com certeza o lado sem cicatrizes, já que os traços eram aristocráticos e bem feitos. Os cabelos escuros flutuavam ao vento, cobrindo totalmente a nuca. Os braços eram fortes, musculosos, e ao erguer o machado para cortar mais uma tora, Demi pôde ver como eram poderosos, já que a madeira partiu-se em um golpe. Ele deu mais alguns golpes e depois parou, apoiado no cabo do machado. Quando começou a falar, Demi percebeu que não estava sozinho e foi até a janela. Outro homem, mais velho, sentava-se num banco e brincava com um canivete. Era Dewey Halette, e aparentemente era bem mais do que um caseiro. Era amigo de Jonas. Talvez seu único amigo. Dewey conversava animadamente, o rosto moreno e enrugado meio coberto pelo boné. A camiseta escura ajustava-se ao tórax esguio, e o jeans estava tão gasto nos joelhos que a cor desbotou. Ela observava os dois homens, e como se Jonas soubesse que estava ali, continuava de costas. Ainda assim, pôde ver cicatrizes longas e finas descendo pelas costelas, como se tivessem sido feitas por adagas afiadas. Devia ter sido muito doloroso, e mais uma vez, imaginou como teria sido o acidente. De repente, ele inclinou a cabeça para trás e riu. O som, carregado pelo vento, chegou até Demi, que estremeceu, sentindo um estranho calor percorrê-la. Pelo menos ele não tinha perdido a capacidade de desfrutar de pequenos prazeres, como conversar e rir com um amigo, pensou, desejando juntar-se a eles. Mas, se quisesse que o visse, já teria aparecido.
Ele disse algo que fez Dewey corar. Logo se levantava, sorria para Jonas e colocava mais toras aos pés dele. Jonas continuou a trabalhar, cortando tora por tora, enquanto Dewey empilhava os pedaços. Então, o caseiro parou, olhando diretamente para ela.
Demi sustentou o olhar.
Jonas largou o machado e pegou o casaco com capuz.
Saindo para a varanda, Demi gritou:
— Desculpe-me. Não tive a intenção de me intrometer.
— Mas fez exatamente isso — disse Jonas, vestindo o casaco de costas para ela.
— Desculpe-me. Vou para outro lugar.
Joseph suspirou, desejando virar e fitá-la nos olhos.
— Não quero que sinta que precisa afastar-se de onde estou.
— Mas é exatamente o que quer. Preferia que eu não estivesse aqui, não é mesmo? — Ela viu que os ombros dele enrijeciam. — O mínimo que podemos fazer é ser honestos um com o outro.
Joseph apertou os lábios, suspirando mais uma vez.
— É verdade. Mas posso garantir que não me importo de não ter mais a casa só para mim.
— Não precisa se esconder.
— Eu não me escondo. Escolhi este estilo de vida, srta. Lovato, e nos últimos quatro anos aprendi que é a melhor maneira de viver.
— Quer dizer, a mais fácil.
— Nada é fácil para mim, senhorita.
— E quanto a sua filha? Ela espera encontrar o pai. Precisa de carinho e conforto. Perdeu a mãe.
O peito de Joseph apertou-se ao pensar na tristeza de Kelly, e como gostaria de confortá-la.
— Foi por isso que a contratei, srta. Lovato.
— E não se importa com ela?
Como podia dizer a Demi que ao saber da existência da filha, poucas semanas atrás, sentiu raiva da mãe de Kelly, por abandoná-lo, carregando no ventre o bebê que era deles, por não lhe dar uma chance de conhecer a criança, antes de lhe tirar tudo que tinha. O amor pela mulher desapareceu quando ela partiu, abandonando-o quando ele mais precisava, condenando-o à prisão e ao isolamento. Como podia esquecer o passado?
— Eu me importo. Muito. Mas mal tive tempo de me acostumar com a idéia de que sou pai. — Ele começou a andar para a garagem.
— É bom se acostumar — disparou Demi, enquanto ele se afastava. — Depois de amanhã ela estará aqui, querendo vê-lo, e como poderei explicar que o pai não quer encontrá-la?
— Diga a verdade — respondeu ele, sem parar de andar. — Que o pai não quer ser mais uma fonte de pesadelos para ela.
A resposta a deixou sem ação, e antes que pudesse pensar no que dizer, ele tinha desaparecido. Virando-se, ela fitou Dewey.
— Acho que as coisas não correram muito bem, não é? Dewey observou-a atentamente, como se estivesse avaliando cada detalhe, e Demi não saberia dizer qual foi a impressão do homem, já que sua expressão continuava impenetrável.
— Não, madame.
— Sou Demetria Lovato.
— O sr. Jonas me disse.
— E o que mais ele falou a meu respeito?
A expressão de Dewey continuou impenetrável, e ele virou-se para arrumar as pilhas de madeira. Por certo precisariam delas para aquecer-se nas noites de tempestade, imaginou Demi, pensando em como o castelo de pedra devia ser frio no inverno.
— Todos na cidade têm uma imagem errada dele. Mas já deve saber disso, não é? — Ela admirava o fato de o caseiro respeitar o segredo de Jonas, mesmo exposto à curiosidade de todos.
Dewey arrumou mais uma pilha.
— Poderia ao menos me dizer como é a rotina dele? Assim poderei ficar fora do caminho.
Dewey afastou o boné para trás, fitando-a por alguns instantes, antes de falar:
— Não.
— O quê? — Ela não podia acreditar no que ouvia.
— O sr. Jonas não segue rotinas, faz o que quer. Se encontrá-lo novamente vai ter que lidar com a situação.
— Obrigada pela ajuda. — Demi cruzou os braços, fitando-o diretamente. — Prefere vê-lo se escondendo, ou saindo da toca para conhecer a filha?
Ele não respondeu, e ficou bem claro para Demi o quanto era leal ao patrão. Mas quando ele segurou o machado, disposto a recomeçar o trabalho que Jonas interrompeu, ela o impediu, segurando o braço que se erguia.
— Não vou sair daqui até ter certeza de que Kelly tem todo o cuidado e atenção que merece. Entendeu, sr. Halette?
Os olhos dele brilharam, embora a expressão do rosto continuasse inalterada.
— Sim, senhora. E pode me chamar de Dewey, senhora.
— Demi — corrigiu ela, virando-se para a casa e acrescentando: — Estou esperando que entreguem as compras. Assim, acho melhor recolocar aquela expressão séria no rosto. Afinal, é o que todos esperam, não é mesmo?
Dewey a olhou se afastar, lutando para esconder um sorriso.
— Sim, senhora.


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Oi meninas, quanto tempo né, desculpa gente realmente não deu pra mim postar durante a semana devido vários fatores acho que essa foi a pior semana da minha vida, nada deu certo, briguei feio com meu namorido, o trabalho está muito puxado ultimamente mas vocês não tem nada a ver com a história eu sei e é por isso que mesmo quase caindo de sono estou postando esse pra vocês espero que gostem e COMENTEM, domingo vou postar 3 pra vocês e não vai ser maratona porque não tenho capítulos suficientes e é isso.   

quarta-feira, 10 de julho de 2013

NOTÍCIA URGENTE!!!

OLÁ MENINAS, PASSANDO AQUI RAPIDINHO PRA AVISAR QUE HOJE PROVAVELMENTE NÃO IREI POSTAR, MOTIVO? MEU CURSO MUDOU O DIA E AGORA SÃO NOS DIAS DE QUARTA E QUINTA FEIRA, E NÃO MAIS NA SEXTA MAS SE EU CHEGAR EM CASA NÃO TÃO CANSADA POSTO PRA VOCÊS SEM FALTA, OK 
SÓ PRA VOCÊS NÃO FICAREM ESPERANDO.   

terça-feira, 9 de julho de 2013

CAPÍTULO 2

               


Joseph apoiou as costas na porta e fechou os olhos, a imagem de Demetria presa em sua mente, recusando-se a deixá-lo em paz. Era a criatura mais linda que já viu. O tipo de mulher que fazia as cabeças virarem, os homens tropeçarem e as mulheres morrerem de inveja. E só de fitar os lindos olhos castanhos, cada cicatriz parecia doer como se fosse recente. Era como colocar um doce apetitoso na frente de um homem que morria de fome. Oferecer-lhe a iguaria, da qual nunca poderia sentir o gosto.
Mal podia tolerar a presença dela ali, em seu lar, seu santuário. Só saber que estava ali era o suficiente para deixá-lo louco, e queria estrangular Katheryn Elizabeth Hudson por ter lhe mandado uma mulher tão linda. Será que Katy não percebia que não esteve perto de uma mulher desde o acidente? E até aquela manhã não teve sequer uma referência, atém da palavra de Katheryn, garantindo que encontrou alguém muito qualificado. Não teve tempo de pesquisar o passado dela, e embora tivesse encontrado apenas parte dele, não havia fotos, embora tivesse imaginado como era, já que venceu tantos concursos de beleza. Ainda assim, era como se não desejasse mostrar o lindo rosto. Ele tinha uma boa razão para não mostrar o rosto. Mas qual seria a dela?
Aos trinta anos, continuava linda.
Que droga! Ele foi muito claro ao pedir uma governanta para cuidar de Kelly. Pediu uma mulher mais velha, forte e saudável o suficiente para cuidar de uma garota de quatro anos, e que compreendesse que a responsabilidade de Kelly seria dela. Não podia deixar que Kelly o visse. Nunca. A criança fugiria dele, e Joseph sabia que não poderia suportar isso. Não outra vez. As pessoas fugiam dele por causa das cicatrizes que o desfiguravam. Não pretendia assustar uma criança.
Kelly. Joseph cerrou os punhos. Uma criança cuja existência ele ignorou até algumas semanas atrás, quando a ex-mulher morreu. Parecia que ele era a única pessoa no mundo que podia cuidar da menina.
Mais uma vez, amaldiçoou Taylor por não ter lhe dito que carregava um filho ao deixá-lo. Só Deus sabia como precisava disso, quatro anos antes. Algo para fazê-lo suportar as inúmeras cirurgias, a difícil recuperação e a dura realidade de que nada poderia ser feito para recuperar o corpo desfigurado.
Afastando-se da porta, Joseph pegou o telefone e discou um número, mal contendo a raiva.
— Wife Incorporated. Katheryn Elizabeth Hudson.
— Que droga, Katy, ela é linda! — De tirar o fôlego, acrescentou mentalmente, lembrando-se de cada curva do corpo perfeito, coberto pelo conjunto branco.
— Então saiu da sua toca por tempo suficiente para observá-la?
— Por que fez isso? Joseph ouviu-a suspirar.
— Demetria é uma das pessoas mais bondosas que conheço. E não fiz isso por você, meu bem. Foi por Kelly. Demetria adora crianças, e já trabalhou com elas antes. Tem todas as qualificações que você queria. É culta, mas não a ponto de não conseguir se comunicar com uma criança. Além disso, é divertida e criativa. Dê-lhe uma chance.
— Não tenho escolha. Kelly chega dentro de dois dias.
— Vai dar certo, Joseph.
— Encontre outra pessoa, imediatamente. Eu não a quero aqui. Houve uma pausa do outro lado, e ao falar, a voz de Katheryn soou fria e brusca:
— Taylor devia ter lhe contado sobre Kelly, eu concordo, e se não tivesse jurado que não o faria, eu mesma teria dito. Mas quando ela disse que o deixou porque tinha se tornado frio e mesquinho, não pude acreditar. Agora, vejo que estava certa.
Joseph sentiu como se ela o tivesse esbofeteado.
— Taylor me abandonou porque não pôde suportar as consequências do acidente. Queria que eu fosse o mesmo de antes e que agisse como antes. Isso nunca vai acontecer. — Ele respirou fundo, antes de prosseguir: — Encontre outra pessoa. — E sem despedir-se, desligou. Só ao largar o fone percebeu como o segurara com força.
Deixando-se cair na poltrona de couro, atrás da escrivaninha, virou-a para a janela. O sol lutava para sair de trás das nuvens, refletindo-se no riacho, enquanto Joseph lutava para afastar as memórias dolorosas do acidente. A dor cortante, a reação de horror de Taylor quando tiraram as bandagens, a repugnância que não conseguira disfarçar. Sempre imaginava que ela estaria a seu lado, em qualquer situação, e ficou chocado ao vê-la partir. Devia ter imaginado que ela faria isso, quando se recusou a dividir a cama com ele, e até mesmo a tocá-lo depois do acidente. Ele podia ver a repulsa, cada vez que estendia a mão para ela. A noite anterior ao acidente tinha sido a última vez que sentiu prazer e ternura com uma mulher.
E agora a mulher que foi eleita a mais bonita do Estado estava morando em sua casa. Não fazia diferença que isso tivesse ocorrido dez anos antes. Ela ainda era capaz de parar o trânsito com sua beleza.
A batida foi tão suave que ele mal ouviu.
— Sr. Jonas.
O som daquela voz doce e delicada tocou-o profundamente. E ele quase a odiou por isso.
— Eu já disse que a chamaria se…
— Pelo que me lembro, fui contratada para tomar conta da sua filha, não do senhor. Portanto, pode chamar o quanto quiser, meu senhor, e…
— Pago o seu salário.
— Sua mãe não lhe ensinou que é falta de educação interromper uma senhora?
— E você não aprendeu diplomacia, ao trabalhar no Departamento de Estado?
— Sim. Mas este não é um território estrangeiro, nem você pode pedir imunidade diplomática.
Lutando contra a vontade de sorrir, Joseph apoiou a cabeça na poltrona de couro.
— O que você quer?
— Ah, chegamos ao estágio das negociações — zombou Demetria. — Agora, a menos que a montanha de alimentos na geladeira e no freezer seja a sua noção de uma dieta balanceada, preciso planejar o cardápio.
— Muito bem. Pode pedir o que quiser.
Demetria suspirou. Que homem difícil. Ela sacudiu a bandeja, fazendo a linda porcelana tilintar.
— Ouviu? São pratos. Com comida — completou.
— Deixe na porta. Ela piscou.
— O quê?
— Tenho certeza de que ouviu, srta. Lovato. A porta não é tão grossa.
— Que teimoso — resmungou Demetria.
— Deixe no chão e vá embora.
Demetria colocou a bandeja junto à porta, e ao olhar para a madeira decidiu que o faria sair dali, de qualquer modo.
— Pelo jeito, vamos ter muitos problemas, sr. Jonas.
— Só se quebrar as regras.
— E quais são?
— Receberá ordens através de e-mails em seu computador.
— Meu Deus, que impessoal!
— É o único modo possível — disse ele, baixinho, ouvindo os passos dela afastando-se na escada.
Joseph esfregou a testa, a ponta dos dedos tocando as cicatrizes, e praguejou, levantando-se e começando a andar de um lado para o outro. Cerrando os dentes, imaginou como iria sobreviver com aquela mulher linda andando pela casa.

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Então o que estão realmente achando da nova história? os capítulos estão muito grandes? ta chato? sem noção? deem sua opinião , COMENTEM !!!! 

segunda-feira, 8 de julho de 2013

CAPÍTULO 1


Demetria Lovato ergueu o olhar para o castelo de pedras cinzentas e imaginou o que encontraria lá dentro. O príncipe encantado ou o dragão?
O dragão provavelmente, imaginou, se fossem verdadeiros os boatos que ouviu do pessoal da cidade, na viagem de balsa até a linda ilha. Será que Joseph Jonas sabia como era temido?, pensou, observando as pedras enormes e as janelas em arco, enquanto o táxi entrava no caminho que conduzia à entrada. A enorme estrutura tinha até ameias, além da torre principal.
Demi via apenas solidão por toda parte.
— Senhora… — disse o motorista, ao parar em frente da casa enorme. — Tem certeza de que é este o lugar aonde quer ir?
Por que todos na ilha perguntavam a mesma coisa, como se estivesse indo para a forca? Jonas era apenas um homem, nada mais.
— Sim, tenho certeza, sr. Willians — respondeu, sem olhar para o motorista de meia-idade.
— O sr. Jonas não é um tipo simpático, como deve saber.
— Não é de admirar, já que todos agem como se ele fosse capaz de morder, não acha? — Dessa vez ela o fitou diretamente, erguendo uma sobrancelha.
O homem corou e então olhou novamente para a casa.
— Os boatos devem ter algum fundamento — resmungou, saindo do carro para pegar a bagagem de Demi.
Ela também saiu do carro e o acompanhou, subindo os degraus da entrada.
Como uma serva do rei, havia sido contratada para ajudar a filha de quatro anos de Joseph Jonas a acostumar-se a viver ali. A morar com um homem recluso, que vivia trancado num castelo, longe de qualquer contato humano. Pelo jeito, teria um bocado de trabalho, já que, de acordo com os boatos, ninguém pôs os pés na casa, além dos entregadores, nos últimos quatro anos. Demi sentiu pena da garotinha, que acabou de perder a mãe e tinha sido afastada do pai. Demi estava ali para conhecer o local, antes de a menina chegar.
O sr. Willians colocou as malas no chão. Ao virar-se para pagá-lo, Demi percebeu que escrevia algo num pedaço de papel. Assim que lhe entregou o dinheiro, o homem estendeu-lhe o papel.
— Aqui está meu telefone. Se precisar de alguma coisa é só chamar.
O gesto a deixou comovida, mas não era necessário.
— Ele não é um monstro, sr. Willians.
— E sim. Grita com qualquer um que pisar nas terras dele, e quase fez picadinho do pobre garoto que entrega as compras da mercearia. Detesto pensar no que pode fazer com a senhora. — E quando Demetria olhou-o com firmeza, o motorista olhou novamente para o castelo e suspirou. — Esta casa foi construída muitos anos atrás, por um homem que a ergueu para a noiva. Ela queria viver como uma princesa, e ele procurou atender esse desejo. Trouxe cada pedra do continente, e muitas coisas vieram da Inglaterra ou da Irlanda, pelo que ouvi dizer. Ela morreu antes que a casa estivesse terminada, ou antes, que o rapaz tivesse chance de casar-se com ela.
Que história triste, pensou ela, mas logo ergueu o queixo.
— Está agindo como se a casa fosse assombrada, ou amaldiçoada.
O sr. Willians não disse nada, olhando as pesadas portas duplas de madeira, como se fossem a entrada de uma caverna. Que bobagem, pensou Demetria, erguendo a aldrava de bronze para bater na porta. Era a cabeça de um dragão. Bem, sr. Jonas, se queria manter as pessoas longe daqui, tem feito um bom trabalho. Ela bateu e esperou.
Imediatamente ouviu-se uma voz, soando no interfone à direita da porta.
— Entre.
A voz era profunda, um tanto rouca, e sem querer, Demetria estremeceu, invadida por um sentimento de apreensão.
— Entende o que eu disse? — perguntou Willians.
— Bobagem — retrucou ela com firmeza, abrindo a porta e entrando. Um pequeno abajur, colocado sobre uma linda mesa de madeira entalhada, iluminava parcialmente o saguão. Ela colocou a bolsa e uma maleta chão e virou-se, vendo que o sr. Willians empurrava apressadamente as malas para dentro e se afastava para os degraus. Mas o gesto não o impediu de dar uma boa olhada na casa, pensou Demetria. Ela procurou o interruptor e logo o local ficou completamente iluminado. O homem encolheu-se e recuou ainda mais.
— Me ligue, se precisar — repetiu, com o sotaque ainda mais acentuado.
A atitude dele, assim como a das pessoas que encontrou na cidade, mostrando-se chocadas ao vê-la chegar, e fazendo advertências, era terrivelmente injusta e infundada, já que falavam de um homem que nem conheciam. De repente, Demetria sentiu-se fortemente motivada a proteger o sr. Jonas.
— Não será preciso, obrigada — agradeceu, fechando a porta. Suspirando, Demetria virou-se, e o coração dela deu um salto, ao perceber que as luzes se apagaram e uma sombra aparecia no topo da escada de madeira entalhada.
— Sr. Jonas?
— Sim — a voz grave ressoou, chegando até ela.
— Olá. Sou…
— Demetria Lovato, eu sei — interrompeu ele. — Quase trinta anos, solteira, cursou a universidade, criada em Charleston, ex-miss Carolina do Sul, miss condado de Jasper, miss Festival do Camarão.
Ela podia jurar que havia um tom de zombaria na voz dele.
— Será que esqueci alguma coisa?
Bem, então era ele o misterioso recluso, pensou, olhando para a sombra na escada.
— Esqueceu de dizer: ex-funcionária do Departamento de Estado, professora da escola da embaixada, e lingüista, fluente em italiano, farsi e galês.
— Mas sabe cozinhar? — perguntou ele, num galês impecável.
— Não estaria aqui, se não soubesse. — Ela cruzou os braços e observou a figura masculina, alta e forte, delineada pela luz que vinha do abajur, e que permitia ver apenas a calça preta e os sapatos. A mão dele apoiava-se no corrimão, e um anel com sinete, de ouro, brilhava refletindo a luz. Que mãos grandes, pensou Demetria, mas logo falou: — Será que tenho um site com todas as minhas informações e não estou sabendo? — O que mais saberia sobre ela?
— As telecomunicações são um recurso fascinante.
— É verdade. Mas não precisa dizer o número do meu sutiã, nem quando perdi os pompons de chefe da torcida quando estava com Grady Benson.
— Foi só isso que perdeu? — O tom grave pareceu percorrer cada centímetro da espinha de Demetria, e isso a irritou profundamente.
— Procure na Internet — disparou, não gostando nem um pouco de saber como ele estava informado a seu respeito. E como sabia pouco sobre ele. Não teve chance de descobrir muita coisa. Sabia apenas que vivia recluso, depois de um acidente que o desfigurou, que havia se divorciado, e que, em poucos dias, receberia uma filha que jamais viu antes. Era estranho, muito estranho, pensou, começando a pegar as malas.
— Onde vou ficar?
— No segundo andar.
Ela começou a andar para a escada.
— Deixe as malas e me acompanhe.
Demetria soltou as malas, carregando a bolsa e a maleta ao acompanhá-lo. Ele andava vários passos à frente, mantendo-se sempre no escuro. O andar dele era firme, elegante à luz do corredor, que vinha de pequenas lâmpadas junto ao rodapé. Tudo que podia ver era o contorno dos ombros, na camisa imaculadamente branca, muito largos e fortes. Ele parou diante de uma porta e abriu-a depressa.
— Aqui — disse, e continuou andando. Ela parou do lado de fora do quarto.
— E o quarto da sua filha?
Ele hesitou por uma fração de segundo.
— Do outro lado do corredor. —Ele já estava quase no segundo lance de escadas. — Vou pedir para trazerem suas malas.
— Pensei que morasse sozinho.
— E moro. Tenho um caseiro, que mora num chalé, nos fundos do terreno, e uma empregada, que vem às segundas-feiras.
— Não acha que precisamos conversar sobre a chegada da sua filha? — gritou Demetria, já que ele não parava de andar.
— Ela chegará dentro de dois dias. Encontre-a na balsa. — Ele subia cada degrau num passo deliberadamente lento. Demetria imaginou se sentiria dores.
— Não virá comigo?
— Foi para isso que a contratei, srta. Lovato.
— Mas não pode apenas me entregar sua filha sem… Uma porta bateu com Força no topo da escada. Ele voltou ao refúgio nas sombras.
— Muito bem — disse ela, aproximando-se da escada e olhando para cima. Tudo que podia ver era um corredor e uma grande porta de madeira polida, com uma maçaneta de bronze. Como ele podia ser tão indiferente? Kelly era quase um bebê, com apenas quatro anos. E será que ele estava mesmo tão desfigurado? Ou seria apenas vaidoso, e não queria vir para a luz? Apesar de tudo, era com Kelly que estava preocupada e, endireitando os ombros, subiu a escada e bateu na porta.
— Acho que precisamos ter uma conversa, sr. Jonas. Agora.
Nenhuma resposta.
— Posso ser muito persistente quando tenho um objetivo, o senhor já sabe.
— Vá embora, srta. Lovato. Avisarei quando precisar, e se precisar, da senhorita.
— É claro, meu senhor, como fui tola em pensar que realmente se importa com sua filha — disse, num tom seco, e virou-se para ir embora. Teimoso, rude, dominador. O pai dela teria acertado um soco nos dentes dele só por tratar uma mulher daquele jeito.
Demetria entrou no quarto e parou, sem fôlego. Pelo jeito o dragão tinha muito bom gosto. A decoração era luxuosa, o tapete, as cortinas, os quadros, tudo combinava, criando uma atmosfera relaxante e sensual. Uma enorme cama com quatro colunas ficava num dos cantos, coberta por uma colcha e almofadas, nos mesmos tons de vinho, cinza e branco que decoravam o aposento. Havia uma escrivaninha no estilo Rainha Anne com um computador colocada perto da parede, e algumas poltronas bem femininas posicionadas perto da lareira. Perto das três janelas enormes havia um banco forrado, coberto com almofadas bordadas em ponto cruz, o que o tornava ainda mais convidativo. A esquerda ficava o closet, tão grande que jamais conseguiria enchê-lo. Mas bem que gostaria de tentar, pensou Demetria, observando o banheiro moderno, com a maior banheira que já viu. Deixando a bolsa e a maleta sobre a cama, atravessou o corredor e entrou no quarto de Kelly.
Sem palavras, parou na porta. Pelo jeito, dinheiro não era problema para o sr. Jonas. O quarto parecia um sonho, em tons de verde e rosa, com uma casa de bonecas antiga, muitos brinquedos e uma cama colocada num dos cantos. O dossel tinha cortinas de cetim, que desciam enfeitando a cabeceira trabalhada. A história da Princesa e a Ervilha surgiu-lhe na mente, já que a garotinha teria de usar o banco para subir na cama alta. Ele pensou em tudo, reconheceu Demetria, vendo os armários e gavetas cheios de roupas de tamanhos diferentes. Ele não sabia mesmo nada sobre a filha, percebeu ela, voltando para o quarto, abrindo a maleta e pegando o arquivo que Katheryn Elizabeth Hudson, dona da Wife Incorporated, a entregou dois dias atrás.
O rosto da garotinha de cabelos loiros aparecia na foto, revelando o sorriso doce e os olhos muito azuis. Atirando a foto de lado com um suspiro, foi até o banco junto à janela, afastando as cortinas ao sentar-se. Dali podia ver o continente e as outras ilhas da costa da Carolina do Sul. O vento de outubro varria a praia, balançando os galhos dos enormes carvalhos que cercavam a costa. As ondas rugiam contra o cais, escurecendo a areia. O céu estava carregado, escuro, quase encoberto pela neblina densa. Um dia perfeito para encolher-se no sofá, ler um livro e sonhar. Com o que sonharia uma garotinha? Especialmente uma que tivesse perdido a mãe e estivesse chegando a uma ilha isolada para encontrar o pai, que nem sequer conhecia.
Ela sonharia com um príncipe para mantê-la segura, pensou Demetria. Não com um dragão que soltava fogo na direção de qualquer um que tentasse se aproximar de sua caverna.

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Tá aí o primeiro, alguém aí gostou?
Comentem! 

sábado, 6 de julho de 2013

EPÍLOGO





                               8 meses depois


 Demi sorriu, sonolenta, ao sentir mãos fortes tirarem sua filha de 2 meses de seu peito, onde ela começou a acordar, emitindo pequenos ruídos alegres.
Hora de Selena Marie e seu papá terem um momento de conexão, eu acho... e deixar mamma descansar.
Demi abriu os olhos a tempo de aceitar o longo beijo na boca antes que Joseph ou Joe, como ela o chamava agora endireitasse o corpo e lhe piscasse, então ia em direção ao jardim com a filhinha deles aninhada em seu peito.
Ela ergueu-se sobre os cotovelos e observou seu marido saindo, nu, exceto por uma bermuda, as costas largas bronzeadas pelo sol, depois das férias que tirou para passar com elas.
E então, não querendo ficar para trás, ela levantou-se, amarrou um sarongue ao redor da cintura e foi se juntar à família na beira da praia, vendo as ondas batendo na areia.
Joseph passou um braço possessivo ao seu redor, e o olhar que eles trocaram dizia tudo. Demi envolveu lhe a cintura com os braços e, juntos, eles permaneceram na praia com sua filhinha, assistindo ao sol nascer num outro lindo dia.


Fim...

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ACABOU !!!! :) estou feliz por vocês terem acompanhado toda a história quero agradecer as novas seguidoras pelos comentários e todas as outras também estou muito feliz por hoje ter 35 seguidoras espero que esse número cresça cada vez mais, espero de coração que realmente tenham gostado e que gostem mais ainda da próxima, alguém aí gosta de contos de fada??? a próxima não vai ser um mais vai ter o nome de um Beauty and the Beast, acho que vai ser linda, logo posto a sinopse e personagens.